
Em meio às instruções para guiar e moldar a nação de Israel, lemos: "Então o Senhor falou a Moisés, dizendo" (v. 1). Esta declaração direta ressalta a autoridade divina por trás de tudo o que se segue, destacando Deus como Aquele que não apenas libertou os israelitas da opressão do Faraó, mas também estabeleceu sua estrutura espiritual, moral e social. A frase lembra aos leitores que cada palavra de instrução em Levítico visa transformar Israel em uma comunidade que reflita a santidade do próprio Deus. Assim como passagens bíblicas posteriores que afirmam a soberania e o poder criador de Deus (João 1:3), este versículo mostra que Ele é o Legislador supremo que deseja que o Seu povo obedeça à Sua voz.
A menção a Moisés aqui situa a passagem historicamente por volta de meados do segundo milênio a.C., especificamente durante a peregrinação de Israel pelo deserto, frequentemente datada entre 1446 e 1406 a.C. Moisés serve como mediador da aliança de Deus e líder escolhido para guiar os israelitas. Ele ocupa um lugar crucial na história de Israel: tendo sido chamado por Deus no Monte Sinai (tradicionalmente identificado na parte sudoeste da Península do Sinai), Moisés recebeu a lei que estabeleceria a identidade religiosa de Israel. Este breve versículo afirma como Deus comunicava regularmente Seus estatutos por meio de Moisés, para que o povo pudesse compreender, obedecer e viver de maneira condizente com o povo de um Deus santo.
Embora o versículo em si seja breve, ele anuncia as sérias normas morais e éticas que se seguem no restante do capítulo, demonstrando como a intenção de Deus é que o Seu povo se destaque das nações vizinhas. Ao obedecerem às Suas diretrizes divinas, eles cultivariam uma cultura marcada pela dignidade, justiça e reverência ao Senhor. Por meio de Moisés — falando em nome de Deus — este versículo introduz os importantes mandamentos destinados a moldar Israel em um reino de sacerdotes e uma nação santa (ver Êxodo 19:6).
Deus então emite uma severa advertência por meio de Moisés, declarando: " Qualquer homem dentre os filhos de Israel ou dentre os estrangeiros que peregrinam em Israel, que oferecer algum de seus filhos a Moloque, certamente será morto; o povo da terra o apedrejará" (v. 2). Aqui vemos a profunda gravidade de adorar ou sacrificar crianças a um falso deus chamado Moloque, cujo culto era conhecido até mesmo entre outras nações do antigo Oriente Próximo. Ao mencionar especificamente tanto os israelitas quanto os estrangeiros que viviam entre eles, o Senhor ressalta que ninguém está isento dos padrões morais que Ele estabelece, enfatizando que a idolatria e a profanação de vidas inocentes têm consequências severas.
A passagem se intensifica no versículo seguinte: "Voltarei o meu rosto contra esse homem e o eliminarei do meio do seu povo, porque ofereceu alguns dos seus descendentes a Moloque, profanando assim o meu santuário e o meu santo nome" (v. 3). A linguagem de voltar o rosto de Deus contra uma pessoa comunica uma oposição direta do próprio Senhor. A adoração a Moloque envenenaria a comunhão de Israel com Deus e contaminaria a santidade do Seu tabernáculo. Ao oferecer crianças a uma divindade pagã, a comunidade da aliança foi manchada com o sangue de inocentes, um ato totalmente oposto à santidade e à adoração centrada na vida que Deus planejou para o Seu povo.
Deus também aborda a cumplicidade nesses atos: "Se, porém, o povo da terra desprezar aquele homem, quando ele oferecer algum dos seus filhos a Moloque, para não o matar" (v. 4), então eu mesmo voltarei o meu rosto contra aquele homem e contra a sua família, e o exterminarei do meio do seu povo, tanto ele como todos os que se prostituírem depois dele, prostituindo-se depois de Moloque (v. 5). Aqui, Deus adverte que aqueles que fecham os olhos ao pecado tornam-se cúmplices dele. Se a comunidade se recusar a agir com justiça, o próprio Deus intervirá e trará castigo sobre todos os que toleram a idolatria e a desobediência. Esse princípio encontra eco no Novo Testamento, onde Cristo ensina que levar outros ao pecado é uma ofensa grave (ver Marcos 9:42).
Levítico 20:1-5 se passa durante o período em que os israelitas, liderados por Moisés, estavam sendo formados como um povo distinto, separado para a santidade de Deus. Ao denunciar a adoração a Moloque em termos tão severos, Deus preserva a santidade do Seu nome e o bem-estar do Seu povo na terra que iriam habitar, enquanto os preparava para refletir o Seu caráter perante todas as nações.
Usado com permissão de TheBibleSays.com.
Você pode acessar o artigo original aqui.
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