KJV

KJV

Click to Change

Return to Top

Return to Top

Printer Icon

Print

Prior Book Prior Section Back to Commentaries Author Bio & Contents Next Section Next Book
Cite Print
The Blue Letter Bible
Aa

The Bible Says
1 Samuel 2:12-17 Explicação

Em 1 Samuel 2:12-17, a narrativa muda abruptamente da dedicação fiel de Ana a Samuel para o comportamento corrupto dos filhos de Eli, expondo uma profunda crise moral e espiritual no santuário central de Israel: "Ora, os filhos de Eli eram homens perversos; não conheciam o Senhor" (v. 12). "Homens perversos" traduz a expressão hebraica bēn belîyya'al, frequentemente usada para aqueles que são moralmente corruptos, rebeldes e destrutivos dentro da comunidade da aliança (Deuteronômio 13:13). Não significa que fossem insignificantes, mas que eram espiritualmente vis e eticamente corruptos. O choque do versículo 12 reside no fato de que esses homens não eram pagãos de fora; eram sacerdotes que ministravam em Siló, o santuário onde o tabernáculo e a arca da aliança estavam localizados durante o período dos Juízes, provavelmente no final do século XI a.C. Siló ficava na região montanhosa de Efraim, ao norte de Betel e a aproximadamente trinta quilômetros ao norte de Jerusalém, e funcionava como o principal local de culto de Israel antes da construção do templo em Jerusalém.

A afirmação de que eles não conheciam o SENHOR (v. 12) é especialmente significativa. As Escrituras mostram que "conhecer" o SENHOR não é meramente possuir informações sobre Ele, mas viver em um relacionamento genuíno com Ele em obediência e amor (1 João 2:3-6). Os filhos de Eli, Hofni e Fineias, certamente conheciam os rituais, as rotinas do santuário e a mecânica do sacrifício. Eles conheciam as formas externas da religião. Mas não conheciam o SENHOR em um relacionamento ou espiritualidade. Esta é uma das advertências mais claras da Bíblia: familiaridade com coisas sagradas não é o mesmo que comunhão com Deus. Jesus mais tarde fala dessa mesma tragédia quando adverte que muitos alegarão servir à religião em Seu nome, mas Ele dirá: "Nunca os conheci" (Mateus 7:23).

A linhagem sacerdotal dos filhos apenas intensifica a gravidade de sua condição. Eli servia como sacerdote e juiz sobre Israel, provavelmente por volta de 1100-1050 a.C., durante uma era espiritualmente instável, quando o refrão dos Juízes ainda pairava sobre a nação: "cada um fazia o que lhe parecia bem aos seus próprios olhos" (Juízes 21:25). Os filhos de Eli ocupavam uma posição privilegiada dentro do culto organizado de Israel, descendentes da linhagem sacerdotal de Arão e encarregados de administrar os sacrifícios oferecidos ao SENHOR. Contudo, o privilégio da aliança, quando separado da fidelidade à aliança, apenas aumenta a responsabilidade. Seu exemplo antecipa as posteriores acusações proféticas contra os pastores de Israel que se alimentavam em vez de alimentar o rebanho (Ezequiel 34:2-10) e prenuncia as repreensões de Jesus aos líderes religiosos que honravam a Deus exteriormente, enquanto seus corações estavam longe Dele (Marcos 7:6).

1 Samuel 2:13 explica então a forma prática da corrupção deles, descrevendo o costume dos sacerdotes com o povo (v. 13). Essa formulação é irônica. O que se segue não é a ordenança legítima estabelecida por Deus para os sacerdotes, mas a prática abusiva que os filhos de Eli haviam normalizado. De acordo com a Lei, os sacerdotes tinham direito a porções específicas de certos sacrifícios. Por exemplo, nas ofertas de paz, o peito e a coxa direita eram destinados ao sacerdote (Levítico 7:31-34). Deus havia providenciado o sustento do sacerdócio, visto que eles foram separados para trabalhar somente no templo. Portanto, não havia necessidade de ganância ou manipulação. O pecado deles não foi receberem as porções sacerdotais, mas se apropriarem do que Deus não lhes havia dado.

O versículo 13 continua descrevendo como, quando alguém oferecia um sacrifício, o servo do sacerdote vinha enquanto a carne fervia, com um garfo de três dentes na mão (v. 13). Essa cena provavelmente se refere às ofertas de paz, onde parte da carne era cozida e compartilhada em uma refeição sagrada. Os fiéis traziam esses sacrifícios em comunhão com Deus, expressando gratidão, votos ou paz diante Dele. Contudo, nesse ambiente sagrado, entrava o servo do sacerdote, não como um humilde ministro das coisas sagradas, mas como um agente de exploração. O garfo de três dentes (v. 13) torna-se um símbolo da ganância que se intromete na adoração. A imagem é vívida: enquanto a oferta ainda estava sendo preparada, o servo estava pronto para tomar para o sacerdote tudo o que pudesse agarrar.

1 Samuel 2:14 explica a prática mais detalhadamente: "Então ele a enfiava na panela, ou caldeirão, ou tacho, ou caçarola; tudo o que o garfo trouxesse, o sacerdote tomava para si" (v. 14). A lista de utensílios de cozinha ressalta o quão disseminado e padronizado o abuso havia se tornado. Quer a carne estivesse em uma panela rasa, um caldeirão, uma caçarola ou uma caçarola, o método era o mesmo: enfiar o garfo, pegar o que saísse e reivindicar. A redação transmite aleatoriedade movida pelo apetite, em vez de submissão à ordenança de Deus. Em vez de receberem a porção designada pela lei divina, transformaram o sistema sacrificial em um jogo de apropriação e excedente.

O narrador acrescenta: "Assim faziam em Siló com todos os israelitas que ali iam" (v. 14). Não se tratava de um incidente isolado ou de um excesso ocasional; era um padrão estabelecido que afetava toda a comunidade de fiéis. Todo israelita que ia a Siló se deparava com essa distorção do ministério sacerdotal. O santuário, que deveria ser um lugar de reverência, gratidão e comunhão da aliança, havia se tornado palco de abusos clericais. Isso explica por que, posteriormente, diz-se que o pecado levou os homens a desprezarem a oferta do Senhor (v. 17).

O abuso torna-se ainda mais grave no versículo 15: "Antes de queimarem a gordura, o servo do sacerdote vinha e dizia ao homem que estava oferecendo o sacrifício: 'Dê ao sacerdote carne para assar, pois ele não aceitará carne cozida, apenas crua'" (v. 15). Aqui, a transgressão não se resume a simplesmente pegar mais do que o permitido; trata-se de um desrespeito direto aos mandamentos explícitos de Deus a respeito da ordem sacrificial. No sistema sacrificial, a gordura pertencia exclusivamente ao SENHOR e devia ser queimada primeiro sobre o altar, como a porção mais preciosa (Levítico 3:3-5, 16). Este não era um detalhe ritual menor. A oferta da gordura simbolizava dar a Deus o melhor em primeiro lugar. Reconhecia a Sua santidade e senhorio sobre o adorador e sobre o sacrifício.

Ao exigirem carne crua antes de queimarem a gordura (v. 15), os filhos de Eli, na prática, colocaram-se acima de Deus. Queriam os melhores cortes da maneira que preferiam — crus, próprios para assar — em vez de esperarem que o processo de adoração fosse concluído conforme a instrução divina. Isso revela a verdadeira natureza do seu pecado: não era mera ganância, mas sacrilégio. Reordenaram a adoração de modo que seus apetites se sobrepusessem à honra de Deus. Nesse sentido, agiram como os pastores ímpios condenados posteriormente nas Escrituras, que se alimentam a si mesmos em vez de servirem ao SENHOR e ao Seu povo (Ezequiel 34:8). Seu comportamento também antecipa a advertência do Novo Testamento contra aqueles que tratam a piedade como meio de ganho (1 Timóteo 6:5).

A resposta do adorador no versículo 16 mostra que pelo menos alguns dos que sacrificavam no templo ainda entendiam a ordem correta do sacrifício: "Se o homem lhe dissesse: 'É preciso que queimem primeiro a gordura, e depois tomem o quanto quiserem' (v. 16)". Essa objeção é notável. Os adoradores comuns sabiam o que os sacerdotes deveriam saber e respeitar. A frase " É preciso que queimem primeiro a gordura" (v. 16) reflete o desejo de obedecer à vontade revelada de Deus. O adorador não está recusando a generosidade; na verdade, ele diz: " então tomem o quanto quiserem" (v. 16). A questão não é avareza, mas santidade. Ele reconhece que Deus deve receber o que lhe é devido antes que o homem receba a sua parte.

Contudo, a resposta do servo, em conluio com os sacerdotes, é descarada: então ele dizia: " Não, mas agora mesmo me dê; se não, tomarei à força" (v. 16). Com essa declaração, o servo exige abertamente o sacrifício, sem qualquer justificativa. A violência, ou a ameaça de violência, invade o santuário. O tom é coercitivo, impaciente e desdenhoso. O servonem sequer finge agir dentro dos limites do direito sacerdotal; ele ameaça tomar o que quer. O lugar sagrado torna-se um local de extorsão espiritual. Isso é especialmente grave porque os homens que faziam as exigências deveriam mediar o culto do povo diante de Deus, e não se aproveitar daqueles que vinham adorar.

Este uso da força revela o quão longe os filhos de Eli haviam se desviado. O pecado, quando acalentado, se intensifica. O que começa como desejo se torna direito; o direito se torna manipulação; a manipulação se torna coerção. Tiago descreve posteriormente essa progressão moral quando escreve que o desejo, uma vez concebido, dá à luz o pecado, e o pecado, quando plenamente desenvolvido, gera a morte (Tiago 1:14-15). Os sacerdotes Hofni e Fineias personificam essa progressão. Seu sacerdócio, em vez de refrear seus desejos, havia se tornado o próprio instrumento através do qual eles os satisfaziam.

A conclusão do narrador em 1 Samuel 2:17 apresenta a avaliação de Deus sobre o assunto: "Assim, o pecado daqueles jovens foi muito grande perante o Senhor, pois desprezaram a oferta do Senhor" (v. 17). A expressão " muito grande perante o Senhor" (v. 17) indica não apenas um escândalo público, mas uma ofensa ao Senhor. O próprio Deus julgou esse pecado como grave. A questão principal é então declarada claramente: os homens desprezaram a oferta do Senhor (v. 17). "Desprezar" aqui significa tratar com desprezo, considerar como algo comum ou indigno. A tragédia não reside apenas no fato de terem roubado dos sacrifícios, mas também no fato de, ao fazê-lo, demonstrarem desprezo pelo Deus a quem as ofertas pertenciam.

Essa linguagem expõe a raiz espiritual por trás de suas ações. O pecado deles não foi uma falha de etiqueta ou um erro litúrgico técnico. Foi um desprezo deliberado por Deus, expresso através do desprezo por Sua adoração. O profeta Malaquias, mais tarde, acusa os sacerdotes em termos semelhantes, dizendo que eles desprezavam o nome de Deus ao oferecerem alimentos impuros em Seu altar (Malaquias 1:6-8). Em ambos os casos, a corrupção dos líderes de culto desonrou a santidade de Deus e ensinou o povo a menosprezar as coisas sagradas. É por isso que esta passagem serve como um sério alerta para todas as gerações: quando os líderes lidam com o serviço de Deus de forma egoísta, eles ensinam outros a desprezar a própria adoração.

O contraste com o contexto circundante é intencional e impactante. Ana acaba de entregar Samuel, a quem tanto desejava, ao SENHOR em um ato de fé inabalável, rendendo seu filho para servir por toda a vida em Siló. Os filhos de Eli, por outro lado, usam sua posição em Siló para obter mais para si mesmos. Ana derrama sua alma diante do SENHOR (1 Samuel 1:15); Hofni e Fineias exploram as ofertas do SENHOR para satisfazer seus próprios desejos. Samuel, embora ainda criança, logo será descrito como ministrando diante do SENHOR (1 Samuel 2:18), enquanto esses sacerdotes adultos são descritos como não conhecendo o SENHOR (v. 12). A narrativa, portanto, estabelece dois tipos de ministério: um fundamentado na reverência e na entrega, o outro na arrogância e no desprezo.

Esse contraste também aponta para Cristo, o verdadeiro e fiel Sacerdote. Enquanto os filhos de Eli abusaram do sacrifício para benefício próprio, Jesus oferece a Si mesmo como o sacrifício perfeito em obediência ao Pai (Hebreus 9:11-14). Enquanto eles desprezaram a oferta do Senhor, Cristo cumpre e santifica tudo o que o sistema sacrificial antecipava. Enquanto eles afastaram os adoradores por meio da corrupção, Jesus acolhe os pecadores e restaura a verdadeira adoração em espírito e em verdade (João 4:23). O fracasso dos sacerdotes corruptos de Israel, portanto, cria o anseio por um sacerdócio melhor, finalmente realizado no Filho de Deus, que é santo, inocente, imaculado e separado dos pecadores (Hebreus 7:26).

Portanto, 1 Samuel 2:12-17 não é meramente um relato de má conduta sacerdotal na antiguidade. É uma exposição do que acontece quando aqueles que deveriam ser separados para Deus abusam de sua liberdade e se tornam presas dos desejos da carne. Também adverte que a posição externa não pode substituir o verdadeiro conhecimento do SENHOR, que a ganância pode profanar a Igreja e que o desprezo por Deus muitas vezes se revela no desprezo por Sua adoração. Ao mesmo tempo, ao colocar essa escuridão ao lado do ministério emergente de Samuel, a passagem assegura aos leitores que Deus não deixará Seu povo sem uma testemunha fiel. Ele julgará os pastores corruptos, preservará a verdadeira adoração e, por fim, dará Cristo, o Sacerdote perfeito que honra o Pai completamente e conduz Seu povo à adoração aceitável para sempre.

1 Samuel 2:11 Explicação ← Prior Section
1 Samuel 2:18-20 Explicação Next Section →
Rute 1:1-5 Explicação ← Prior Book
2 Samuel 7:1-7 Explicação Next Book →

Usado com permissão de TheBibleSays.com.
Você pode acessar o artigo original aqui:1 Samuel 2:12-17 Explicação

BLB Searches
Search the Bible
KJV
 [?]

Advanced Options

Other Searches

Multi-Verse Retrieval
KJV

Daily Devotionals

Blue Letter Bible offers several daily devotional readings in order to help you refocus on Christ and the Gospel of His peace and righteousness.

Daily Bible Reading Plans

Recognizing the value of consistent reflection upon the Word of God in order to refocus one's mind and heart upon Christ and His Gospel of peace, we provide several reading plans designed to cover the entire Bible in a year.

One-Year Plans

Two-Year Plan

CONTENT DISCLAIMER:

The Blue Letter Bible ministry and the BLB Institute hold to the historical, conservative Christian faith, which includes a firm belief in the inerrancy of Scripture. Since the text and audio content provided by BLB represent a range of evangelical traditions, all of the ideas and principles conveyed in the resource materials are not necessarily affirmed, in total, by this ministry.