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Jeremias 48:40-44 Explicação

Jeremias 48:40-44 conduz o oráculo contra Moabe ao seu clímax teológico. A linguagem figurada se intensifica, passando da devastação localizada ao colapso total, e da descrição histórica ao inconfundível veredito divino. O que vinha se desenrolando gradualmente ao longo do capítulo é agora apresentado como um julgamento inescapável, explicitamente enraizado na arrogância de Moabe para com o SENHOR.

A seção começa com a imagem de um ataque súbito e avassalador: Pois assim diz o Senhor: “Eis que alguém voará velozmente como uma águia e estenderá as suas asas contra Moabe” (v. 40). A águia, na literatura profética, simboliza comumente velocidade, domínio e inevitabilidade na invasão (Deuteronômio 28:49; Habacuque 1:8). A imagem sugere que o invasor — historicamente a Babilônia — não se aproxima lenta ou cautelosamente. A extensão das asas implica cobertura total, não deixando nenhuma área intocada. Isso reforça um tema central nos oráculos de Jeremias contra as nações: o julgamento não atinge apenas pontos estratégicos; ele abrange toda a terra.

Jeremias 48:41 traduz essa imagem em consequências militares concretas: "Queriote foi conquistada e as fortalezas foram tomadas..." (v. 41). Queriote era um importante centro moabita, possivelmente uma cidade real ou de culto. Sua queda representa mais do que a perda territorial — sinaliza o colapso da infraestrutura política e religiosa de Moabe. A tomada das "fortalezas" confirma que os sistemas defensivos de Moabe, mencionados repetidamente no início do capítulo, falharam completamente. Assim como aconteceu com Judá e Egito, cidades fortificadas não preservam um povo quando o julgamento de Deus entra em ação (Jeremias 21:4-7; 46:18-19).

O efeito psicológico desse colapso é então descrito com ironia deliberada: "...Assim, o coração dos valentes de Moabe, naquele dia, será como o coração de uma mulher em trabalho de parto" (v. 41). Essa comparação não visa depreciar as mulheres, mas inverter a autoimagem de Moabe. Ao longo do oráculo, Moabe é retratado como confiante em seus guerreiros e em sua identidade militar (Jeremias 48:14). Agora, esses mesmos guerreiros são dominados pelo medo, pela dor e pelo desamparo. Imagens semelhantes aparecem em outros textos proféticos de julgamento para descrever o colapso da coragem quando ocorre a intervenção divina (Isaías 13:7-8; Jeremias 30:6). A força se evapora quando a ilusão de controle é desfeita.

Jeremias 48:42 declara a razão teológica para tudo o que o precede: "Moabe será destruído como povo, porque se ensoberbeceu diante do Senhor" (v. 42). Esta é uma das declarações causais mais claras do oráculo. A queda de Moabe não é explicada principalmente em termos de geopolítica ou erros de cálculo militar, mas em termos morais e teológicos. A arrogância aqui não é meramente orgulho de força; é autoexaltação que desconsidera a autoridade do Senhor.

Esse tipo de arrogância é um alvo recorrente do julgamento profético. Isaías condena Moabe pelo mesmo pecado (Isaías 16:6), e Obadias descreve uma queda semelhante para Edom, enraizada no orgulho (Obadias 3-4). A expressão "destruído de ser um povo" (v. 42) não significa necessariamente extinção étnica, mas a perda da coesão nacional, da independência política e da identidade cultural. Moabe deixa de funcionar como uma nação significativa e autônoma. Esse é o mesmo destino sobre o qual Jeremias advertiu Judá caso persistisse na rebelião (Jeremias 7:34; 9:11).

Os versículos finais apresentam o julgamento de Moabe como inescapável: "Terror, cova e laço virão sobre ti, ó habitante de Moabe" (v. 43). Essa tríade de perigos forma uma rede retórica. Cada termo descreve uma tentativa diferente de fuga que, no entanto, fracassa. O terror leva à fuga, a cova aprisiona quem foge e o laço captura quem consegue escapar. A imagem evoca Isaías 24:17-18 quase que literalmente, mostrando que Jeremias se baseia em uma tradição profética mais ampla para descrever um julgamento abrangente.

O versículo 44 completa a lógica: "Quem foge do terror cairá na cova, e quem sobe da cova será apanhado na armadilha" (v. 44). Isso não é um excesso poético, mas uma afirmação teológica. As reações humanas — pânico, fuga, adaptação — não alteram o resultado quando o julgamento é divinamente determinado. Toda aparente rota de fuga leva a outra forma de captura. O texto remove deliberadamente a ilusão de sobrevivência por meio da astúcia ou da força.

A declaração final ancora toda a sequência no tempo divino: "Porque trarei sobre ela, sobre Moabe, o ano do seu castigo" (v. 44). O julgamento não é aleatório nem perpétuo; ele chega em um "ano" definido, um tempo determinado por Deus. Isso ecoa a teologia mais ampla de Jeremias sobre o julgamento mensurável (Jeremias 25:11-12; 29:10). O longo período de tranquilidade de Moabe terminou, e o momento da prestação de contas chegou.

Em conjunto, Jeremias 48:40-44 retrata o julgamento não como caos, mas como algo ordenado, proposital e moralmente fundamentado. A queda de Moabe é rápida, total, psicologicamente devastadora e inescapável — mas não arbitrária. É o culminar de uma arrogância e autossuficiência de longa data, em desafio ao SENHOR. A passagem reforça um dos temas mais sóbrios de Jeremias: as nações que se exaltam contra Deus acabam descobrindo que não há refúgio — geográfico, militar ou estratégico — da responsabilidade divina.

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