
Jeremias 49:28-33 continua as profecias de destruição sobre os inimigos do povo de Deus, com a Sua palavra contra Quedar e Hazor. Jeremias 46 iniciou essas profecias, começando com a declaração de julgamento de Deus sobre Faraó e todo o Egito. As profecias de julgamento terminam em Jeremias 51 com a Babilônia, pouco antes do último capítulo do livro, que descreve a queda de Jerusalém.
Em Jeremias 49:28, o profeta Jeremias profere a primeira de várias declarações divinas contra essas tribos nômades: "A respeito de Quedar e dos reinos de Hazor, que Nabucodonosor, rei da Babilônia, derrotou. Assim diz o Senhor: 'Levantai-vos, subi a Quedar e devastai os homens do oriente'" (v. 28). Quedar era um grupo de povos árabes descendentes de Ismael, conhecidos por seus rebanhos, tendas e capacidade de prosperar em regiões desérticas. Este versículo destaca sua vulnerabilidade diante do poder de Nabucodonosor, rei da Babilônia, que reinou de cerca de 605 a.C. a 562 a.C. e expandiu seu império amplamente pelo Oriente Próximo.
O versículo 28, assim como suas palavras anteriores de julgamento, demonstra a soberania do SENHOR até mesmo sobre a nação estrangeira da Babilônia (Jeremias 46:26). Ele convoca as forças babilônicas, um povo incrédulo, a se levantarem e avançarem contra Quedar. Ao incluir a instrução de "devastar os homens do oriente" (v. 28), o texto implica que, não importa quão seguro ou distante um povo possa se sentir, ele ainda é responsável perante o plano abrangente de justiça de Deus. A declaração inicial estabelece o fundamento para os versículos seguintes, que detalham as consequências de ignorar as advertências divinas e resistir à Sua vontade.
Historicamente, o território de Quedar provavelmente se situava no norte do Deserto da Arábia, a sudeste de Judá. Seu estilo de vida nômade e suas relações comerciais permitiram que prosperassem por um tempo, mas sua negligência em acatar as advertências de Deus os deixou vulneráveis à punição. A menção de Nabucodonosor pelo nome situa essa declaração no início do século VI a.C., vinculando esses eventos a um período específico de domínio babilônico.
Jeremias 49:29 revela detalhes mais pessoais da destruição iminente: " Levarão embora as suas tendas e os seus rebanhos; levarão para si as cortinas das suas tendas, todos os seus bens e os seus camelos, e gritarão uns para os outros: 'Terror por todos os lados!'" (v. 29). As comunidades nômades de Quedar dependiam de tendas, rebanhos e camelos para o seu sustento e sobrevivência. A remoção desses recursos fundamentais representa um golpe direto em seu modo de vida.
Este versículo retrata vividamente o caos e a vulnerabilidade daqueles que veem todos os seus bens serem rapidamente tomados. Também pinta um quadro de pânico iminente, enquanto o povo grita " Terror por todos os lados!" (v. 29), lembrando o provérbio contra os ímpios que enfrentam calamidades repentinas por causa de sua maldade (Provérbios 6:12-15). Seus bens essenciais e animais — símbolos centrais de sua prosperidade — serão confiscados pelos invasores.
Ao ilustrar essa conquista rápida e completa, o texto demonstra a seriedade dos juízos de Deus. O SENHOR usa Nabucodonosor, um líder estrangeiro que ascendeu ao poder por volta da virada do século VI a.C., para cumprir o Seu propósito. Isso serve como um lembrete de que os eventos do mundo antigo foram moldados por Deus, mesmo quando ocorreram por meio de poderosos governantes terrenos.
O versículo 30 de Jeremias exorta o povo a buscar refúgio: "Fujam, corram! Habitem nas profundezas, ó habitantes de Hazor", declara o Senhor; "pois Nabucodonosor, rei da Babilônia, tramou contra vocês e arquitetou um plano contra vocês" (v. 30). Hazor aqui se refere a outro assentamento árabe, possivelmente associado a fortalezas remotas no deserto. Esse chamado à fuga indica que a ameaça iminente se tornou inevitável.
Isaías e Jeremias predizem como o julgamento de Deus pode vir rapidamente, e como as pessoas muitas vezes precisam recorrer a lugares remotos ou escondidos na tentativa de escapar (compare com Israel buscando refúgio em tempos de crise). Aqui, o SENHOR expõe o plano de Nabucodonosor, enfatizando que nenhum conselho ou astúcia humana pode, em última análise, se opor à direção de Deus.
O apelo para "fugir" sugere que a única esperança de Hazor é refugiar-se em áreas desoladas — "as profundezas" — onde poderiam evitar o pior do ataque babilônico. Contudo, como os versículos subsequentes demonstram, nem mesmo o isolamento no deserto pode protegê-los completamente do decreto divino, uma vez que este tenha sido posto em prática.
“Levantai-vos, atacai uma nação que vive em paz, que habita em segurança”, declara o Senhor. “Não tem portas nem trancas; vive isolada.” (v. 31) retrata um povo que se sente seguro em seu isolamento e estilo de vida. Como Hazor e as comunidades vizinhas não possuem cidades fortificadas (“sem portas nem trancas”), presumem que sua segurança reside no isolamento do deserto.
O SENHOR, porém, enxerga além da lógica humana. O que parece seguro na superfície pode se revelar vulnerável quando confrontado com o julgamento divino. Numerosas passagens do Antigo Testamento destacam como aqueles que se consideram invencíveis frequentemente enfrentam um dia de acerto de contas (como Edom nas profecias de Obadias). Aqui, a complacência de Hazor é especificamente apontada como uma razão para sua queda.
Este versículo serve como um alerta para todos aqueles que depositam sua confiança unicamente em seu entorno ou em seus recursos. Ele lembra aos leitores que a verdadeira segurança é encontrada somente em confiar na proteção do SENHOR e andar em obediência aos Seus caminhos.
“Seus camelos se tornarão despojo, e seus numerosos rebanhos, butim; espalharei a todos os ventos aqueles que cortam as pontas dos seus cabelos; e trarei a sua ruína de todos os lados”, declara o Senhor. (v. 32) corresponde diretamente às advertências anteriores sobre a apreensão de rebanhos, camelos e bens. A retirada dos principais meios de subsistência perturba toda a vida econômica dessas tribos.
Em muitas culturas árabes, os camelos simbolizavam riqueza e uma fonte estável de comércio e sustento. Aqui, o SENHOR promete transformar esse símbolo de prosperidade em pilhagem para os invasores. Aqueles que praticavam costumes distintivos, como "cortar as pontas do cabelo", também são dispersos, ressaltando que nenhuma identidade cultural oferece proteção contra o julgamento de Deus, uma vez pronunciado.
A frase "Trarei a ruína para eles por todos os lados" (v. 32) ressalta a totalidade do castigo vindouro. Enfatiza que, uma vez liberado o julgamento de Deus, as defesas mundanas ruirão sem qualquer escapatória. Como muitas passagens dos profetas, este versículo lembra aos crentes que ignorar a correção de Deus leva a consequências severas, mas voltar-se para Ele em arrependimento abre o caminho da restauração.
“Hazor se tornará um covil de chacais, uma desolação para sempre; ninguém viverá ali, nem filho de homem habitará nela.” (v. 33) conclui esta seção com um retrato sombrio do estado final da terra. Um lugar outrora habitado por rebanhos e recursos estratégicos ficará deserto, entregue a criaturas selvagens como chacais. A imagem da desolação sugere um castigo irreversível sobre Hazor e, por extensão, sobre as nações vizinhas.
No Antigo Testamento, as referências a um lugar que se torna um refúgio para chacais implicam um abandono total (veja as descrições de áreas desoladas em Isaías). O deserto silencioso e solitário contrasta fortemente com a região outrora movimentada e próspera. Isso serve tanto como um aviso para as tribos vizinhas quanto como um testemunho do cumprimento da palavra de Deus.
Juntamente com os versículos anteriores, esta declaração final destaca que a rebelião contra o SENHOR leva à ruína. Assim como o império de Nabucodonosor ascendeu por um tempo para disciplinar diversos povos, também chegou o tempo em que até mesmo a Babilônia enfrentou o seu próprio dia de julgamento. Todas as nações são iguais perante o governo justo do SENHOR.
Usado com permissão de TheBibleSays.com.
Você pode acessar o artigo original aqui.
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