
Aqui, no Salmo 68:15-18, o escritor proclama a majestade de Deus declarando: Monte grandíssimo é o monte de Basã, monte de cabeços é o de Basã. Por que estais vós, montes de cabeços, olhando de inveja para o monte que Deus escolheu para a sua habitação? Jeová habitará nele para sempre (v. 15-16). O monte Basã era uma região fértil e majestosa localizada a leste do rio Jordão, historicamente valorizada por seus pastos verdejantes e colinas proeminentes. A pergunta feita a esses montes de muitos picos ressalta como Deus escolheu especialmente outro monte – Sião – como sua morada, lembrando a todos que a presença do Senhor santifica um lugar, acima de sua aparência ou imponência exterior. Nessa imagem vívida, o salmista transmite que, não importa quão grandiosos ou imponentes alguns lugares geográficos possam ser, a grandeza suprema reside na escolha de Deus e em sua presença eterna.
Dando continuidade à menção de Basã, o salmista aborda o significado dessa escolha divina. As montanhas de Basã, por mais esplêndidas que fossem, servem como contraponto para destacar a vontade de Deus de habitar onde Ele apraz. Ao chamar de monte que Deus escolheu para a sua habitação, o salmista concentra a atenção na soberania do Senhor. Ao longo da história de Israel, o povo de Deus frequentemente reconheceu Sua autoridade nos lugares onde Ele os conduzia para adorar. Quer estivessem no deserto do Sinai ou viajando pela Terra Prometida, Sua presença estabelecia o verdadeiro lugar de adoração e bênção (Êxodo 19). Aqui, a grandeza do Monte Basã empalidece diante da bênção maior concedida a Sião, o lugar que Deus escolheu como Seu santuário.
Segue-se outra declaração impressionante: Os carros de Deus são vinte mil; sim, milhares de milhares; o Senhor está no meio deles; o Sinai está no santuário (v. 17). Esta imagem evoca o temor reverencial de uma multidão inumerável que acompanha o Todo-Poderoso. O Sinai, geograficamente localizado no canto sudoeste da região tradicionalmente associada a Midiã, é o lugar onde Moisés recebeu a Lei. O salmista conecta deliberadamente esta revelação monumental da glória de Deus no passado à Sua presença contínua entre o Seu povo. Assim como a santidade do Senhor foi revelada de forma espetacular no Sinai, também se manifesta em todos os lugares onde Ele escolhe habitar. A menção de incontáveis carros ressalta que o Seu poder não pode ser medido nem limitado.
Neste versículo, a referência ao Sinai também lembra aos adoradores a aliança estabelecida entre Deus e Israel. Ao recordar Seus atos passados, o salmista ancora a esperança futura de Israel na natureza imutável da santidade e do poder de Deus. A representação dos carros de guerra sugere tanto a proteção divina quanto a força inabalável, assegurando aos crentes que o Senhor permanece entronizado acima de todos os poderes terrenos. Mesmo que exércitos, reinos e fronteiras humanas mudem com o tempo, o reinado de Deus e Seu exército angelical permanecem para sempre (Salmo 103:19-21). O mesmo poder demonstrado no Sinai está presente e disponível na morada de Deus, fortalecendo aqueles que confiam Nele.
A passagem culmina com a proclamação triunfante: Subiste ao alto, levaste cativos os prisioneiros; recebeste dons dos homens, mesmo dos rebeldes, para Deus Jeová habitar entre eles (v. 18). Este versículo vislumbra a ascensão vitoriosa do Senhor, significando não apenas um triunfo militar, mas também uma realidade espiritual. Ao levar cativos aqueles que eram cativos, o salmista destaca o poder de Deus para vencer toda escravidão e trazer liberdade ao seu povo. Dádivas são derramadas, simbolizando tanto o tributo oferecido a Deus quanto as bênçãos que Ele concede em troca. Até mesmo os rebeldes, quando trazidos para o seu reino, recebem misericórdia e a oportunidade de adorá-lo.
A igreja primitiva associava este versículo à ascensão de Jesus, onde Cristo ascendeu aos céus vitorioso sobre o pecado, a morte e toda oposição espiritual (Efésios 4:8). Sob essa perspectiva, o versículo prefigura a redenção final que Deus traz por meio do Messias: o recebimento de dons reflete o derramamento de bênçãos espirituais sobre os crentes. Consequentemente, a morada de Deus se estende para além de uma única montanha física, alcançando os corações daqueles que abraçam a vitória de Cristo. A imagem do salmista serve como um modelo: onde quer que Deus ascenda em triunfo, Ele atrai aqueles que antes estavam separados Dele, inundando-os com graça e reconciliação.
Usado com permissão de TheBibleSays.com.
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