
Na abertura do Salmo 70:1-3, lemos: "Ao cantor-mor. Salmo de Davi. Para trazer à lembrança" Aqui vemos uma nota concisa indicando que esta composição foi especificamente concebida para um líder de louvor e serve a um propósito particular de recordação. Tais instruções frequentemente guiavam a maneira como um salmo seria interpretado ou lembrado no contexto do culto coletivo do antigo Israel, elas introduziam os temas da dependência de Deus, do lamento pessoal e do desejo de recordar a libertação divina em momentos de necessidade.
O rei Davi, mencionado aqui, reinou em Israel aproximadamente entre 1010 a.C. e 970 a.C. Israel estava situado no antigo Oriente Próximo, uma região que abrangia as terras ao longo da costa leste do Mediterrâneo. A vida e o reinado de Davi foram marcados por frequentes conflitos, lutas pessoais e uma fé triunfante em Deus, elementos que moldaram e influenciaram a adoração do seu povo por gerações.
Esta nota estabelece o tom para um clamor urgente que se segue, lembrando aos leitores posteriores que o apelo subsequente deve ser lembrado e praticado em momentos de angústia pessoal ou comunitária. Os momentos de necessidade de Davi ressoam com os crentes de hoje que buscam esperança inabalável e segurança.
Quando o salmista ora: "Ó Deus, apressa-te em livrar-me; ó SENHOR, apressa-te em socorrer-me!" (v. 1), suas palavras revelam um profundo desespero e uma necessidade imediata de resgate. Ele invoca a Deus diretamente, usando duas designações chave: uma enfatiza a primazia e o poder de Deus, enquanto a outra destaca uma relação de aliança. Esse clamor duplo ressalta que o escritor depende da intervenção divina, e não da força humana.
O padrão de Davi ao se dirigir ao Senhor ressalta um relacionamento fundado na confiança. Ele acreditava que Deus não apenas existia, mas também estava profundamente envolvido no bem-estar do seu povo. Em um nível mais profundo, este versículo ilustra como o desespero pode levar os fiéis a invocar a Deus com transparência e confiança, sabendo que Ele ouve e responde.
No contexto bíblico mais amplo, esses apelos urgentes prefiguram a maneira como Jesus ensinou os crentes a pedirem persistentemente a ajuda de Deus (Mateus 7:7). Uma atitude de dependência, expressa por meio da oração humilde, molda e fortalece a fé quando desafios significativos se apresentam.
O pedido seguinte, “Sejam envergonhados e confundidos aqueles que buscam tirar-me a vida; sejam obrigados a voltar atrás e cubram-se de ignomínia os que folgam no meu mal” (v. 2), direciona-se aos adversários que perseguem o salmista. Davi suplica a Deus por um julgamento rápido que exponha e frustre seus planos malignos. Ele confia que a justiça de Deus derrubará a maldade.
As palavras de Davi aqui revelam sua vulnerabilidade diante de inimigos que desejam vê-lo cair. Orar pelo descrédito e pela confusão deles indica que ataques e malícia contra os escolhidos de Deus frequentemente refletem uma oposição espiritual aos propósitos divinos. Ao colocar esse conflito nas mãos de Deus, o salmista se distancia da vingança pessoal, submetendo sua situação à soberania divina.
Essa dependência do poder de Deus encontra eco em toda a Escritura, à medida que os crentes repetidamente entregam suas batalhas ao Senhor (2 Crônicas 20:15). O clamor de Davi por vergonha sobre seus inimigos não é um grito de vingança, mas um desejo de que a justiça de Deus prevaleça sobre aqueles que pretendem causar dano.
Vergonha e revés também ocupam o versículo seguinte: “Voltem para trás de vergonha os que dizem: Ah! Ah!” (v. 3). A expressão zombeteira comunica um triunfo desdenhoso, como se a oposição se deleitasse com a adversidade do salmista. Davi, mais uma vez, apela a Deus para que os silencie, impondo-lhes uma prova de realidade quando suas provocações falharem.
Esses zombadores, que menosprezam e ridicularizam os fiéis, destacam o aspecto da guerra espiritual na vida de Davi. Ao pôr um fim abrupto ao ridículo, Davi reconhece que somente Deus pode remover a dor da zombaria e erradicar o prazer pecaminoso que os inimigos sentem com a miséria alheia.
Este versículo também traz uma advertência para todos aqueles que zombam da justiça ou se atrevem a minar o ungido de Deus. Ele lembra aos crentes que a confiança na vindicação de Deus não depende do poder humano, mas da forte mão do Senhor, que frustra os planos dos orgulhosos e resgata os humildes.
Usado com permissão de TheBibleSays.com.
Você pode acessar o artigo original aqui.
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