
Jeremias 45 é uma breve, porém importante, mensagem pessoal de Deus para Baruque, o escriba de Jeremias. Embora esteja localizada perto do final do livro, os eventos descritos ocorrem anteriormente — durante o quarto ano do reinado do rei Jeoaquim — quando as profecias de Jeremias foram registradas pela primeira vez. Jeremias 45:1-5 revela o impacto emocional do ministério profético sobre Baruque e esclarece as expectativas de Deus para o serviço fiel durante o colapso nacional. Em vez de prometer sucesso ou ascensão, Deus oferece a preservação da vida em meio ao julgamento generalizado.
O capítulo começa situando a mensagem historicamente: Esta é a mensagem que o profeta Jeremias transmitiu a Baruque, filho de Nerias, depois de este ter escrito estas palavras num livro, sob ditado de Jeremias, no quarto ano de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá (v. 1). O quarto ano de Jeoaquim (v. 1) corresponde a 605 a.C., um momento crucial na história de Judá. Foi o ano em que a Babilônia derrotou o Egito em Carquemis ( Jeremias 46:2), estabelecendo-se como a potência dominante na região.
A tarefa de Baruque de escrever "estas palavras" refere-se ao rolo registrado em Jeremias 36, que continha as advertências de Deus sobre o julgamento de Judá e das nações vizinhas. Esse rolo foi posteriormente lido publicamente, confiscado pelo rei Jeoaquim e queimado em pedaços ( Jeremias 36:20-26). A associação de Baruque com Jeremias o colocou em oposição direta à autoridade real e o expôs a perigos, rejeição e prejuízos profissionais.
Ao ancorar essa mensagem em um momento histórico específico, o texto esclarece que o desânimo de Baruque não surgiu de dificuldades abstratas, mas em meio ao crescente perigo político e ao colapso do futuro de Judá.
Deus se dirige diretamente a Baruque: "Assim diz o Senhor, Deus de Israel, a ti, Baruque:" (v. 2). A natureza pessoal dessa fala é notável. Embora grande parte de Jeremias trate do julgamento nacional, Jeremias 45:2 mostra que Deus também fala individualmente com aqueles que o servem fielmente dentro dessa narrativa maior.
Chamar Baruque pelo nome enfatiza que Deus está ciente de seu papel, seu fardo e sua luta interior. Baruque não era meramente um assistente passivo; ele era um participante fundamental na transmissão da palavra de Deus. As Escrituras mostram consistentemente que Deus responsabiliza não apenas os profetas, mas também aqueles que apoiam e capacitam seus ministérios (Arão com Moisés, Josué com Moisés, Timóteo com Paulo).
Jeremias 45:2 estabelece que o que se segue é uma correção pastoral, não uma repreensão por desobediência.
Deus então relata a queixa de Baruque: "' Você disse: "Ai de mim! Pois o Senhor acrescentou tristeza à minha dor; estou cansado de gemer e não encontro descanso"'" (v. 3). As palavras de Baruque revelam exaustão, desânimo e uma sensação de sofrimento acumulado. Seu lamento ecoa a linguagem encontrada nos Salmos (Salmo 6:6; Salmo 38:8), onde pessoas fiéis expressam cansaço sob prolongada angústia.
A dor de Baruque provavelmente teve diversas origens: a hostilidade gerada pela mensagem de Jeremias, a destruição de seus escritos pelo rei, o isolamento social decorrente da associação profética e a constatação de que o futuro de Judá era sombrio. Diferentemente de Jeremias, cujo chamado incluía explicitamente o sofrimento ( Jeremias 1:17-19), Baruque talvez esperasse que sua alfabetização, educação e proximidade com a verdade profética o conduzissem à estabilidade ou à honra.
É importante ressaltar que Deus não nega o sofrimento de Baruque. Ele o cita com precisão, demonstrando pleno reconhecimento do estado interior de Baruque. Isso está em consonância com o precedente bíblico, no qual Deus reconhece o lamento humano antes de oferecer correção ou redirecionamento (Jó 7:11; Habacuque 1:2-4).
Deus então instrui Jeremias sobre o que dizer a Baruque: " Assim lhe dirás: ' Assim diz o Senhor: Eis que o que edifiquei, estou para demolir, e o que plantei, estou para arrancar, isto é, toda a terra'" (v. 4). Esta declaração reafirma o tema central da missão profética de Jeremias ( Jeremias 1:10). Deus havia edificado e plantado Judá por meio da bênção da aliança, da realeza, do culto no templo e da herança da terra. Agora, por causa da persistente rebelião, Ele está desmantelando essas estruturas.
A expressão "toda a terra" elimina qualquer ilusão de julgamento seletivo. O desastre iminente afetaria instituições, cidades, lideranças e meios de subsistência indiscriminadamente. Nesse contexto, as ambições pessoais de Baruque — qualquer que fosse a forma que assumissem — estavam desalinhadas com o momento histórico. Deus não está apenas corrigindo as expectativas de Baruque, mas reformulando a realidade: esta é uma época de perdas, não de progresso.
Este versículo situa a angústia pessoal de Baruque dentro do contexto histórico-redentor mais amplo. As dificuldades individuais não podem ser avaliadas separadamente do que Deus está fazendo em nível nacional e da aliança.
Deus então aplica essa realidade diretamente a Baruque: "' Mas tu, buscas grandes coisas para ti mesmo? Não as busques; porque eis que trarei desgraça sobre toda a carne', declara o Senhor, 'mas darei a tua vida como despojo em todos os lugares aonde fores'" (v. 5). A pergunta "buscas grandes coisas para ti mesmo?" (v. 5) não acusa necessariamente Baruque de orgulho, mas expõe uma discrepância de expectativas.
"Grandes coisas" podem ter incluído segurança, reconhecimento, estabilidade na carreira ou restauração nacional durante a vida de Baruque. Deus proíbe explicitamente a busca por tais objetivos em um momento em que o julgamento é iminente. Orientações semelhantes aparecem em outras passagens das Escrituras, como quando Jesus adverte seus discípulos contra a busca da grandeza em tempos de sofrimento (Lucas 22:24-27).
Em vez de prosperidade ou destaque, Deus promete preservação: "a tua vida... como despojo" (v. 5). Em termos militares, despojo é o que um sobrevivente carrega consigo da destruição. Essa promessa é paralela à própria certeza de sobrevivência de Jeremias ( Jeremias 39:18) e ecoa a palavra de Deus a Ebede-Meleque, outro servo fiel poupado durante a queda de Jerusalém ( Jeremias 39:15-18).
Este versículo esclarece um princípio bíblico crucial: a fidelidade não garante o sucesso segundo os padrões humanos, mas assegura a proteção e o propósito de Deus.
Jeremias 45 reformula o significado de ser fiel em um mundo em ruínas. Baruque não é condenado por seu cansaço, mas é corrigido por esperar resultados incompatíveis com o julgamento anunciado por Deus. Em uma época em que Deus está destruindo e desarraigando, a própria sobrevivência é um ato de graça. A recompensa de Baruque não é influência ou conforto, mas a vida — preservada para que a palavra de Deus continue a permanecer por meio dele.
Usado com permissão de TheBibleSays.com.
Você pode acessar o artigo original aqui.
The Blue Letter Bible ministry and the BLB Institute hold to the historical, conservative Christian faith, which includes a firm belief in the inerrancy of Scripture. Since the text and audio content provided by BLB represent a range of evangelical traditions, all of the ideas and principles conveyed in the resource materials are not necessarily affirmed, in total, by this ministry.
Loading
Loading
| Interlinear |
| Bibles |
| Cross-Refs |
| Commentaries |
| Dictionaries |
| Miscellaneous |