
Quando o salmista escreve: Responde-me, Jeová, porque é boa a tua benignidade; segundo a multidão das tuas ternas misericórdias, volta-te para mim (v. 16), ele revela um apelo sincero para que Deus responda com misericórdia. O Salmo 69:16-19 é tradicionalmente atribuído a Davi, e aqui ele expressa a confiança de que a benignidade de Deus — o Seu amor constante, baseado na aliança — permanece o fundamento sobre o qual o salmista clama por ajuda. Embora o salmista se sinta cercado por problemas, ele ressalta a bondade do Senhor apelando diretamente ao Seu caráter.
Essa sincera solidariedade com a grande benignidade de Deus nos lembra que buscar a intervenção do Senhor provém de quem Deus é, e não do mérito humano. O salmista reconheceu que o melhor recurso em sua aflição não é confiar em sua própria força, mas sim se apoiar na fidelidade inabalável do Todo-Poderoso. Ao invocar a benignidade de Deus, ele confia em uma natureza divina que jamais falha, mesmo quando as circunstâncias parecem insuportáveis.
Em momentos de turbulência espiritual ou emocional, vemos um modelo de confiança na oração que ressoa por toda a Escritura. A mesma compaixão encontrada aqui encontra eco nos ensinamentos posteriores de que o Messias também proveria consolo e salvação (Mateus 11:28). Ao invocar o Senhor, o salmista dá um exemplo para todos que se encontram em extrema necessidade da resposta de Deus.
Então o salmista continua: Não escondas do teu servo o rosto; porque estou angustiado, responde-me depressa (v. 17). Este apelo direto enfatiza a necessidade e a urgência da presença de Deus em momentos de profunda provação. Nos contextos do antigo Oriente Próximo, contemplar o rosto de alguém simbolizava atenção e favor — portanto, “esconder o rosto” significaria abandono ou rejeição.
A urgência de responde-me depressa transmite um desespero intenso. Ressalta que alguém diante de uma crise avassaladora anseia por alívio imediato. A escolha de palavras do salmista demonstra que ele não hesita em expressar suas necessidades urgentes diante do Senhor. Apesar de sua profunda sensação de urgência, permanece um reconhecimento humilde de seu papel como servo de Deus.
A perspectiva espiritual de Davi estabelece o padrão para que os crentes busquem a ajuda do Senhor, mantendo-se respeitosos com a soberania de Deus. Mesmo como rei, Davi se considerava um servo dependente da bondade do Senhor. Sua oração nos lembra que, quando pressionados pela ansiedade ou tristeza, apresentar honestamente nossas necessidades imediatas ao Deus de toda consolação é um ato de fé.
Continuando com o apelo, o salmista anuncia: Aproxima-te da minha alma e redime-a; resgata-me por causa dos meus inimigos (v. 18). O chamado para se aproximar indica um anseio por intimidade e resgate, como se a própria vida do salmista dependesse da intervenção de Deus. Redenção aqui significa ser resgatado ou libertado de uma escravidão opressora, ressaltando que somente o Senhor pode verdadeiramente libertar.
O termo resgate carrega a ideia de pagar um preço ou obter uma libertação. Ao associar redenção a resgate, o salmista enfatiza o poder de Deus para intervir de forma definitiva, especialmente quando os inimigos ameaçam. Historicamente, Davi enfrentou nações vizinhas, inimigos pessoais e conflitos internos em seu reino de Israel. Contudo, repetidas vezes, ele recorreu ao Senhor para o resgate decisivo de sua vida e alma.
Esse clamor também prenuncia a obra redentora definitiva que Deus realiza em favor da humanidade por meio do Messias (Efésios 1:7). Na maior expressão de Sua disposição em se aproximar, Deus intervém na história para libertar as pessoas do peso do pecado e da opressão. A linguagem do salmo encontra seu significado mais pleno quando compreendida à luz desse resgate divino.
O apelo final nesta porção proclama: Tu conheces o meu opróbrio, a minha vergonha e a minha ignomínia; os meus adversários estão todos diante de ti (v. 19). O salmista reconhece que Deus está plenamente ciente de sua desgraça e dos ataques de seus inimigos. Nada escapa à atenção do Senhor, incluindo as provações que cercam seu fiel servo.
Vergonha e desonra frequentemente acompanham a perseguição e a acusação injusta; Davi experimentou isso ao longo de sua vida, seja por parte do rei Saul ou de outros que se levantaram contra ele em diferentes momentos de seu reinado. Contudo, ao levar essa afronta a Deus, o salmista declara uma profunda confiança — ou seja, que a justiça e a vindicação, em última instância, repousam nas mãos do Senhor — e demonstra que a fé envolve a abertura diante do próprio sofrimento.
A atenção de Deus a cada detalhe assegura aos fiéis que Ele vê o erro, mesmo que outros não o reconheçam. A transparência do salmista sobre a profundidade de sua humilhação encoraja os leitores, mostrando que a humilhação e o desespero não estão ocultos do mesmo Deus que vindica e cura. Isso antecipa a ideia do Novo Testamento de que Deus corrigirá todo erro, garantindo que nenhuma culpa permaneça sem resposta quando confiada a Ele (Romanos 12:19).
Usado com permissão de TheBibleSays.com.
Você pode acessar o artigo original aqui.
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