
No Salmo 74:12-17, o escritor olha além de suas dificuldades imediatas e proclama sua confiança no reinado eterno de Deus, dizendo: Todavia, Deus é o meu Rei desde a antiguidade, obrando a salvação no meio da terra (v. 12). Ao declarar o Senhor como Rei desde a antiguidade, o salmista lembra a si mesmo e seus ouvintes que a soberania de Deus se extente até os primórdios da criação. Seu governo não depende de nenhuma instituição humana, pois Ele tem sido ativo e supremo desde a eternidade passada. Esse pensamento convida os crentes a confiarem na perspectiva eterna do Senhor ao enfrentarem as dificuldades atuais.
Tal declaração também convida a comunidade a lembrar como os resgates passados de Deus ilustram Sua dedicação contínua ao Seu povo. Ao longo de sua história, Israel enfrentou desafios como a escravidão no Egito, a peregrinação no deserto do Sinai e as ameaças das nações vizinhas. Contudo, o Deus que realizou obras de libertação naquela época continua a reinar com o mesmo poder e misericórdia. Essa perspectiva encoraja o salmista a passar do desespero à esperança.
Reconhecer a autoridade de Deus como rei desde a antiguidade reorienta a visão de mundo do crente, colocando todas as circunstâncias sob o cuidado de Deus. O salmista afirma que o Senhor continua a agir no meio da terra, cumprindo Seus propósitos de redenção e salvação. Isso ressalta a verdade de que os feitos do Criador no passado fornecem um alicerce de confiança para o presente e o futuro.
O salmista continua sua reflexão sobre as poderosas obras de Deus, recordando que Foste tu o que, pela tua força, dividiste o mar; esmigalhaste a cabeça dos monstros marinhos sobre as águas (v. 13). Esta imagem remete ao poder avassalador de Deus para dividir o mar, evocando a memória da travessia do Mar Vermelho (Êxodo 14). Embora o versículo não especifique o local pelo nome, a passagem milagrosa de Israel por uma imensidão de água representa um evento decisivo em que Deus demonstrou seu domínio sobre a natureza e as forças opostas.
A referência aos monstros marinhos, que podem simbolizar o caos no pensamento do antigo Oriente Próximo, revela a convicção mais profunda do salmista de que Deus triunfa sobre toda ameaça desordenada. Nesse contexto, a divisão do mar ressalta a provisão e a proteção do Senhor. O salmista está dizendo aos seus ouvintes para não temerem as circunstâncias turbulentas, porque a força de Deus excede todos os poderes, sejam eles reais, míticos ou simbólicos.
Para os crentes, este versículo nos lembra que a autoridade de Deus se estende a todas as formas de caos. No Novo Testamento, Jesus também demonstrou autoridade sobre o vento e as ondas, acalmando as tempestades que ameaçavam seus discípulos (Mateus 8:26). A mesma mão onipotente que abriu o mar para o antigo Israel continua a guiar e proteger o povo de Deus hoje.
Enfatizando ainda mais o poder de Deus, o salmista declara: Foste tu o que despedaçaste as cabeças do Leviatã e o deste por comida aos habitantes do deserto (v. 14). Leviatã frequentemente representa uma criatura marinha poderosa ou até mesmo uma personificação do mal ou do caos. Ao descrever sua derrota, o escritor destaca a capacidade de Deus de vencer toda força intimidadora que se opõe aos Seus propósitos.
Alimentar os habitantes do deserto com os restos do Leviatã ilustra a totalidade do triunfo de Deus. Não se trata apenas de um pequeno confronto ou um leve contratempo para um adversário monstruoso. Em vez disso, é uma vitória completa que não deixa dúvidas sobre a supremacia do Senhor. O próprio deserto, um lugar muitas vezes desolado, se torna um cenário onde o poder de Deus é magnificado por meio de Sua provisão para as criaturas mais humildes.
Os crentes podem encontrar coragem ao saber que não há poder cósmico tão grande que o Senhor não possa derrotar. Seja enfrentando provações pessoais ou conflitos de grande escala, podemos ter certeza de que a vitória de Deus sobre os adversários mais poderosos nas Escrituras aponta para a Sua capacidade inabalável de defender e proteger o Seu povo em todas as gerações.
Adiante, o salmista relembra a maravilha dos atos criativos de Deus, declarando: Foste tu o que abriste fontes e torrentes; tu o que fizeste secar rios perenes (v. 15). Isso destaca a autoridade do Senhor sobre as águas, tanto ao liberá-las para dar vida — dando propósitos — quanto ao retê-las para demonstrar Sua soberania. A imagem de abrir fontes ressalta o papel de Deus em sustentar a vida, enquanto secar rios reafirma Seu controle.
No antigo Israel, a água era frequentemente um símbolo tanto de bênção quanto de perigo potencial. As nascentes podiam nutrir as plantações e as pessoas, enquanto as enchentes podiam ameaçar o bem-estar. Ao exercer poder sobre as fontes e os rios, o Senhor demonstra que todos os recursos físicos operam sob Seus cuidados. Seu poder de prover e reter indica Seu lugar de direito como Aquele que administra a justiça e a misericórdia.
Esta lembrança nos convida a confiar que o mesmo Deus que pode prover o necessário para a sobrevivência também pode restringir as forças turbulentas para nossa proteção. Ela também nos remete a Jesus, que falou da água viva que traz a vida eterna aos que creem (João 4:14). O Deus que controla as águas da Terra é o mesmo Deus que oferece sustento espiritual.
Dando continuidade aos temas da criação, o salmista exalta o Senhor dizendo: Teu é o dia, também tua é a noite. Tu formaste a luz e o sol (v. 16). Aqui, o salmista reconhece o domínio de Deus sobre o próprio tempo. O dia e a noite não são meros fenômenos naturais, mas manifestações do plano e da provisão do Criador.
A luz e o sol servem a humanidade continuamente, marcando os dias e as estações. Ao reconhecer esses elementos como obra de Deus, o salmista convida os fiéis a louvarem o Senhor pelos ritmos rotineiros, porém surpreendentes, da vida. Nada do que acontece nesses ciclos escapa à Sua atenção ou ocorre à parte de Sua Palavra sustentadora.
Quando nos lembramos de que Deus colocou esses marcos celestiais em movimento, podemos confiar que Ele regula tanto os eventos comuns quanto os milagres extraordinários (para aprender mais sobre a criação dos astros e sua função no tempo e nas estações, leia nosso comentário sobre Gênesis 1:14-19). Nenhum aspecto da criação — seja cósmico ou minúsculo — existe fora de Sua autoridade. Essa verdade oferece conforto em tempos de dúvida, porque Aquele que criou o sol e a luz é também Aquele que traz iluminação espiritual aos corações por meio do evangelho (2 Coríntios 4:6).
Por fim, o salmista destaca a amplitude da obra criativa de Deus, afirmando: Foste tu o que determinaste todos os limites da terra; o verão e o inverno, tu os fizeste (v. 17). A referência aos limites da terra sugere o desígnio deliberado de Deus ao estabelecer limites para continentes, mares e regiões. Ao estabelecer limites físicos, o Senhor garante ordem e estrutura no mundo.
As estações do ano, como o verão e o inverno, também refletem os tempos determinados por Deus. Os ciclos agrícolas de Israel dependiam dessas mudanças sazonais, e o sucesso de suas colheitas era um testemunho contínuo do governo vigilante de Deus sobre a criação. Dos campos que amadurecem no calor do verão à terra em repouso no frio do inverno, a terra testemunha a fidelidade do seu Criador.
Para os crentes, essa representação dos ciclos sazonais nos encoraja a compreender que cada mudança de época carrega um propósito sob a orientação de Deus. Assim como as transições na natureza, nossa jornada espiritual passa por fases de crescimento, colheita, descanso e renovação. Confiar no Senhor quanto aos limites de nossas vidas nos ajuda a honrar o Seu tempo em todas as circunstâncias (Eclesiastes 3:1).
Usado com permissão de TheBibleSays.com.
Você pode acessar o artigo original aqui.
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