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Jeremias 47:1-7 Explicação

Ao iniciar o capítulo 47, Jeremias aponta para uma mensagem iminente de julgamento que recairia sobre os filisteus, um povo que habitava a planície costeira a sudoeste de Israel: "Aquilo que veio como palavra do Senhor ao profeta Jeremias acerca dos filisteus, antes de Faraó conquistar Gaza" (v. 1). Essa região, incluindo a cidade de Gaza, era de importância estratégica devido à sua proximidade com importantes rotas comerciais, tornando-se um ponto constante de disputa entre os impérios. Ao afirmar que a palavra de Deus chegou antes da conquista de Faraó, Jeremias estabelece um período próximo ao final do século VII a.C., sugerindo um momento crítico na história, quando o Egito buscava expandir seu poder no Levante. Essas palavras também destacam o papel de Jeremias como profeta chamado por Deus por volta de 627 a.C., entregando fielmente advertências a nações, inclusive além de Judá.

Ao se referir a uma era em que forças estrangeiras inevitavelmente invadiriam Gaza, Jeremias 47:1 destaca o confronto entre os planos humanos e os pronunciamentos divinos. O propósito de Jeremias é enfatizar que as mudanças políticas, como a agressão do Faraó, são, em última análise, guiadas pela mão soberana de Deus. As pessoas que ouviam essas palavras na época de Jeremias reconheceriam a ameaça iminente, aumentando o peso de sua profecia.

A advertência se intensifica quando Jeremias declara: "Assim diz o Senhor: 'Eis que águas subirão do norte e se tornarão um torrente transbordante, e inundarão a terra e tudo o que nela há, a cidade e os seus habitantes; e os homens clamarão, e todos os moradores da terra se lamentarão'" (v. 2). Essa imagem vívida das águas subindo do norte (v. 2) faz referência à aproximação de um exército formidável que varreria o território filisteu sem piedade. As cidades enfrentariam a ruína, e o povo lamentaria sua impotência para impedir o ataque. Historicamente, esses invasores do norte provavelmente incluíam forças babilônicas sob o comando do rei Nabucodonosor (reinado de 605 a 562 a.C.), que expandiram seu domínio por toda aquela região.

Vivendo perto da costa do Mediterrâneo, os filisteus dependiam muito do comércio e das alianças. Contudo, mesmo esses laços se dissipariam com a força do julgamento divino. A metáfora do dilúvio transmite a inevitabilidade: assim como ninguém pode deter uma torrente gigantesca, os filisteus também se viram incapazes de impedir a calamidade iminente.

Jeremias continua, descrevendo o terror da batalha: " Por causa do ruído dos cascos galopantes dos seus cavalos, do tumulto dos seus carros e do estrondo das suas rodas, os pais não voltaram para buscar seus filhos, por causa da fraqueza das suas mãos" (v. 3). Nessa cena de caos, carros de guerra — ferramentas essenciais da guerra antiga — trovejam em direção aos portões da cidade, e guerreiros outrora orgulhosos congelam, dominados pelo medo. A frase sobre pais abandonando seus filhos oferece uma imagem do pânico absoluto que se apodera de todos os habitantes, sublinhando a severidade e a rapidez do julgamento.

Jeremias 47:3 não apenas pinta uma imagem assombrosa de guerra, mas também uma dura realidade espiritual: quando o julgamento declarado pelo SENHOR chegar, até os homens mais valentes perderão a vontade de lutar. Os ouvintes de Jeremias são levados a perceber que nenhum laço humano ou sacrifício pode deter a devastação, revelando quão profundamente isso cumpre a profecia de Deus.

Em seguida, ele fala sobre a razão por trás desse terror: " Por causa do dia que virá para destruir todos os filisteus, para cortar de Tiro e Sidom todo o aliado que ainda resta; porque o Senhor vai destruir os filisteus, o restante da costa de Caftor" (v. 4). Tiro e Sidom, importantes cidades portuárias ao norte da Filístia, eram conhecidas por seu comércio marítimo e alianças. Jeremias anuncia que nem mesmo esses vizinhos ofereceriam qualquer proteção aos filisteus. Historicamente, Tiro e Sidom ficavam no atual Líbano, encruzilhadas vitais para o comércio no Mediterrâneo oriental. Nesta profecia, sua capacidade de oferecer ajuda é anulada, pois o decreto de Deus transcende alianças.

A referência à costa de Caftor provavelmente indica as origens antigas dos filisteus, remontando às conexões com os povos de Creta, na região do Egeu. Aqui, Jeremias lembra ao público que o plano de Deus remonta às raízes mais antigas dos filisteus, e nada em sua herança poderia protegê-los do que Deus havia dito.

Uma tristeza profunda toma conta da terra quando Jeremias declara: " A calvície chegou a Gaza; Ascalom foi destruída. Ó remanescente do seu vale, até quando vocês continuarão a se autoflagelar?" (v. 5). A menção da calvície frequentemente simboliza o luto no antigo Oriente Próximo, onde as pessoas raspavam a cabeça em sinal de pesar. Gaza, um centro urbano vibrante, torna-se agora um lugar de desolação. Ascalom, outra cidade costeira ao norte, sofre um destino semelhante como parte do julgamento que se desenrola.

Ao chamá-los de "remanescente do seu vale" (v. 5), Jeremias aponta para a outrora fértil planície que sustentava a vida filisteia, agora reduzida à angústia e a expressões rituais de pesar. A pergunta repetida — "até quando?" — captura o desespero de uma comunidade que percebe não poder escapar às consequências de seus atos nem ao tempo do decreto divino.

Esta dolorosa profecia se transforma em uma súplica: " Ah, espada do Senhor! Até quando não te aquietarás? Recolhe-te na bainha; descansa e permanece quieta" (v. 6). Jeremias personifica o instrumento do julgamento divino como uma espada empunhada por Deus, implorando por um alívio da devastação implacável. A empatia do profeta emerge aqui, revelando que, mesmo ao comunicar o julgamento, ele ainda ecoa o desejo do povo por alívio.

A questão expõe a tensão entre sentir compaixão pelos aflitos e reconhecer que a espada é uma extensão do propósito justo de Deus. Embora pareça duro, Jeremias não expressa nenhuma queixa contra a soberania divina; em vez disso, apresenta a realidade de que o lugar de repouso da espada é escolhido somente pelo SENHOR.

O versículo final explica o avanço incessante da espada: " Como pode ela ficar quieta, se o Senhor lhe deu ordem? Contra Ascalom e contra o litoral — ali ele a designou" (v. 7). Ascalom, situada em meio a importantes rotas comerciais e terras férteis, é escolhida para o julgamento. Toda a região costeira dos filisteus era estrategicamente importante, mas também se tornou palco para o desenrolar do plano de Deus.

Este desfecho afirma a certeza da direção divina. Assim como a lâmina de um guerreiro não descansa até que a ordem seja cumprida, o destino de Ascalom e seus vizinhos não pode ser evitado. O público de Jeremias entenderia que a natureza imparável deste julgamento refletia, em última análise, a autoridade do SENHOR, uma autoridade que transcende todas as alianças e poderes humanos.

 

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