
Num notável crescendo de louvor, o salmista exorta toda a criação a se unir e celebrar a grandeza de Deus ao declarar: "Louvem-no os céus e a terra, os mares e quanto neles se move" (v. 34). Este convite abrangente inclui não apenas o reino humano, mas também os reinos acima e abaixo, enfatizando que toda criatura viva testemunha o poder sustentador e a abundante misericórdia de Deus. Ao mencionar especificamente os mares e tudo o que neles se move, o Salmo 69:34-36 destaca o alcance ilimitado de Deus, lembrando-nos de que nenhum canto do universo está além de Seu cuidado ou fora do alcance de Sua adoração.
A referência ao céu e à terra louvando a Deus remete a um tema bíblico recorrente: toda a criação aponta para o seu Criador (conforme paralelo no Novo Testamento, em Romanos 1:20). O apelo do salmista aqui ressalta a harmonia que existe quando todos os aspectos do mundo reconhecem o seu Autor. Essa nota unificadora ressoa com retratos bíblicos anteriores da natureza regozijando-se no esplendor do Senhor (Salmo 148), apontando para uma esperança futura na qual tudo será renovado e se alinhará perfeitamente aos propósitos de Deus..
Ao exortar que até os mares e seus movimentos o louvem, o salmista vislumbra um coro cósmico proclamando a majestade de Deus, convidando os fiéis a se unirem e liderarem esse coro universal. O coração humano é compelido a se alinhar com o testemunho da natureza, reconhecendo o lugar de direito de Deus como Rei. Longe de ser apenas uma imagem poética, este versículo encoraja profundamente a adoração cheia de fé, lembrando-nos de que, ao exaltarmos o Senhor, nos alinhamos com toda a ordem criada por Ele.
Olhando para o futuro com esperança, o salmista continua: "Pois Deus salvará a Sião e edificará as cidades de Judá; e ali habitarão e as possuirão" (v. 35). Historicamente, Sião é um nome frequentemente usado para Jerusalém, o principal local de culto do povo de Israel, e está no centro de sua aliança com Deus. Davi, o segundo rei de Israel (reinando aproximadamente de 1010 a.C. a 970 a.C.), estabeleceu Sião inicialmente como a fortaleza de seu reino, e a cidade posteriormente passou a ser vista como um lugar especial para a presença de Deus.
Ao prometer que Deus restaurará e protegerá Sião e as cidades de Judá, o salmista apresenta uma visão de comunidade renovada e próspera. No relato bíblico, Jerusalém vivenciou momentos de destruição e exílio, principalmente pelas mãos dos babilônios em 586 a.C. Contudo, este versículo proclama ousadamente que a ruína não terá a palavra final. Aqui, a promessa da salvação de Deus assegura que o Seu lugar e o Seu povo escolhidos ressurgirão, uma verdade que prenuncia a salvação maior que os crentes encontram, em última instância, em Jesus (Romanos 11:26).
Habitar e possuir a terra refletem não apenas segurança física, mas também a restauração das bênçãos da aliança. As implicações morais e espirituais são claras: aqueles que se entregam a Deus recebem refúgio e promessa, demonstrando a profunda conexão entre obediência, pertencimento e bênção. Ao relatar essas esperanças, o salmista aponta para a fidelidade de Deus ao longo do tempo e da história, afirmando que o compromisso do Senhor com o seu povo persiste em meio à adversidade.
Concluindo com uma rica herança em vista, o salmista proclama: "Também a descendência dos seus servos as herdará; e os que amam o nome dele nelas habitarão" (v. 36). Isso aponta para as gerações futuras, ressaltando o valor duradouro da fidelidade a Deus. A menção aos descendentes significa um legado permanente, um lembrete de que a devoção ao Senhor não beneficia apenas uma geração, mas também constrói uma herança espiritual transmitida através de famílias e comunidades.
Os que recebem essa herança são descritos como servos de Deus, o que implica uma estreita sintonia com a Sua vontade e os Seus propósitos, isso está em consonância com a ênfase dada por Jesus em ser conhecido pelos frutos e pela obediência (Mateus 7:20-21). Os que amam o nome de Deus encontram nEle a segurança, o pertencimento e a paz prometidos nesses versículos, dando continuidade à linhagem de fé que começou tantos séculos antes.
Ao habitarem com Deus, os crentes experimentam um vislumbre da comunhão íntima que culmina na visão do Novo Testamento da cidade celestial (Apocalipse 21:2-3). Aqui, o salmista aponta tanto para uma realidade presente, a presença de Deus fortalecendo o Seu povo, quanto para uma esperança futura de vida eterna no Seu reino. A promessa de que o povo de Deus pertencerá a Ele e habitará com Ele reflete o vínculo inquebrável de amor inabalável que Deus oferece a todos os que O buscam.
Usado com permissão de TheBibleSays.com.
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