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Salmo 74:1-11 Explicação

O Salmo 74:1-11 começa com: Um Masquil de Asafe. Este breve título revela a autoria associada a Asafe, uma figura que serviu durante o reinado do Rei Davi por volta de 1000 a.C. Ele foi um proeminente líder levita na adoração e é muitas vezes reconhecido por composições que guiaram Israel em louvor e lamento. Sua atribuição aqui demonstra a natureza reflexiva e instrutiva deste salmo, que busca transmitir profunda sabedoria e profunda dependência de Deus em tempos de angústia nacional.

Embora situado séculos antes do exílio babilônico, muitos acreditam que este salmo ressoa com a destruição de Jerusalém, ocorrida em 586 a.C. Durante esse evento trágico, os exércitos invasores devastaram o Templo. Ao associar circunstâncias tão catastróficas a um líder espiritual reconhecido como Asafe, o salmo exorta as gerações futuras a firmemente ancorarem suas súplicas no caráter e nas promessas do Senhor. É um lembrete eterno de que, mesmo em meio às provações, os fiéis devem elevar suas vozes a Deus, lembrando-se de Suas alianças e buscando Sua presença restauradora.

Ó Deus, por que nos rejeitas para sempre? Por que se acende a tua ira contra as ovelhas do teu pasto? (v. 1) No clamor inicial, o salmista se dirige ao Senhor com total honestidade, sugerindo que a tragédia se abateu sobre o povo de forma tão pesada que parece que Deus os abandonou completamente. A expressão ovelhas do teu pasto evoca a aliança em que Deus é o Pastor e o seu povo deve estar sob os seus cuidados constantes e ternos (veja João 10:11 no Novo Testamento, onde Jesus é chamado de Bom Pastor). Contudo, neste momento, eles se sentem expostos e vulneráveis em meio à devastação.

O apelo também faz alusão à sensação da ira de Deus pairando sobre eles, representando o julgamento divino. Ao longo das Escrituras, a ira de Deus contra Israel geralmente está ligada à desobediência à aliança, chamando a nação ao arrependimento. Este versículo estabelece o tom de profundo lamento, questionando se a ira de Deus persistiu por tempo demais e implorando que Ele se compadeça pelo bem do Seu rebanho escolhido.

Lembra-te da tua congregação, que desde a antiguidade adquiriste, que remiste para ser a tribo da tua herança; e do monte Sião, no qual tens habitado (v. 2) Aqui, o salmista lembra ao Senhor o status especial que Israel possui como seu povo redimido — comprado e libertado, principalmente no evento do Êxodo do Egito por volta de 1446 a.C. Enfatizar o fundamento antigo dessa relação ressalta que a aliança se baseia em séculos de atos divinos de salvação.

A referência ao Monte Sião aponta para a colina sagrada de Jerusalém como o local simbólico de encontro entre Deus e o Seu povo. Este local, situado na região sul do que é hoje o moderno Estado de Israel, tinha um profundo significado como morada do nome do Senhor. Ao suplicar a Deus que se lembre dessas verdades, o povo demonstra fé de que a memória divina das promessas da aliança pode suscitar o Seu resgate e restauração.

Dirige os teus passos para as perpétuas ruínas, para todo o mal que o inimigo tem feito no santuário (v. 3) O salmista descreve uma cena trágica: o santuário, outrora o ponto central da adoração divina, agora está em ruínas. Ao invocar a Deus para que dirija os seus passos, o poeta usa a imagem de Deus se afastando como se estivesse ausente, e agora implora que Ele retorne e veja a devastação em primeira mão.

Essa linguagem evoca a dor profunda pela destruição do Templo, onde objetos sagrados foram roubados ou profanados. Os fiéis anseiam que Deus testemunhe seu sofrimento e traga uma resposta rápida. A sensação de desolação dentro dessas paredes contrasta fortemente com as bênçãos anteriores, incitando um apelo sincero por intervenção divina.

Os teus adversários bramiram no meio da tua assembleia; puseram por sinais as suas próprias insígnias (v. 4). Os inimigos agora desfilam seus emblemas de vitória onde antes se erguiam os símbolos de adoração de Israel. Essa cena é particularmente angustiante porque sinaliza uma completa inversão: o local destinado a honrar o Senhor foi tomado para o triunfo por aqueles que não o conhecem.

O rugido demonstra o ápice da arrogância diante do Altíssimo, desafiando Sua soberania. Ao reconhecer esses conquistadores como Seus adversários, o salmista enfatiza que, em última análise, é a honra de Deus que está em jogo, tanto quanto o sofrimento do Seu povo, e eles oram desesperadamente para que Ele defenda o Seu nome.

Pareciam homens que, de machados alçados, rompem através de espessa mata de árvores (v. 5). Este breve versículo compara a devastação dentro do Templo a um lenhador brutalmente derrubando árvores. Os vasos sagrados, as obras de arte esculpidas e o trabalho artesanal que outrora adornavam o santuário, destinados a inspirar reverência, são retratados como vítimas de um ataque implacável.

A linguagem figurada sugere a insensibilidade e a frieza dos invasores. O salmista lamenta a destruição de objetos preciosos e sagrados, comparando a insensibilidade dos agressores à de trabalhadores que cortam madeira sem piedade. Resumindo, tudo o que é refinado e significativo é destruído sem qualquer cuidado.

Agora, a esses lavores de escultura, à uma, eles os estão despedaçando a machado e martelos (v. 6). A descrição poética de machados e martelos intensifica a dor, destacando a natureza intencional da ruína. Não se tratou de um incêndio acidental ou de um dano aleatório — foi uma profanação deliberada e completa do lugar sagrado.

As esculturas tinham um significado sagrado, muitas vezes seguindo desenhos ordenados pelo próprio Deus. Ao destruí-las rapidamente, o inimigo demonstra total desprezo pelo legado espiritual dos israelitas. Para os adoradores, isso aprofunda o sentimento de perda espiritual, pois as expressões tangíveis da presença de Deus entre eles jazem despedaçadas.

Deitaram fogo ao teu santuário; profanaram, derrubando-a até o chão, a morada do teu nome (v. 7). O lamento se intensifica: não apenas o Templo foi destruído, mas também profanado pelo fogo. Incendiar um santuário era um gesto final de desprezo, deixando ruínas carbonizadas onde outrora floresceram o culto e o sacrifício.

O povo sempre soube que o Templo era a morada do nome de Deus — ou seja, Sua reputação e presença se manifestavam ali. Vê-lo profanado abala toda a sua base espiritual. Esse quadro sombrio mostra como nada sagrado parece estar fora do alcance do inimigo, deixando os fiéis em profunda tristeza e confusão.

Disseram no seu coração: Acabemos com eles de uma vez. Incendiaram todas as casas de Deus na terra (v. 8). Os agressores operam com uma estratégia coordenada, determinados a destruir Israel, aniquilando todos os locais de culto. Estas casas de Deus podem ter incluído assembleias menores ou outros pontos centrais onde o povo se reunia para orar e aprender sobre os caminhos do Senhor.

Essa destruição generalizada sugere um esforço para erradicar não apenas uma nação, mas todo o testemunho de Deus entre eles. Implica que os conquistadores visam silenciar a voz da fé. Em resposta, o salmista lembra a Deus dessas ambições descaradas, apelando a ele para vindicar o seu povo e o seu santo nome.

Os nossos símbolos, não os vemos; não há mais profeta; não há entre nós quem saiba até quando (v. 9). O salmista lamenta a ausência da orientação divina, se referindo à perda das vozes proféticas. Onde antes surgiam os mensageiros de Deus, agora só há silêncio e incerteza. Os símbolos que Israel outrora via — fossem libertações milagrosas ou demonstrações visíveis do favor de Deus — desapareceram.

A crise se agrava quando não há uma direção clara do Senhor. Ao longo da história bíblica, os profetas desempenharam papéis cruciais na revelação da vontade de Deus. Com a ausência deles, a gravidade da situação se confirma: o povo se sente abandonado e às cegas, incerto sobre quanto tempo seu sofrimento persistirá e ansiando desesperadamente por uma palavra do céu.

Até quando, ó Deus, ultrajará o adversário? Acaso, blasfemará o inimigo o teu nome para sempre? (v. 10) O salmista passa da descrição da catástrofe para o questionamento da cronologia da aparente inação de Deus. Até quando? é um clamor frequente nas Escrituras quando os crentes enfrentam aflições prolongadas (veja Apocalipse 6:10 para um apelo semelhante). Transborda a convicção de que as circunstâncias atuais não condizem com a natureza justa e misericordiosa de Deus.

A zombaria contínua do inimigo fere profundamente porque desonra o nome do Senhor. Ao rotular o nome de Deus como blasfemado, este versículo destaca a tensão entre a glória divina e as forças destrutivas. O salmista insiste que tal opróbrio constante inevitavelmente encontrará o julgamento do Senhor.

Por que retrais a tua mão, a tua destra? Tira-a do teu seio e dá cabo deles (v. 11) O lamento final questiona por que o poder de Deus (sua mão destra frequentemente simboliza força ou soberania) permanece inutilizado. O poeta imagina o Todo-Poderoso mantendo seu poder salvador oculto em suas vestes, em vez de usá-lo para defender seu povo.

Um pedido tão ousado revela a intensidade da fé do salmista, mesmo que pareça frustrada. Ele expressa uma crença inabalável de que Deus pode — e deve — agir para vencer o opressor. Este versículo final prepara o terreno para o restante do salmo, clamando ao Senhor para que se revele e, em última instância, restaure a esperança ao seu povo.

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