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The Blue Letter Bible
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Jó 5:8-16 Explicação

Em Jó 5:8-16, Elifaz exorta Jó a aceitar a disciplina de Deus sobre ele e a buscá-Lo para obter restauração. Ele começa dizendo: "Mas eu, quanto a mim, buscarei a Deus e apresentarei a minha causa diante de Deus" (v. 8).

Isso certamente parece um bom conselho quando considerado isoladamente. Lembra muito Provérbios 3:5-6, que nos diz para confiar em Deus de todo o coração e nos apoiar em Seu entendimento. De fato, nesta passagem, há muitas afirmações bíblicas, quando consideradas isoladamente.

Mas sabemos que o que Elifaz diz sobre Deus não está "correto", conforme Deus revela em Jó 42:7. Isso destaca a importância do contexto. O engano mais poderoso é aquele disfarçado de verdade. Podemos reunir três versículos que nos mostram a premissa de Elifaz e nos permitem analisar, em vez de focar apenas no que ele diz, o que há de falso em suas afirmações.

  1. Em Jó 5:8, Elifaz exorta Jó a buscar a Deus.
  2. Em Jó 5:17, Elifaz exorta Jó a abraçar a disciplina do Senhor.
  3. Em Jó 5:19-26, Elifaz promete a completa restauração de Jó.

Podemos ver nessa progressão que Elifaz está argumentando que, se Jó buscar a Deus e admitir seu erro, Deus o restaurará. Isso significa, essencialmente, que os humanos podem manipular Deus por meio de suas ações. É provável que seja contra isso que Deus reage tão fortemente, dizendo a Elifaz e seus dois amigos:

“Agora, pois, tomem para vocês sete novilhos e sete carneiros, e vão até o meu servo Jó, e ofereçam um holocausto por vocês mesmos, e o meu servo Jó orará por vocês. Pois eu o aceitarei, para que eu não faça com vocês o que vocês fizeram de errado, porque vocês não falaram de mim o que é reto, como fez o meu servo Jó.”
(Jó 42:8)

A irritação de Deus com Elifaz por sua representação do Senhor é evidente. Além disso, ao presumir que Deus estava punindo Jó por atos de injustiça, dizendo-lhe para não desprezar a disciplina do Senhor, Elifaz também revela uma visão imprecisa de Deus. A premissa subjacente é que "Jó deve ter feito algo errado para causar essa calamidade", o que implica que as ações de Deus são diretamente determinadas pelas nossas ações.

Deus julga, sim, mas Seus julgamentos não são determinados pelos humanos. Parece que este é um ponto fundamental que Deus desejava transmitir neste dos primeiros livros bíblicos.

Tendo identificado a premissa falsa subjacente, examinaremos agora cada afirmação feita por Elifaz e como ela pode conter verdade quando considerada isoladamente, mas está sendo usada para sustentar uma premissa falsa:

  • Ele realiza coisas grandiosas e insondáveis, maravilhas sem número (v. 9)

Por si só, essa afirmação é plenamente confirmada pelas Escrituras. Romanos 11:33-36 diz algo muito semelhante, que os Seus caminhos são superiores aos nossos e incompreensíveis. No entanto, essa é uma razão pela qual Elifaz não deveria acreditar que a ação humana seja uma causa direta da ação divina. Isso ilustra, mais uma vez, como uma interpretação falaciosa se sustenta ao ser associada a afirmações verdadeiras.

Elifaz não vê a contradição entre essa afirmação de que os caminhos de Deus são insondáveis e sua explicação simplista de que a desgraça de Jó deve ter sido determinada por suas ações erradas.

  • Ele faz chover na terra e derrama água nos campos, para exaltar os humildes e levantar os que choram para um lugar seguro (vv. 10-11).

Deus envia chuva sobre a terra e água sobre os campos. Mas Ele a envia tanto sobre os justos quanto sobre os injustos (Mateus 5:45). Deus exalta os humildes e ampara os que choram. Contudo, essa não é uma fórmula simplista limitada pelo tempo ou pelas expectativas humanas.

Quando Jesus afirmou que os primeiros seriam os últimos e os últimos os primeiros, foi no contexto das recompensas eternas (Mateus 19:30). É comum que, durante esta vida terrena, o mal prospere (Salmo 37:7-9). A arrogância de Elifaz ao afirmar que conhece a perspectiva de Deus e pode determinar a vontade divina usando a lógica de causa e efeito é inconsistente com o que ele acabou de dizer no versículo 9, que os caminhos de Deus são superiores aos nossos. A próxima afirmação também é verdadeira, mas no tempo de Deus:

  • Ele frustra os planos dos astutos, de modo que as suas mãos não podem alcançar o sucesso (v. 12).

Deus julgará o mal, e todos os que prosperaram com o mal na terra serão levados à justiça. Mas Deus não opera segundo um cronograma baseado na preferência humana (Apocalipse 6:10-11). As Escrituras apresentam um padrão claramente discernível: Deus espera pacientemente que a iniquidade amadureça completamente antes de julgar.

No caso dos amorreus, Deus esperou mais de quatrocentos anos antes de lhes trazer juízo por sua maldade (Gênesis 15:13, 16). Como afirma 2 Pedro 3:7-9, Deus certamente julgará, mas está adiando o Seu juízo para que mais pessoas se arrependam. A próxima afirmação também é verdadeira, mas nem sempre acontece no tempo que preferimos:

  • Ele captura os sábios pela sua própria astúcia, e o conselho dos espertos é rapidamente frustrado. De dia encontram a escuridão, e ao meio-dia tateiam como na noite (vv. 13-14).

É verdade que o mal tem consequências adversas naturais, como podemos ver em passagens como Provérbios 11:6 e Romanos 1:24, 26, 28. Se alguém for sábio ou astuto a ponto de praticar o mal, Elifaz afirma que Deus o frustrará. Ele alega que aqueles que buscam o mal receberão o oposto do que desejam, devido à justiça de Deus. Se buscarem o dia, receberão trevas, e ao meio-dia agirão como se fosse meia-noite.

Que este versículo, por si só, é verdadeiro, é confirmado pelo apóstolo Paulo. Em 1 Coríntios 3:19, Paulo cita Jó 5:13 para lembrar aos crentes que a sabedoria humana não é o instrumento pelo qual dominamos a Deus; muitas vezes, é justamente aquilo que deve ser humilhado. Mas isso também é irônico, porque Elifaz está usando sua sabedoria humana para confinar a justiça de Deus à sua própria linha do tempo, o que não é correto.

Deus é paciente e muitas vezes adia o julgamento por longos períodos para permitir que as pessoas tenham tempo para se arrepender. Elifaz parece não entender que Deus não é apenas justo, mas também misericordioso (Salmo 103:8). O fato de a declaração de Elifaz no versículo 13 ser citada por Paulo demonstra que, quando Deus diz que Elifaz não falou corretamente a Seu respeito, isso se refere à premissa subjacente, e não a essas declarações individuais em si (Jó 42:7).

A premissa subjacente de Elifaz é que Deus realiza todas essas coisas em um cronograma e de uma maneira definida pelas ações humanas, o que não é verdade. Os versículos seguintes seguem uma estrutura quiástica:

  • Mas Ele livra da espada da boca deles, e o pobre da mão do poderoso. Assim, o desamparado tem esperança, e a injustiça deve calar a boca (vv. 15-16).

Esses versículos seguem uma estrutura quiástica, como segue:

A) Deus salva da espada da boca deles.

B) Deus salva os pobres das mãos dos poderosos.

B') Para que os desamparados (pobres) tenham esperança

A') Deus faz com que a injustiça cale a boca.

Um quiasmo é uma estrutura poética com afirmações espelhadas (veja nosso artigo sobre Quiasmos ). A espada da boca (A) espelha a boca sendo fechada (A'). A espada da boca representa a fala que ataca, destrói e aniquila. Isso pode incluir acusações, calúnias, ameaças ou palavras esmagadoras. Elifaz personifica a injustiça e afirma que Deus, em Sua justiça, fará com que a injustiça feche a boca, refletindo a boca que profere palavras destrutivas.

Existem outros exemplos em que a imagem de uma espada saindo da boca destrói o mal e a maldade. Vemos essa imagem em Apocalipse 19:15, onde Jesus é retratado matando os ímpios reunidos contra Ele com a espada da Sua boca. Podemos inferir disso que as palavras dos injustos destroem o bem, enquanto as palavras da verdade destroem o mal.

O ponto principal de um quiasmo é o centro, que neste caso é B/B'. Este ponto primordial é que Deus libertará os oprimidos, os pobres. Ele liberta os pobres das mãos dos poderosos. Os poderosos muitas vezes têm poder para oprimir e explorar. Mas Deus é mais forte do que os fortes. Esta é uma das razões pelas quais as Escrituras repetidamente dizem aos governantes e aos poderosos para temerem a Deus — porque o seu poder lhes é delegado por Deus, e Ele os responsabilizará (Romanos 13:1).

No Novo Testamento, vemos Jesus personificar essa missão de resgate. Ele confrontou líderes opressores, defendeu os acusados e proclamou as boas novas aos pobres (Lucas 4:18). Em última análise, Ele salva não apenas de opressores humanos, mas também do pecado e da morte — poderes que nenhum ser humano pode vencer (1 Coríntios 15:54-57). Graças à misericórdia de Deus, os desamparados têm esperança.

Contudo, embora Jesus tenha pregado o evangelho aos pobres, foi rejeitado pelos líderes e crucificado pelos governantes. Segundo a premissa de Elifaz, isso significaria que Jesus estava incorrendo no julgamento de Deus por seus próprios pecados. A verdade é o oposto: Jesus foi crucificado para assumir os pecados do mundo inteiro e trazer a salvação (Colossenses 2:14, João 3:16). O tempo de Deus não é o nosso tempo. Existe um calendário celestial que transcende o tempo humano.

Em Isaías 53:12, foi predito que Jesus seria “contado entre os transgressores”. Isso se cumpriu quando Jesus, embora declarado inocente, foi condenado à morte de um criminoso (João 18:38). Isso demonstra a extensão da falha na premissa de Elifaz. Por causa do sofrimento da morte, Jesus foi recompensado com autoridade sobre toda a terra (Hebreus 2:9, Mateus 28:18). Mas há um intervalo de tempo significativo entre a promessa e o seu cumprimento. Isso se deve, em parte, à paciência de Deus (2 Pedro 3:9). A falta de compreensão desse intervalo de tempo parece ser um dos fatores que levaram Elifaz a uma conclusão substancialmente errônea sobre a natureza de Deus e suas interações com o mundo.

Para piorar a situação, Elifaz fala como se representasse a retidão e Jó o erro. Mas o final do livro mostrará que as acusações confiantes dos amigos eram infundadas. O veredito de Deus foi diferente de suas suposições (Jó 42:7-9). Deus é justo. Ele é reto. Mas também é misericordioso. E Ele age no Seu próprio tempo. Cabe a nós confiar nEle, inclusive confiar que o Seu tempo é o melhor.

 

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