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Jeremias 38:17-23 Explicação

Em Jeremias 28:17, Jeremias transmite uma mensagem direta do SENHOR ao rei Zedequias, que reinou em Judá de aproximadamente 597 a.C. a 586 a.C.: "Então Jeremias disse a Zedequias: 'Assim diz o SENHOR Deus dos Exércitos, o Deus de Israel: Se você se render aos oficiais do rei da Babilônia, viverá; esta cidade não será queimada, e você e a sua família sobreviverão'" (v. 17). Este aviso oferece um caminho para preservar não apenas a vida do rei, mas também a cidade de Jerusalém. A cidade, um local central no antigo Israel, enfrentava uma ameaça iminente da Babilônia, um império localizado na Mesopotâmia, às margens do rio Eufrates, sob a liderança do rei Nabucodonosor (605-562 a.C.). Ao instruir Zedequias a se render, o SENHOR promete uma maneira de evitar a destruição em larga escala e poupar o futuro daqueles que pertenciam à casa do rei.

As palavras de Jeremias ressaltam a importância de confiar na direção de Deus mesmo em meio a uma grave crise política. Submeter-se aos oficiais babilônicos seria um passo inesperado para um monarca, mas está em consonância com o plano abrangente de Deus para o Seu povo. Ao exortar à obediência às instruções divinas, Jeremias demonstra que a rendição imediata no presente pode levar à preservação a longo prazo, um princípio que se repete em outras passagens onde a obediência traz redenção (2 Reis 24-25).

Aqui, Jeremias expõe as terríveis consequências de desobedecer à advertência de Deus: " Mas, se você não se apresentar aos oficiais do rei da Babilônia, esta cidade será entregue nas mãos dos caldeus; eles a queimarão, e você não escapará das mãos deles" (v. 18). Os caldeus, outro termo usado para os babilônios, servem como instrumentos para executar o julgamento divino sobre governantes e nações desobedientes. O triste resultado de uma cidade incendiada e a impossibilidade de escapar do cativeiro ressaltam a gravidade de rejeitar o que Deus ordenou.

Jeremias 38:18 mostra a justiça de Deus entrelaçada com a Sua misericórdia. Embora haja um caminho claro para a sobrevivência, ignorar a direção do Senhor leva à destruição. O papel de Jeremias como profeta revela um tema bíblico recorrente: a calamidade frequentemente se segue à recusa persistente em submeter-se à orientação de Deus (2 Crônicas 36:15-16). Apesar da imagem sombria, o convite subjacente permanece: a obediência ainda é possível e a libertação está ao alcance.

Zedequias expressa um profundo temor pessoal, preocupado com a possibilidade de desertores de Judá se vingarem dele caso se rendesse: "Então o rei Zedequias disse a Jeremias: 'Tenho medo dos judeus que se juntaram aos caldeus, pois eles podem me entregar em suas mãos e me maltratar'" (v. 19). Ele prevê humilhação e tormento, evidenciando a ansiedade de um monarca em meio a alianças políticas instáveis e à poderosa sombra da Babilônia.

Este momento destaca as complexidades da liderança nos últimos dias da monarquia de Judá. O medo de Zedequias é parte da razão pela qual ele resiste ao conselho de Jeremias. Em vez de confiar na promessa profética, ele permanece preso a cálculos humanos e à influência daqueles que já fugiram ou se renderam. Historicamente, essas tensões contribuíram para a queda de Judá, à medida que o rei oscilava entre o medo humano e a fé nas diretrizes de Deus (2 Reis 25:1-7). No fim, ele teria que escolher entre a angústia da dúvida e a promessa de libertação.

No versículo 20, Jeremias, firme em seu chamado profético, assegura a Zedequias que seus temores não se concretizarão se ele obedecer à palavra de Deus: "Mas Jeremias disse: 'Eles não te entregarão. Por favor, obedeça ao Senhor no que eu te digo, para que tudo te corra bem e vivas'" (v. 20). O profeta reitera a necessidade de submissão como o único caminho para a segurança. Ele afasta as ansiedades do rei, direcionando-o, em vez disso, à obediência de todo o coração.

Aqui, a compaixão de Jeremias se une ao propósito divino. Ele profere palavras destinadas a salvar, não a condenar. Ecoando temas recorrentes nas Escrituras, a obediência a Deus produz vida, enquanto a resistência pavimenta o caminho da ruína (Deuteronômio 30:19-20). O apelo de Jeremias demonstra seu desejo de que o rei seja poupado, refletindo o convite constante de Deus para que líderes e indivíduos sigam Sua orientação e prosperem.

Neste ponto, Jeremias passa de oferecer esperança a proferir uma severa advertência: " Mas, se você continuar se recusando a sair, esta é a palavra que o Senhor me revelou" (v. 21). Jeremias está se preparando para dar uma dura palavra a Zedequias contra sua possível desobediência. A linguagem indica que Jeremias não está falando por preconceito pessoal; ele recebeu uma revelação inequívoca de Deus.

Esta declaração condicional reafirma a disposição do SENHOR em dar avisos antecipadamente. Repetidamente, os profetas bíblicos apresentam escolhas aos seus ouvintes, detalhando claramente as bênçãos para a obediência e as maldições para a rebeldia. Os repetidos mandamentos de Jeremias revelam a fidelidade de Deus em fazer conhecer a Sua vontade muito antes que o julgamento se torne inevitável (Amós 3:7).

Jeremias 38:22 inicia a descrição do que Deus reservou para o rei e seu povo caso não obedecessem: " Então, eis que todas as mulheres que restaram no palácio do rei de Judá serão levadas aos oficiais do rei da Babilônia; e essas mulheres dirão: 'Seus amigos íntimos o enganaram e o dominaram; enquanto seus pés estavam atolados na lama, eles voltaram atrás'" (v. 22). Jeremias intensifica a visão do que está por vir se Zedequias permanecer obstinado. Ele prevê um fim humilhante, onde até mesmo a casa do rei - suas esposas e as mulheres que serviam no palácio - serão levadas. O lamento delas destaca como os conselheiros de confiança de Zedequias o traíram e o deixaram à deriva como alguém atolado na lama.

Esta cena retrata a dor do colapso de uma nação. Mostra as consequências diretas da recusa de um líder em acatar a sabedoria divina. Inspirando-se na imagem anterior de Jeremias, onde o próprio profeta estava atolado na lama ( Jeremias 38:6), este versículo profetiza que a recusa de Zedequias em ouvir o deixa, a ele e aos que o cercam, em perigo. Apesar da tragédia presente nesses versículos, a Bíblia constantemente convida os leitores a compreenderem a verdade subjacente: a submissão à orientação do Senhor teria poupado muitos da calamidade.

O retrato sombrio conclui em Jeremias 28:23, enfatizando a captura pessoal do rei e a destruição da cidade: "Eles também trarão todas as tuas mulheres e os teus filhos para os caldeus, e tu mesmo não escaparás das mãos deles, mas serás preso pela mão do rei da Babilônia, e esta cidade será queimada" (v. 23). O veredicto aqui mostra como a desobediência de um único líder afeta não apenas a si mesmo, mas também toda a sua cidade. Os babilônios destruirão Jerusalém, cumprindo ainda mais o que os profetas haviam predito caso não houvesse arrependimento e submissão.

Ao especificar a captura do rei, Jeremias deixa claro que nenhum status real pode servir de escudo contra as consequências declaradas por Deus. A cidade de Jerusalém, significativa em toda a Escritura como centro de adoração e sede dos reis davídicos, está à beira da ruína catastrófica. Contudo, a esperança contida nesses versículos reside na escolha que Deus ofereceu: Zedequias poderia ter alterado seu destino confiando no Senhor. A mesma mensagem de escolher a vida e obedecer à direção divina ressoa no Novo Testamento, onde Jesus convida as pessoas a segui-lo para a salvação (João 14:6).

Jeremias 38:17-23 comunica, em última análise, o forte contraste entre confiar na sabedoria humana e depositar fé na instrução de Deus. Quando os planos terrenos entram em conflito com os decretos divinos, a verdadeira segurança vem da submissão à vontade de Deus, e não do apego a medos pessoais ou ao poder mundano.

 

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