
As circunstâncias de Jeremias permanecem desafiadoras em Jeremias 39:15, onde se lê: " A palavra do Senhor veio a Jeremias, enquanto ele estava confinado no pátio da guarda, dizendo" (v. 15). Mesmo com as limitações físicas, a comunicação de Deus com o profeta é irrestrita, demonstrando Seu alcance soberano em todas as situações. O pátio da guarda ficava em Jerusalém, provavelmente anexo à área do palácio real, o que ressalta a posição precária de Jeremias sob o olhar atento da realeza. Apesar dessas condições difíceis, o Senhor ainda fala diretamente com Seu servo, demonstrando que nenhuma barreira humana pode silenciar a revelação divina.
Jeremias 39:15 nos mostra que a prisão de Jeremias, embora opressiva, não pode impedir o avanço dos planos de Deus. A Babilônia estava prestes a consolidar o cerco a Jerusalém por volta de 586 a.C., e Jeremias vinha proclamando a mensagem do Senhor a uma audiência resistente. Mesmo durante esses tempos turbulentos, a palavra de Deus continuou a chegar, reforçando o chamado na vida de Jeremias. Por meio disso, o Senhor demonstra que a verdade e a orientação permanecem acessíveis àqueles que fielmente ouvem a Sua voz.
O exemplo de Jeremias nos lembra que a fidelidade às vezes implica dificuldades. Assim como Jesus suportou oposição (João 16:33), Jeremias também enfrentou ameaças dentro dos muros da cidade. Mesmo assim, o SENHOR escolheu esse cenário para entregar uma importante mensagem a alguém frequentemente negligenciado pela sociedade, demonstrando que Suas mensagens podem alcançar os lugares e as pessoas mais aflitas.
No versículo seguinte, Deus instrui Jeremias : " Vai e fala a Ebede—Meleque, o etíope, dizendo: 'Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Eis que trarei sobre esta cidade as minhas palavras de desgraça, e não de prosperidade; e elas se cumprirão diante de ti naquele dia'" (v. 16). Ebede — Meleque, identificado como um servo ou oficial etíope, era originário da terra historicamente conhecida como Cuxe, ao sul do Egito, na região africana, o que significa que ele era um estrangeiro na corte de Judá. O ano é próximo de 586 a.C., durante os momentos finais da defesa de Jerusalém contra a Babilônia.
Deus revela o Seu iminente julgamento sobre Jerusalém, anunciando que as calamidades sobre as quais Jeremias havia advertido se cumpririam rapidamente. Ao identificar—Se como " o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel" (v. 16), o SENHOR enfatiza a Sua suprema autoridade sobre todos os poderes celestiais e terrenos. A menção de desastre em vez de prosperidade indica o ápice da repetida desobediência de Jerusalém, e Ebede — Meleque está prestes a testemunhar o desenrolar desses eventos terríveis.
A importância de Ebede—Meleque vai além de uma mera menção à sua nacionalidade. Anteriormente, ele intercedeu por Jeremias quando o profeta foi lançado em uma cisterna ( Jeremias 38:7-13), demonstrando compaixão e reverência pelo servo de Deus. Agora, o SENHOR responde com uma mensagem pessoal, revelando Seu cuidado para com aqueles que demonstram justiça e misericórdia. A condição de estrangeiro de Ebede—Meleque destaca que a compaixão de Deus não se restringe à etnia.
A próxima promessa de Deus a Ebede — Meleque declara : “'Mas eu te livrarei naquele dia', declara o Senhor, 'e não serás entregue nas mãos dos homens a quem tens medo'” (v. 17). Essa garantia contrasta com a iminente queda da cidade. Enquanto as massas seriam subjugadas pelo exército babilônico, Ebede — Meleque receberia a proteção especial de Deus. O “dia” em questão refere—se ao momento cataclísmico da captura de Jerusalém.
Em meio ao medo e à destruição generalizados, a palavra de Deus reflete Sua preocupação pessoal com aqueles que confiam Nele. Muitos começaram a temer não apenas a ameaça da Babilônia, mas também as lutas políticas internas. Contudo, Deus promete a Ebede — Meleque a verdadeira libertação de todas as forças hostis que buscam lhe fazer mal. Isso nos dá grande esperança de que o cuidado divino se estende aos fiéis, mesmo em tempos de caos e turbulência.
Ao se dirigir aos "homens a quem temes" (v. 17), o SENHOR reconhece a ansiedade muito real de Ebede—Meleque. Não há desconsideração ou banalização dos perigos que ele enfrenta. Em vez disso, Deus os confronta diretamente, assegurando—lhe que o Seu poder supera a força de qualquer adversário. Essa reconfortante lembrança aparece por toda a Escritura, onde a confiança no SENHOR dissipa o medo avassalador (Salmo 34:4).
O SENHOR conclui com uma promessa vívida, declarando: “'' Porque eu certamente te livrarei, e não cairás pela espada; mas terás a tua própria vida como despojo, porque confiaste em mim', declara o SENHOR'” (v. 18). Esta bendita certeza transforma a vida de Ebede—Meleque num prêmio arrancado das garras da derrota. Embora Jerusalém fosse conquistada, Ebede — Meleque sairia ileso — um testemunho da intervenção e da graça divina.
A confiança é o elemento definidor neste versículo. A fidelidade anterior de Ebede—Meleque demonstrava dependência da justiça e da misericórdia de Deus, e agora o SENHOR declara que tal confiança não é em vão. Enquanto muitos depositavam sua confiança em alianças políticas ou ritos religiosos, Ebede — Meleque encontrou libertação ao depositar sua esperança na palavra do Todo—Poderoso. Essa fé aponta para os ensinamentos de Jesus sobre depender totalmente de Deus para a salvação (Mateus 6:33).
Ao poupar a vida de Ebede—Meleque, o SENHOR destaca o alcance ilimitado da Sua misericórdia, afirmando que a fé transcende as fronteiras de raça, posição social ou nacionalidade. Qualquer pessoa que deposita genuína confiança no SENHOR pode receber libertação e bênção, mesmo em circunstâncias tão calamitosas quanto a queda de Jerusalém. Essa verdade ressoa por toda a narrativa das Escrituras: aqueles que confiam em Deus encontram vida, tanto física quanto eterna.
Usado com permissão de TheBibleSays.com.
Você pode acessar o artigo original aqui.
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