
No Salmo 68:7-10, ao refletirmos em: Ó Deus, ao partires à frente do teu povo, ao marchares pelo deserto, (Selá) (v. 7), vemos uma vívida lembrança da orientação ativa de Deus. Este versículo evoca o Senhor conduzindo o seu povo por lugares desolados, recordando o Êxodo de cerca de 1446 a.C., quando os israelitas seguiram a Deus para fora do Egito. Naquela época, a presença orientadora de Deus era visivelmente demonstrada por uma nuvem durante o dia e fogo durante a noite, mostrando a sua liderança tanto em assuntos físicos quanto espirituais (1 Coríntios 10:1-4).
Este versículo também aponta para a disposição de Deus em se envolver intimamente na jornada do Seu povo, em vez de permanecer distante. O termo marchares implica um movimento intencional e vigoroso, indicando que Deus estava lutando em favor deles. Através de terrenos difíceis e ambientes hostis, Ele não apenas os orientou de longe, mas caminhou à frente, demonstrando cuidado e compromisso.
Além disso, a jornada pelo deserto moldou a identidade de Israel. O envolvimento direto de Deus em guiar Sua nação forjou uma relação de aliança. Para os leitores de hoje, essa mesma relação se reflete na maneira como Cristo guia os crentes, oferecendo redenção e direção. Até mesmo o livro de Selá convida a uma pausa para meditar sobre como a direção soberana de Deus moldou, e continua a moldar, os fiéis.
Continuando com tremeu a terra, gotejaram também os céus à presença de Deus; sim, o Sinai tremeu à presença de Deus, do Deus de Israel (v. 8), vemos o intenso poder do Senhor manifestado na natureza. O Monte Sinai está localizado na região hoje frequentemente associada à Península do Sinai, situada no nordeste do Egito. Foi ali, segundo a tradição, que Moisés recebeu a lei (por volta de 1446-1406 a.C.), demonstrando a aliança entre Deus e Israel.
O tremor da terra transmite a profunda santidade da presença de Deus, revelando que a própria criação responde ao Criador. A chuva torna-se um sinal literal e metafórico de bênção e crescimento. Em muitos relatos bíblicos, a presença de Deus é acompanhada por fenômenos naturais extraordinários, ressaltando Sua soberania sobre todo o cosmos.
Ao chamá-lo de Deus de Israel, o salmo enfatiza o compromisso fiel de Deus com a nação escolhida por Ele. Da mesma forma, esse poder inabalável se estende aos crentes de hoje, que podem confiar em Sua capacidade de trazer renovação mesmo em condições desoladas ou aparentemente sem esperança, lembrando-nos da autoridade de Cristo sobre as tempestades e a criação (Marcos 4:39).
Quando o salmista diz: Copiosa chuva mandaste, ó Deus, tu confirmaste a tua herança, quando ela estava cansada (v. 9), a imagem se desloca para o cuidado compassivo de Deus. A chuva abundante simboliza as bênçãos abundantes de Deus, revitalizando uma terra seca e sedenta, uma representação de como Ele restaura e revitaliza tanto a nação de Israel quanto todos os que confiam Nele. Isso nos lembra que, quando a seca espiritual ou física parece insuportável, a provisão de Deus é mais do que suficiente.
A herança aqui reflete a Terra Prometida, prometida a Abraão muitos séculos antes (por volta de 2000 a.C.), transmitida através de Isaque e Jacó. Este versículo proclama que Deus confirmou o que prometeu, garantindo estabilidade e prosperidade. Por sua vez, isso se relaciona com a compreensão do Novo Testamento de que os crentes também participam de uma herança que é mantida e confirmada por Deus (1 Pedro 1:4), demonstrando que Ele completa o que começa.
Além disso, este versículo enfatiza que o cuidado de Deus não é um consolo passageiro, mas uma presença constante. Mesmo quando as circunstâncias fazem parecer que tudo está perdido, o Senhor sela Suas promessas com evidências tangíveis de Sua bondade, convidando Seu povo a confiar que Sua palavra jamais falhará.
Finalmente, Ali, a tua grei fixou residência; da tua bondade, ó Deus, fizeste provisão para os aflitos (v. 10). Isso reflete o resultado da generosidade de Deus, destacando que tanto a terra quanto o seu povo prosperam sob o Seu olhar atento. Ao conceder um lugar para se estabelecerem, Deus estabelece segurança e um legado. Ele faz isso não apenas para os poderosos ou a elite, mas também cuida daqueles que têm pouco, demonstrando profunda compaixão pelos mais vulneráveis.
A menção aos pobres demonstra o amor do Senhor pela justiça social e pelo bem-estar da comunidade. Sua provisão exemplifica o princípio de que, dentro dos planos da Sua aliança, ninguém é esquecido. Esse atributo de cuidado se conecta ao ministério de Jesus, onde Ele proclamou as boas novas aos pobres (Lucas 4:18), dando continuidade à mesma compaixão divina que se manifestou ao longo da história.
Dessa forma, cada aspecto da provisão de Deus visa refletir o Seu caráter: fiel, generoso e intencional. As bênçãos derramadas não são apenas para ganho pessoal, mas para o benefício de toda a comunidade, convidando a todos a reconhecer e adorar o seu Provedor.
Usado com permissão de TheBibleSays.com.
Você pode acessar o artigo original aqui.
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