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Salmo 71:1-6 Explicação

O Salmo 71:1-6 começa com um sincero apelo por proteção divina quando o salmista declara: "Em ti, Jeová, me refugio; não seja eu jamais envergonhado" (v. 1). Esta declaração demonstra a confiança inabalável do salmista em Deus, que pode protegê-lo da desgraça e do fracasso. Há um tom pessoal aqui, sugerindo uma relação direta em que a bondade de Deus proporciona cobertura emocional e espiritual. No antigo Israel, buscar refúgio no Senhor era uma declaração de lealdade e confiança acima de tudo.

A certeza do salmista no cuidado de Deus implica uma profunda convicção espiritual. Ao buscar proteção tão abertamente, o autor afirma que nenhum outro poder é suficiente para preservá-lo das dificuldades da vida. Este versículo evoca o tema bíblico de encontrar refúgio na presença de Deus, refletido em outras passagens que apresentam o Senhor como uma fortaleza protetora. O conceito de nunca ser envergonhado indica a confiança de que Deus cumprirá as promessas de sua aliança.

Frequentemente atribuído ao Rei Davi, que governou Israel por volta de 1010 a 970 a.C., este Salmo ressoa com os fiéis que enfrentaram provações e descobriram que Deus permanece inabalável. Embora o Salmo 71 não mencione Davi pelo nome, o tom e as repetidas declarações de confiança ecoam muitas de suas orações. A segurança encontrada em Deus garante que a vergonha não triunfará sobre aqueles que se apegam a Ele.

Continuando a oração, o salmista clama: "Livra-me na tua retidão e resgata-me; inclina para mim os teus ouvidos e salva-me" (v. 2). Ele não se apoia em sua própria virtude, mas na justiça de Deus, apelando para a perfeição eterna e o caráter justo de Deus. Ao invocar a justiça, o salmista invoca a excelência moral do Senhor, convicto de que essa disposição leva Deus a proteger aqueles que nele confiam.

O pedido de socorro ressalta a urgência da situação e a convicção do salmista de que Deus é a única fortaleza adequada contra os adversários. A expressão "inclina para mim os teus ouvidos" descreve o Senhor inclinando-se para ouvir atentamente, enfatizando o Seu cuidado pessoal. A crença do salmista de que Deus controla todos os aspectos da libertação ressoa ao longo deste versículo, dando-lhe esperança.

Há uma implicação de intimidade neste apelo, pois o salmista espera uma resposta rápida e benevolente de Deus. Tal confiança aparece frequentemente nas Escrituras quando os indivíduos reconhecem que a força humana ou as estruturas sociais não podem garantir um verdadeiro resgate, e por isso suplicam ao Todo-Poderoso que intervenha (veja outros pedidos de ajuda divina ao longo dos Salmos).

O autor continua: “Sê para mim uma rocha de morada a que sempre me acolha. Tu hás ordenado que eu seja salvo, porquanto tu és a minha rocha e a minha fortaleza.” (v. 3). Aqui, o salmista descreve vividamente Deus como uma morada, uma rocha de habitação, em vez de simplesmente oferecer um escudo momentâneo, Deus oferece um refúgio permanente. Essa linguagem ressalta a relação da aliança: Deus ordenou a salvação para aqueles que confiam nele.

Ao se referir ao Senhor como uma fortaleza, o salmista revela sua compreensão do poder protetor de Deus. No contexto histórico do antigo Oriente Próximo, fortalezas robustas eram cruciais para a defesa contra exércitos. Ao chamar Deus de sua fortaleza, o salmista aplica o mesmo conceito espiritualmente, reivindicando um refúgio seguro e inexpugnável contra ameaças externas. A esperança é encontrar continuamente um lugar de refúgio na presença divina.

Além disso, a menção da ordem de Deus para salvar indica a autoridade divina sobre as circunstâncias do salmista. Nenhum adversário, humano ou espiritual,  pode se sobrepor ao decreto soberano emitido pelo Senhor. Este versículo ilustra a força que os crentes encontram em promessas seguras, enraizadas na natureza de Deus como uma rocha inabalável.

Em seguida, o salmista suplica: "Livra-me, Deus meu, da mão do iníquo, do poder do malfeitor e do violento" (v. 4). A situação desesperadora descrita destaca que os ímpios não são meros inconvenientes, mas ameaças ativas que buscam causar dano. A vítima se sente cercada pela injustiça e busca em Deus a libertação da perseguição avassaladora. Esta oração direta ressalta que o poder divino transcende os planos humanos.

O pedido repetido de socorro ressalta a urgência e a gravidade da situação. Nos escritos bíblicos, o mal é frequentemente retratado como uma força tanto social quanto espiritual. Aqui, a confiança do salmista na capacidade de Deus de prevalecer sobre qualquer maldade permeia toda a sua súplica. O apelo por libertação também tem implicações comunitárias, lembrando aos leitores que Deus intervém em favor daqueles que vivem pela fé.

Em tempos de crise, recorrer ao Senhor é um tema recorrente nas Escrituras, incluindo o exemplo do Novo Testamento de Jesus como o libertador supremo (conforme sua oração ao Pai em momentos de provação). O pedido do salmista está em consonância com o entendimento de que o verdadeiro resgate ocorre quando o crente se apoia no poder de Deus, em vez de recorrer a meios humanos ou estratégias astutas.

O salmo então proclama: "Pois tu és a minha esperança, Senhor Jeová; és a minha confiança desde a minha mocidade" (v. 5) essa confissão revela um padrão de confiança ao longo da vida. O salmista remete a experiências passadas, reconhecendo que, desde jovem, se apoiou no Senhor. Essa herança de fé sugere que o salmista testemunhou as intervenções constantes do Senhor ao longo dos anos, construindo um alicerce firme de esperança.

A esperança e a confiança são, aqui, os pilares de uma fé vibrante, representam mais do que meros desejos; refletem certeza e dependência do caráter de Deus. O termo Senhor DEUS também transmite uma profunda reverência, proveniente do nome sagrado da aliança de Deus, lembrando aos leitores que Deus é tanto mestre quanto intimamente relacionado.

Ao recordar sua juventude, o salmista aponta para a continuidade da fidelidade de Deus em todas as fases da vida. Essa reflexão ressoa entre os fiéis de todas as gerações, destacando que a comunhão com o Senhor pode começar cedo e perdurar até a velhice, moldando toda a identidade e perspectiva de cada um.

Finalmente, o salmista reconhece: "Em ti me tenho escorado desde que nasci; tu és aquele que me tiraste das entranhas de minha mãe." (v. 6). Este versículo reconhece o cuidado de Deus mesmo antes da compreensão consciente. Desde os primeiros momentos, Deus tem sido o verdadeiro cuidador, moldando cada elemento da existência em propósitos divinos.

A menção ao nascimento ressalta a total dependência de Deus, que formou e protegeu o salmista desde o princípio. No antigo Israel, o parto e a criação dos filhos eram vistos como momentos que exigiam a proteção especial de Deus. Ao afirmar que Deus o tirou do ventre de sua mãe, o salmista testemunha o profundo cuidado que se estende por toda a vida. O louvor, portanto, torna-se a resposta natural.

O louvor é a nota final, revelando que o coração do salmista está repleto de gratidão. Como toda a sua vida é sustentada pela presença do Senhor, o louvor surge em todas as circunstâncias. Esse reconhecimento do sustento divino desde o nascimento até a idade adulta convida os crentes de hoje a considerarem como a mão invisível de Deus também os sustentou, inspirando adoração e devoção.

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