
No Salmo 73, atribuído a Asafe, o salmista contrasta a aparente prosperidade dos ímpios com a segurança eterna daqueles que confiam no Senhor. Próximo do final do Salmo 73:25-28, ele proclama: Quem, senão a ti, tenho eu nos céus? Não há na terra quem eu deseje além de ti. (v. 25). Esta declaração sincera coloca o foco exclusivamente em Deus como a única fonte confiável e plena de esperança. Mesmo quando as pessoas ou os bens materiais possam desaparecer, o crente descobre que somente o Senhor é suficiente para suprir todas as suas necessidades.
Ao dizer Quem, senão a ti, tenho eu nos céus?, Asafe contempla Deus como o ápice da alegria, mesmo além da existência terrena. Antes, o salmista se perturbava ao observar o aparente triunfo dos arrogantes, mas agora reconhece que o próprio céu nada é sem a presença de Deus. Isso demonstra um amor profundo que não se resume a bênçãos terrenas, mas sim ao valor essencial de Deus. Por mais sublime que seja o reino celestial, o salmista compreende que a verdadeira plenitude provém unicamente do Todo-Poderoso.
Quando afirma Não há na terra quem eu deseje além de ti, o salmista enfatiza a futilidade das ambições mundanas depois que experimentamos a plenitude da comunhão com Deus. Independentemente de se possuir riquezas ou não, o significado e a segurança mais profundos residem no amor eterno do Criador. Essa perspectiva antecipa o tema do Novo Testamento de buscar primeiro o reino de Deus, reconhecendo que todas as outras coisas empalidecem em comparação (Mateus 6:33).
Continuando, o salmista confessa: Desfalecem a minha carne e o meu coração; do meu coração, porém, Deus é a fortaleza e o meu quinhão, para sempre (v. 26). Nessa vulnerável admissão, Asafe reconhece a fraqueza humana e a inevitável deterioração do corpo físico. Apesar das provações que afetam seu bem-estar mental e emocional, ele olha para Deus como um alicerce eterno. Tal linguagem oferece esperança: embora a mortalidade seja certa, o auxílio divino permanece firme e eterno.
Ao chamar Deus de sua fortaleza e quinhão, Asafe implica que o Senhor é tanto sua segurança quanto sua herança. No antigo Israel, cada família possuía uma porção de terra, um legado transmitido através das gerações. Asafe usa essa imagem para enfatizar que o próprio Senhor é a posse suprema que perdura além da vida terrena. Essas palavras ressoam com a ideia de que uma pessoa pode suportar as provações presentes quando vê Deus como sua recompensa eterna (2 Coríntios 4:17-18).
Essa perspectiva traz paz à alma do salmista. Embora o corpo se canse e o coração possa vacilar, o poder de Deus é imutável. A promessa da presença divina alimenta a perseverança, mesmo em meio às adversidades da vida. Como levita nos dias do reinado de Davi, Asafe teria testemunhado tempos de triunfo e tempos de lamento, mas aqui ele destaca que a força inabalável só pode vir de permanecer no Senhor.
Ele diz ainda: Pois eis que hão de perecer os que se apartam de ti; exterminarás a todos os que se desviam de ti (v. 27). Em vez de se alegrar com a destruição, Asafe usa essa verdade para ilustrar o fim insensato da infidelidade. Aqueles que se distanciam intencionalmente da fonte divina da vida caminham para a ruína espiritual. No fim das contas, seu afastamento de Deus leva à sua queda, refletindo a realidade de que a separação do Doador da vida resulta na ausência da graça sustentadora.
Esta advertência ressalta a bênção de permanecer perto de Deus. Ao longo da história de Israel, desde Abraão (por volta de 2000 a.C.) até Davi (1010-970 a.C.), a fidelidade à aliança trouxe bênçãos, enquanto a idolatria e o orgulho levaram a desastres nacionais e pessoais. As palavras de Asafe aqui servem como um lembrete de que se afastar de Deus tem consequências duradouras, tanto no presente quanto na vida futura (Romanos 6:23).
O julgamento de Deus sobre os infiéis revela Seu compromisso com a justiça. Em versículos anteriores do Salmo 73, Asafe lutou contra a inveja dos ímpios, mas chega a uma conclusão sóbria: aqueles que rejeitam os caminhos de Deus não escapam da prestação de contas. Essa percepção oferece encorajamento a todos que se questionam sobre o desfecho final do mal e exorta os leitores a alinharem seus corações à vontade do Senhor.
Finalmente, ele conclui: Mas, quanto a mim, bom é aproximar-me de Deus; no Senhor Jeová, ponho o meu refúgio, para que eu fale de todas as suas obras (v. 28). Aqui, Asafe proclama que o maior bem em sua vida é a proximidade com o Todo-Poderoso. A proximidade com Deus supera quaisquer ofertas temporárias do mundo. Ele repousa no refúgio divino que o protege do desespero e lhe concede um lugar de segurança permanente. A verdadeira vida, declara ele, é descoberta na comunhão com o Criador.
Ao se entregar completamente ao Senhor, o salmista encontra um novo propósito: compartilhar as maravilhas de Deus com os outros. Essa devoção inabalável inspira louvor e testemunho. Em vez de permanecer focado em suas próprias lutas ou no sucesso dos ímpios, Asafe se volta para testemunhar sobre a fidelidade e as obras poderosas de Deus (1 Pedro 2:9). Isso culmina em uma demonstração de gratidão, celebrando como o refúgio e a proximidade de Deus trazem paz e propósito.
Assim, a mensagem do Salmo 73 conclui: permanecer perto de Deus culmina em uma vida moldada por Sua presença, ancorada em Sua proteção e repleta do testemunho de Sua bondade. Não apenas resolve o conflito interior do salmista, mas também redireciona todo o temor reverencial para o Senhor, cuja graça salvadora permanece para sempre firme.
Usado com permissão de TheBibleSays.com.
Você pode acessar o artigo original aqui.
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