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Jeremias 46:13-24 Explicação

Jeremias 46:13-24 muda o foco da interpretação da derrota do Egito em Carquemis para o anúncio de uma subsequente invasão babilônica do próprio Egito. A declaração inicial, "Esta é a mensagem que o Senhor falou ao profeta Jeremias acerca da vinda de Nabucodonosor, rei da Babilônia, para ferir a terra do Egito" (v. 13), deixa claro que este oráculo se refere a uma ação futura, além da batalha já ocorrida de 605 a.C. Jeremias não está oferecendo uma análise política posterior ao fato; ele está declarando a intenção de Deus antes do evento. Essa distinção é importante porque reforça uma afirmação central do livro: a história se desenrola de acordo com os propósitos do Senhor, e não com o esforço humano.

A identidade de Nabucodonosor é crucial. Ao longo de Jeremias, o rei da Babilônia é repetidamente descrito como um instrumento levantado por Deus ( Jeremias 25:9; 27:6). Isso não endossa a moralidade da Babilônia, mas afirma a soberania de Deus sobre os poderes imperiais. O Egito, em quem Judá repetidamente confiou como um refúgio contra a Babilônia ( Jeremias 2:18, 36; 37:5-7), agora se mostra igualmente sujeito ao julgamento de Deus. Nesse sentido, o oráculo desmantela a antiga teologia política de Judá: o Egito não é um refúgio, nem a Babilônia é meramente uma agressora agindo independentemente de Deus.

A ordem para proclamar o juízo em todo o Egito“Anunciai no Egito e proclamai em Migdol; proclamai também em Mênfis e Tafnes” (v. 14) — descreve a totalidade do desastre vindouro. Essas cidades representam os bastiões militares, políticos e reais do Egito. Tafnes, em particular, havia se tornado um lugar de falsa segurança para os refugiados judeus ( Jeremias 43:7-9). O aviso, portanto, atinge tanto os egípcios nativos quanto os judeus deslocados que acreditavam ter escapado do alcance de Deus ao cruzar fronteiras. Jeremias nega consistentemente que a geografia limite a autoridade divina ( Jeremias 23:23-24).

O apelo para que o Egito se prepare na segunda metade do versículo — "Diga: 'Tome posição e prepare-se, pois a espada devorou os que estão ao seu redor'" (v. 14) — não propõe um convite ao arrependimento, mas declara a inevitabilidade da destruição do Egito. Exemplos semelhantes aparecem anteriormente em Jeremias, quando o julgamento já está determinado ( Jeremias 6:22-24). A razão dada"a espada devorou os que estão ao seu redor" (v. 14) — sugere que a zona de segurança regional do Egito já havia entrado em colapso. O julgamento não chega de uma vez; avança passo a passo, consumindo territórios vizinhos antes de atingir seu alvo final.

A pergunta retórica repetida, "Por que os teus valentes se prostraram?" (v. 15), desvia a atenção da explicação militar para a verdadeira causa (Jeremias 46:5). A derrota do Egito não é acidental, nem é simplesmente o resultado da força babilônica: "Eles não se mantêm de pé, porque o Senhor os derrubou" (v. 15). Essa afirmação se alinha a um padrão bíblico mais amplo, no qual Deus desestabiliza ativamente os exércitos que se opõem aos Seus propósitos (Juízes 7:22; 1 Samuel 2:4; Salmo 33:16-17). Jeremias aplica ao Egito a mesma lógica que aplicou a Judá: uma vez que Deus retira o apoio, até mesmo as instituições mais fortes desmoronam. No final do Salmo 36, podemos ver um exemplo da completa destruição que o Senhor traz àqueles que O rejeitam:

" Que o orgulho não me alcance,
E que a mão do ímpio não me expulse.
Ali caíram os praticantes da iniquidade;
Eles foram derrubados e não podem se levantar."
(Salmo 36:11-12).

O Egito representa o pecado de Israel, pois eles são continuamente tentados a retornar, mesmo depois de serem libertados da escravidão. Ao buscar refúgio no Egito, Israel rejeita a verdadeira segurança encontrada em seu Deus. O Salmo 36:12 confirma que "os que praticam a iniquidade" são derrubados de forma tão decisiva que "não podem se levantar". Essa destruição final só pode vir do SENHOR. Ele traz tal julgamento para mostrar ao Seu povo que somente Ele é confiável e somente Ele tem o verdadeiro poder para salvar. O refúgio que Israel outrora buscou é prostrado por Deus.

À medida que o oráculo prossegue, o exército egípcio é retratado como estando em processo de desintegração interna. Soldados tropeçam uns nos outros, recuam caoticamente e incitam- se mutuamente a abandonar a campanha e retornar para casa: "Eles tropeçaram repetidamente; na verdade, caíram uns contra os outros. Então disseram: 'Levantem-se! Vamos voltar para o nosso povo e para a nossa terra natal, longe da espada do opressor'" (v. 16). Esse detalhe sugere fortemente a presença de forças mercenárias — confirmadas explicitamente mais adiante na passagem — que não possuem lealdade à aliança com o Egito e nenhum motivo para perseverar em uma causa perdida. A dependência do Egito em tropas estrangeiras era uma fraqueza conhecida (Isaías 31:1-3; Ezequiel 30:4-5). Quando o julgamento chega, as alianças se desfazem rapidamente.

A avaliação de Faraó é particularmente contundente: "Ali gritaram: 'Faraó, rei do Egito, não passa de um grande alarido; deixou passar o tempo determinado!'" (v. 17). Isso não é mera zombaria; é uma crítica teológica à liderança. A autoridade de Faraó é exposta como meramente performativa, e não efetiva. A expressão "tempo determinado" sugere tanto uma falha estratégica quanto uma oportunidade divina perdida. Ao longo das Escrituras, os governantes são julgados não apenas por sua maldade, mas também por se recusarem a agir corretamente quando Deus lhes concede uma oportunidade para a obediência ( Jeremias 22:21; Lucas 19:42).

Neste ponto, o SENHOR fala diretamente, jurando pela própria vida: "Tão certo como eu vivo", declara o Rei, cujo nome é o SENHOR dos Exércitos, " certamente virá alguém que se levantará como o Tabor entre os montes, ou como o Carmelo junto ao mar" (v. 18). Quando Deus jura, a questão está resolvida (Gênesis 22:16; Isaías 45:23). A imagem do Monte Tabor e do Monte Carmelo não é um floreio poético, mas um argumento espacial: o avanço da Babilônia será inconfundível, dominante e inevitável. Assim como essas montanhas moldam a paisagem, o invasor moldará a história. Faraó não pode se esconder, adiar ou negociar para escapar do que Deus decretou.

A ordem para que o Egito preparasse a bagagem para o exílio em Jeremias 46:19 é especialmente marcante: “Prepare a sua bagagem para o exílio, ó filha do Egito, porque Mênfis se tornará uma desolação; será incendiada e ficará deserta” (v. 19). A linguagem do exílio havia definido o castigo de Judá; agora, ela é aplicada ao Egito. Isso não é por acaso. A teologia de Jeremias insiste que o privilégio da aliança não isenta Israel do julgamento e, da mesma forma, a distância da aliança não isenta as nações. A destruição de Mênfis funciona como um colapso simbólico da civilização egípcia, assim como a destruição de Jerusalém simbolizou o desmoronamento de Judá ( Jeremias 39:8). A justiça de Deus é consistente entre os povos.

A autoimagem do Egito é então desmantelada em Jeremias 46:20: "O Egito é uma bela novilha, mas um mutuca vem do nortee vem!" (v. 20). Ela é descrita como "uma bela novilha" — próspera, bem alimentada e complacente — mas vulnerável à "mutuca... do norte" (v. 20). A metáfora destaca uma ironia bíblica recorrente: a prosperidade muitas vezes produz despreparo. O conforto no mundo gera vulnerabilidade, pois a pessoa se apoia em sua própria força em vez de confiar em Deus (Deuteronômio 32:15; Amós 6:1).

Os mercenários reaparecem em Jeremias 46:21 como "bezerros gordos" que fogem em vez de lutar: "Também os seus mercenários no meio dela são como bezerros gordos,
Pois até eles retrocederam e fugiram juntos; não resistiram. Porque chegou o dia da sua calamidade,
O tempo do seu castigo” (v. 21). Isso confirma que a estrutura de poder do Egito é frágil. Sua força depende da lealdade paga, não de uma identidade compartilhada ou de um compromisso moral. Quando a pressão aumenta, essas forças desaparecem. A crítica de Jeremias aqui se alinha com o Salmo 146:3-5, que adverte contra confiar em sistemas humanos que não conseguem suportar crises:

"Não confiem em príncipes,
No homem mortal, em quem não há salvação.
Seu espírito parte, ele retorna à terra;
Naquele mesmo dia, seus pensamentos se dissiparam.
Bem-aventurado aquele cujo auxílio é o Deus de Jacó!
Cuja esperança está no SENHOR seu Deus"
(Salmo 146:3-5).

A imagem da Babilônia como lenhadores reduzindo uma floresta a nada reforça a natureza metódica da destruição: "Seu som se move como uma serpente; pois eles avançam como um exército e vêm contra ela como lenhadores com machados. Derrubaram a sua floresta", declara o Senhor; "certamente ela não será mais encontrada, embora agora sejam mais numerosos do que gafanhotos e incontáveis" (vv. 22-23). Não se trata de violência caótica, mas de desmantelamento sistemático. A floresta — frequentemente uma imagem bíblica de força, população ou liderança — é completamente removida. A comparação com gafanhotos enfatiza os números esmagadores, ecoando descrições proféticas de julgamento total em outros lugares (Joel 1:4; Naum 3:15).

O veredito final aparece em Jeremias 46:24 — "A filha do Egito foi envergonhada, entregue ao poder do povo do norte" (v. 24) — levando o oráculo à sua conclusão teológica. A vergonha aqui não se refere a constrangimento emocional, mas à exposição pública de uma falsa confiança. A mitologia política do Egito desmorona sob o escrutínio divino. O mesmo poder em que Judá confiou para salvá-la torna-se alvo do mesmo julgamento.

Em conjunto, Jeremias 46:13-24 reforça um dos temas mais persistentes do livro: falsos refúgios sempre fracassam. A queda do Egito não é meramente um evento de política externa; é uma advertência teológica. Aqueles que fogem da obediência em busca de segurança descobrirão que os perigos que temem os seguem. Somente a submissão à palavra de Deus oferece estabilidade, mesmo quando essa palavra anuncia perda em vez de restauração imediata.

A próxima passagem, Jeremias 46:25-28, contrasta intencionalmente o julgamento do Egito com a preservação de Israel.

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