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Jeremias 40:1-6 Explicação

Jeremias 40:1-6 descreve a libertação de Jeremias por Nebuzaradã, capitão da guarda pessoal da Babilônia, após a destruição de Jerusalém. Jeremias havia sido incluído por engano entre os cativos transportados para a Babilônia, e Nebuzaradã corrige esse erro. A passagem também reintroduz Gedalias, o governador nomeado pela Babilônia, sinalizando a transição para a vida de Judá sob administração provincial.

A narrativa começa explicando que a palavra que veio a Jeremias da parte do Senhor, depois que Nebuzaradã, capitão da guarda pessoal, o libertou de Ramá, onde o havia levado acorrentado entre todos os exilados de Jerusalém e Judá que estavam sendo levados para a Babilônia (v. 1). Ramá, localizada ao norte de Jerusalém, servia como ponto de encontro onde a Babilônia reunia os deportados antes de transportá—los para ( Jeremias 31:15). A presença de Jeremias ali , "acorrentado", mostra que ele havia sido levado junto com a população em geral durante a evacuação, apesar das instruções anteriores dos babilônios a respeito de sua proteção ( Jeremias 39:11-12).

Esse cativeiro equivocado revela o caos que se seguiu à queda de Jerusalém. As forças da Babilônia administravam milhares de cativos, desmantelavam a cidade e asseguravam a região. A inclusão temporária de Jeremias entre os exilados está de acordo com a descrição em Jeremias 39, mas corrige a impressão de que Jeremias foi libertado imediatamente. O fato de Deus dar a Jeremias uma nova palavra após sua libertação mostra que o ministério profético continua mesmo no ambiente radicalmente transformado da Judá pós—destruição.

Jeremias 40:1 também se conecta com padrões bíblicos mais amplos nos quais os servos de Deus experimentam dificuldades junto com seu povo, como Daniel sendo levado para a Babilônia décadas antes (Daniel 1:1-6), ou Ezequiel sendo exilado com as deportações anteriores em 597 a.C. (Ezequiel 1:1-3).

Nebuzaradã se dirige a Jeremias em Jeremias 40:2: "Ora, o capitão da guarda havia levado Jeremias e lhe disse: ' O Senhor teu Deus prometeu esta calamidade contra este lugar;'" (v. 2). É notável que um comandante militar babilônico articule a causa teológica da destruição de Judá. Nebuzaradã parece estar ciente — provavelmente por meio de comunicação prévia de seus superiores — das profecias de Jeremias e da justificativa religiosa por trás da conquista da Babilônia.

O reconhecimento estrangeiro do cumprimento da palavra de Deus de Israel é um tema recorrente nas Escrituras. Faraó reconheceu o poder de Deus durante as pragas (Êxodo 9:27), e os filisteus reconheceram a mão de Deus na derrota de Dagom (1 Samuel 5:7). Aqui, a declaração de Nebuzaradã enfatiza o alcance mundial da soberania de Deus: até mesmo oficiais militares estrangeiros podem interpretar corretamente a queda de Israel como um julgamento divino, e não como uma demonstração da superioridade babilônica.

Esse reconhecimento também valida as advertências proféticas de Jeremias, feitas ao longo de décadas. O que Judá rejeitou, um comandante babilônico agora afirma.

Nebuzaradã continua afirmando: "e o SENHOR a trouxe e fez exatamente como prometeu. Porque vocês pecaram contra o SENHOR e não deram ouvidos à sua voz, por isso isso aconteceu com vocês" (v. 3). Essa explicação coincide com a mensagem de Jeremias ao longo do livro: a catástrofe não foi iniciada pela agressão da Babilônia, mas pela persistente violação da aliança por Judá ( Jeremias 7:13-15; 11:7-11; 25:4-9).

A clareza da explicação de Nebuzaradã demonstra o quão profundamente ele compreendia a narrativa teológica. Os reis da Babilônia frequentemente incorporavam as religiões dos povos conquistados em sua visão de mundo, e o próprio Nabucodonosor reconheceu a autoridade de Deus em diversos momentos (Daniel 2:47; 4:34-35). A declaração do capitão aqui é teologicamente precisa: Deus cumpriu Suas advertências porque Judá se recusou a "ouvir a Sua voz" (v. 3).

Jeremias 40:3 também mostra que o julgamento divino não ocorre arbitrariamente, mas de acordo com a lei da aliança, cumprindo Deuteronômio 28:15-68.

Nebuzaradã então informa Jeremias : "Mas agora, eis que hoje te liberto das correntes que te prendem. Se preferires vir comigo para a Babilônia, vem, e eu cuidarei de ti; mas, se preferires não vir comigo para a Babilônia, não importa. Eis que toda a terra está diante de ti; vai para onde te parecer bem e certo ir" (v. 4). A dupla opção é significativa: Ele oferece a Jeremias a escolha entre a segurança na Babilônia e a liberdade na devastada terra de Judá.

A Babilônia raramente demonstrava esse tipo de flexibilidade. Jeremias é tratado com um respeito incomum, provavelmente porque Nabucodonosor havia sido informado de que Jeremias defendia a rendição ( Jeremias 38:17-18). A Babilônia não via Jeremias como um inimigo, mas como alguém que previu com precisão a vitória da Babilônia.

Permitir que Jeremias "vá para onde lhe parecer bem" (v. 4) contrasta com as rígidas políticas de deportação dos versículos anteriores ( Jeremias 39:9). Isso demonstra que a integridade profética de Jeremias lhe conferia um nível de autonomia não concedido à população em geral.

Enquanto Jeremias hesita, a narrativa continua: Como Jeremias ainda não queria voltar, disse: “Volta, pois, para Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã, a quem o rei da Babilônia nomeou governador das cidades de Judá, e fica com ele entre o povo; ou então vai para onde te parecer melhor”. Então o capitão da guarda lhe deu provisões e um presente e o deixou ir” (v. 5). A referência a Jeremias “não querer voltar” indica que ele estava indeciso sobre onde se estabelecer.

Nebuzaradan o encoraja a se juntar a Gedaliah, o governador recém— nomeado. A origem familiar de Gedaliah é importante:

  • Seu pai, Aicão, defendeu Jeremias durante o julgamento anterior, conforme descrito em Jeremias 26:24.

  • Seu avô Safã ajudou a iniciar a reforma sob o reinado de Josias (2 Reis 22:3-14).

    Gedalias, portanto, fazia parte de uma linhagem pró— Jeremias e pró—reformas — alguém com probabilidade de governar com justiça e respeitar o papel de Jeremias.

    O fato de Nebuzaradã ter fornecido provisões a Jeremias ( "uma ração e um presente" (v. 5)) indica a disposição favorável do comandante para com ele. Esse nível de tratamento é incomum para um cidadão de uma nação derrotada e reflete o valor político que a Babilônia atribuía a Jeremias.

O texto conclui dizendo que, então Jeremias foi a Mispá, a Gedalias, filho de Aicão, e ficou com ele entre o povo que restava na terra (v. 6). Mispá, localizada ao norte de Jerusalém, tornou—se o centro administrativo da província babilônica de Judá, visto que Jerusalém havia sido destruída. A escolha de Jeremias de ficar com Gedalias em vez de ir para a Babilônia demonstra seu compromisso contínuo de permanecer com o remanescente, coerente com seu chamado para ministrar ao povo durante a crise ( Jeremias 1:7-10).

Ao permanecer "entre o povo que restou na terra" (v. 6), Jeremias torna—se a voz profética dos sobreviventes — aqueles pobres demais ou insignificantes demais para serem deportados ( Jeremias 39:10). Isso reflete responsabilidades proféticas anteriores, como o ministério de Ezequiel aos exilados na Babilônia e o serviço de Daniel na corte imperial. O ministério de Jeremias continua entre o remanescente, guiando—o por um novo capítulo da história de Judá.

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