
Masquil de Asafe introduz o Salmo 78:1-4 como uma composição reflexiva de Asafe, que serviu como um músico proeminente e compositor levita a serviço do Rei Davi por volta de 1000 a.C. O papel de Asafe o colocava nos arredores de Jerusalém, uma cidade central nas terras altas do antigo Israel, onde adoração e governo estavam intimamente ligados durante o reinado de Davi. Ao destacar o envolvimento de Asafe, esses versículos adquirem um tom de ensinamento intencional, concebido para guiar a comunidade tanto na lembrança quanto na obediência às instruções de Deus.
Considerando a posição de Asafe, este título nos prepara para uma passagem destinada a iluminar e exortar Israel. Em sua época, a vocação de Asafe não era apenas compor melodias, mas também direcionar os corações para o Deus que estabeleceu uma aliança com o seu povo. Portanto, estes versículos representam tanto uma expressão artística quanto um dever solene, instigando o público a ouvir com atenção as palavras divinamente inspiradas que apontam para a fidelidade de Deus.
Começando com Escutai, povo meu, a minha lei; inclinai os vossos ouvidos às palavras da minha boca (v. 1), Asafe se dirige diretamente à comunidade, chamando a todos para prestar atenção de maneira cuidadosa ao que é ensinado. A frase implora aos ouvintes que deixem de lado as distrações e recebam a instrução como se fosse alimento essencial. Isso apela para a relação de aliança estabelecida entre Deus e Israel — um vínculo por meio do qual o Senhor providenciou a Sua lei e esperava que o Seu povo se apoiasse nela para obter sustento.
Tal convocação nos lembra que o ensino bíblico exige não apenas um interesse casual, mas um compromisso deliberado de mente e espírito. Se Israel negligenciar ouvir o decreto de Deus, corre o risco de se desviar do caminho da justiça. Isso ecoa um tema bíblico mais amplo de que a palavra de Deus deve moldar todas as facetas da vida, um princípio ainda mais reforçado pelo ensinamento de Jesus de que aqueles que ouvem e praticam a palavra de Deus são sábios (Mateus 7:24).
Expandindo seu plano, Asafe declara: Abrirei numa parábola a minha boca, proferirei enigmas tirados dos tempos antigos (v. 2). Essa linguagem poética indica que o salmo conterá ensinamentos que podem não ser imediatamente claros, mas que visam suscitar uma reflexão mais profunda. A expressão enigmas tirados dos tempos antigos sugere verdades expressas em forma narrativa, conectando o público presente à sabedoria transmitida através das gerações.
Ao empregar parábolas e ditos antigos, Asafe transmite a ideia de que esses ensinamentos transcendem o mero conhecimento; eles servem como marcadores de identidade, lembrando as pessoas de quem são e de quem Deus é. Esse método é ecoado por toda a Escritura, onde o próprio Jesus usou parábolas para revelar realidades espirituais (Lucas 8:10). O objetivo não é o mistério pelo mistério, mas sim a motivação para se aprofundar, compreender e, por fim, agir de acordo com as verdades reveladas.
Dando continuidade ao raciocínio, Asafe faz referência à preciosa herança de Israel quando fala sobre As coisas que temos ouvido e sabido e que nossos pais nos têm contado (v. 3). Essas palavras apontam para a tradição oral por meio da qual as crenças, histórias e práticas fundamentais de Israel eram transmitidas. Essa transmissão da verdade de geração em geração ancora o povo na fidelidade de Deus e o ajuda a resistir à tentação de esquecer suas raízes espirituais.
Esta prática, tão essencial na história de Israel, permanece crucial para os crentes de todas as épocas. Sem uma narrativa fiel das obras de Deus, cada geração fica propensa à amnésia espiritual. A continuidade do testemunho garante que os grandes feitos do passado inspirem a devoção do presente, assim como Paulo instruiu Timóteo a confiar ensinamentos confiáveis a seguidores fiéis que, por sua vez, pudessem ensinar outros (2 Timóteo 2:2).
Finalmente, Asafe conclui esta seção com o compromisso: Não as ocultaremos a seus filhos, narrando às gerações vindouras os louvores de Jeová, e a sua força, e as maravilhas que ele tem obrado (v. 4). Aqui, ocultar as obras de Deus equivaleria a privar as futuras gerações da admiração e da confiança que advêm do conhecimento das intervenções do Senhor. Em vez disso, o salmista insiste que as histórias de libertação e maravilhas devem ser declaradas abertamente.
Aquilo que Deus realizou em favor de Israel — abrir mares, derrotar gigantes, estabelecer uma aliança — serve como alicerce para a esperança. Ao divulgar os poderosos atributos e triunfos de Deus, as famílias garantem que os corações mais jovens passem a confiar no mesmo Deus que abriu rios, alimentou multidões e restaurou almas perdidas. Este mandamento ressoa com a essência do discipulado observada em toda a Escritura, culminando no próprio chamado de Jesus para que seus seguidores fossem e proclamassem a verdade de Deus a todas as nações (Mateus 28:19-20).
Todas as gerações são incentivadas a se submeterem à luz dessas poderosas instruções que detalham a fidelidade de Deus, para que vejam o Seu amor da aliança, se comprometam com os Seus caminhos e transmitam a herança em uma corrente de testemunho que nunca termina. Sua identidade como povo de Deus depende dessa lembrança e proclamação contínuas.
Usado com permissão de TheBibleSays.com.
Você pode acessar o artigo original aqui.
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