
O salmista relata a obstinação dos israelitas no Salmo 78:17-20, dizendo: Todavia, ainda prosseguiram em pecar contra ele, rebelando-se contra o Altíssimo no deserto (v. 17). Estas palavras revelam o ciclo contínuo de desobediência que afligia o povo escolhido de Deus, mesmo após terem experimentado Sua orientação e provisão milagrosas. A expressão no deserto esta se referindo ao deserto do Sinai, onde os israelitas vagaram após a libertação do Egito, por volta de 1446 a.C. Apesar de terem testemunhado as poderosas obras do Senhor, persistiram na infidelidade, o que ilustra a rapidez com que o coração humano pode se voltar da gratidão para a dúvida.
Este versículo afirma que o povo continuou a pecar contra o Altíssimo, apontando para a suprema autoridade de Deus sobre toda a criação. Em vez de responderem à Sua soberania com reverência, os israelitas desafiaram as Suas diretrizes. A sua rebelião no deserto incluiu queixas, idolatria e recusa em confiar no plano protetor de Deus. A narrativa destaca que o pecado é mais do que atos isolados; é uma condição do coração que se manifesta repetidamente se não for tratada.
Essa rebelião não foi apenas um teste à paciência humana, mas também um teste à fé no Senhor. Essa dinâmica ressoa poderosamente em todo o testemunho das Escrituras, chamando os crentes a examinarem seus próprios corações em busca de qualquer falta de fé persistente. No Novo Testamento, o autor de Hebreus exorta os crentes a não endurecerem seus corações como aqueles no deserto, mas a se submeterem à graciosa orientação de Deus e confiarem em Suas promessas (Hebreus 3:7-8).
Passando para a estrofe seguinte, o salmo continua: Tentaram a Deus nos seus corações, pedindo comida segundo o seu apetite (v. 18). Em sua jornada pelo deserto, os israelitas não apenas pecaram, mas também deliberadamente desafiaram a disposição e a capacidade de Deus de cuidar deles. Eles ansiavam por segurança em seus próprios termos, demonstrando uma perigosa combinação de orgulho e dúvida. Seu pedido de alimento não era um simples pedido; era um ultimato que questionava o caráter fiel de Deus.
Em um nível mais profundo e íntimo, esse ato revela a profundidade de sua incredulidade. Ao pôr Deus à prova, os israelitas buscavam provas concretas de que Ele cumpriria Sua aliança. Isso contrastava fortemente com a postura da fé genuína, que crê na Palavra e nas promessas de Deus sem exigir sinais constantes. O contexto do deserto tornou sua exigência ainda mais evidente — não havia outra fonte de sustento, e mesmo assim eles se recusavam a confiar no cuidado de Deus.
Essas provações também destacam a tendência da humanidade de reduzir Deus a um servo de nossos apetites quando surgem dificuldades. Mais tarde, Jesus enfrenta uma tentação semelhante no deserto, onde é instado a transformar pedras em pão para satisfazer a fome humana (Mateus 4:3-4). Naquele momento, Cristo demonstra a resposta fiel que faltou aos israelitas. Ele escolhe a confiança em vez da provação, exemplificando a obediência à Palavra de Deus acima do desejo físico imediato.
O texto continua com um desafio direto ao poder de Deus: Falaram contra Deus, disseram: Porventura, pode Deus preparar uma mesa no deserto? (v. 19). Essa pergunta reflete a visão limitada que o povo tinha de Deus, como se o Seu poder criador e sustentador pudesse, de alguma forma, falhar. Apesar de ter conduzido o povo para fora do Egito e através do Mar Vermelho, eles ainda questionavam se Ele poderia alimentá-los adequadamente no ambiente árido do Sinai.
A expressão preparar uma mesa sugere não apenas o fornecimento de alimentos, mas fazê-lo de uma forma que atenda a todas as necessidades. Para aqueles que vagam pelas duras condições do deserto, uma mesa simboliza abundância, estabilidade e segurança — conceitos que parecem inatingíveis em uma paisagem hostil. Contudo, a libertação que Deus proporcionou no passado já havia oferecido inúmeros exemplos de Seu compromisso em suprir todas as suas necessidades.
A essência deste versículo transmite o perigo de esquecermos os milagres do passado. Na prática moderna, os crentes podem enfrentar períodos de aridez — momentos ou circunstâncias em que a provisão parece impossível. O Salmo 78 nos exorta a não perdermos de vista a fidelidade de Deus. Em vez disso, somos chamados a lembrar que Aquele que proveu no passado continua sendo o mesmo Deus hoje (Hebreus 13:8), digno de nossa total confiança.
A pergunta culminante surge no versículo seguinte: Eis que feriu a rocha, e brotaram águas, e torrentes trasbordaram. Pode ele também dar pão? Acaso, fornecerá carne ao seu povo? (v. 20). Aqui, o salmo faz referência ao evento milagroso em que a água jorrou da rocha, um ato que ocorreu durante a jornada de Israel pelo deserto sob a liderança de Moisés. Embora Moisés não seja mencionado aqui, o evento histórico data de meados do século XV a.C., aproximadamente na mesma época, demonstrando o poder de Deus de forma inconfundível.
O povo apontou para esse evento como prova do poder de Deus, mas ainda questionava se o Senhor poderia prover pão e carne. Sua lembrança seletiva revela um padrão de dúvida: reconhecem um milagre, mas exigem outro antes de depositarem plenamente sua confiança. Isso não apenas desconsidera o poder do Senhor, mas também ignora Sua amorosa intenção de sustentá-los dia após dia.
Em um sentido mais amplo, isso serve como um lembrete de que a provisão de Deus se estende muito além do reino físico. Na era do Novo Testamento, Jesus se proclama o Pão da Vida, oferecendo sustento eterno a todos os que creem (João 6:35). Essa declaração satisfaz e supera as necessidades físicas de pão que os israelitas exigiam. Onde eles questionavam, Cristo reafirma a disposição e o poder do Pai em prover, tanto física quanto espiritualmente.
Usado com permissão de TheBibleSays.com.
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