
O Salmo 78:40-53 descreve o povo de Israel rebelando-se repetidamente, como diz o salmista: Quantas vezes se rebelaram contra ele no deserto e o agravaram no ermo! (v. 40). A rebeldia repetida do povo destaca o esquecimento dos atos salvadores de Deus, e como sua desobediência causou dor a Deus. Aqui, o termo deserto faz uma referência à vasta e árida região desértica pela qual os israelitas viajaram logo após saírem do Egito. A rebelião naquela região indicava que o povo não estava internalizando os mandamentos de Deus nem confiando em Sua liderança. Suas ações O entristeceram porque persistiram na dúvida, apesar de terem visto Sua orientação milagrosa. Este versículo enfatiza que a infidelidade persistente leva à tristeza, não apenas para nós, mas para o próprio Deus.
O salmista então enfatiza a natureza contínua desse desafio ao escrever: Eles voltaram, e tentaram a Deus, e provocaram o Santo de Israel (v. 41). Esta frase mostra como o povo testou a paciência de Deus. Embora Deus, em Sua misericórdia, providenciasse alimento, proteção e passagem segura, os israelitas continuaram a duvidar Dele. A expressão Santo de Israel destaca Sua santidade e o relacionamento da aliança, colocando o Senhor acima de todos os ídolos ou deuses das nações vizinhas. A tentação que exerceram sobre Deus não foi meramente uma desobediência impulsiva, mas um teste persistente de Seus limites, questionando Sua capacidade e disposição de cuidar deles.
O salmista lamenta: Não se lembraram do poder dele, nem do dia em que os remiu do adversário (v. 42). Este versículo expressa a tristeza pela falha dos israelitas em lembrar da poderosa libertação realizada por Deus. Sua redenção remete ao Êxodo, o tempo em que Deus libertou o seu povo da opressão egípcia. O adversário, naquele contexto histórico imediato, era Faraó e seu regime opressor. Esquecer as poderosas obras de Deus leva à acomodação espiritual, e o salmo enfatiza como lembrar da libertação divina deve alimentar a fé contínua.
O texto narra de como fez no Egito os seus sinais e os seus prodígios, no campo de Zoã (v. 43), fazendo referência às maravilhas extraordinárias que Deus realizou sobre o império egípcio. O Egito era um poderoso reino às margens do Rio Nilo, rico em história e cultura. Zoã, também conhecida como Tânis, era uma cidade na região do Delta do Nilo, um importante centro do poder egípcio. Esses sinais e prodígios são uma referência às pragas registradas no livro do Êxodo, demonstrando a superioridade do Senhor sobre os governantes terrenos e as divindades pagãs. O salmista convida o leitor a lembrar desses eventos e a confiar que Deus ainda manifesta o Seu poder em favor do Seu povo.
Ele destaca uma dessas maravilhas: Convertendo em sangue os rios deles e as suas correntes, para que delas não bebessem (v. 44). Isso corresponde diretamente à primeira praga que Deus enviou ao Egito, transformando o Nilo em sangue (para saber mais sobre a introdução das pragas e como o primeiro sinal de Deus no Egito tornou o Nilo impróprio para consumo, leia nosso comentário sobre Êxodo 7:14-25). Ao atingir o Nilo, a fonte de vida da civilização egípcia, o verdadeiro Deus demonstrou que a Sua autoridade se sobrepunha até mesmo aos recursos naturais mais venerados. Esse julgamento aparentemente severo tinha o propósito tanto de humilhar o Egito quanto de fortalecer a fé de Israel.
A descrição continua: Enviou-lhes enxames de moscas, que os devoraram, e rãs, que os destruíram (v. 45). Essas pragas ocorreram logo em seguida na narrativa do Êxodo (para saber como as pragas de rãs, mosquitos e moscas revelam o poder e o julgamento de Deus no Egito, leia nosso comentário sobre Êxodo 8). Moscas em números avassaladores invadiram literalmente todos os espaços, enquanto rãs infestaram as casas e palácios dos egípcios. Em uma cultura que reverenciava várias divindades da natureza, incluindo rãs, a demonstração de Deus mostrou que Ele era o verdadeiro soberano sobre a criação. Esses sinais miraculosos serviram como prova de Seu poder incomparável.
O salmista continua: Entregou às lagartas as novidades deles e aos gafanhotos, os frutos do seu trabalho (v. 46). O Egito, que se orgulhava da agricultura alimentada pelas férteis margens do Nilo, viu seu sustento ser devastado por hordas de insetos (para saber mais sobre a praga de gafanhotos, consulte nosso comentário sobre Êxodo 10: 1-20). No mundo antigo, enxames de gafanhotos podiam dizimar colheitas inteiras, causando ruína a qualquer nação. Essa praga foi um ataque direto ao seu sustento e uma revelação do poder de Deus para perturbar toda forma de segurança humana.
A devastação continua: Destruiu com saraiva as vinhas deles e os seus sicômoros, com chuva de pedra (v. 47). O texto relembra a sétima praga (para saber mais sobre a sétima praga, consulte nosso comentário sobre Êxodo 9: 23-26), quando Deus desencadeou trovões e granizo sobre a terra do Egito. Vinhas e sicômoros eram partes cruciais do ecossistema agrícola, portanto, seus danos sinalizavam não apenas perdas econômicas, mas também um desafio à reverência dos egípcios por vários deuses da natureza. O contraste aqui é gritante: as forças naturais, nas quais as pessoas frequentemente confiam, se submetem à vontade de Deus.
A natureza continuou a obedecer ao mandamento divino: Entregou à saraiva o gado deles e aos raios, os seus rebanhos (v. 48). O gado era outro pilar da riqueza egípcia, usado na agricultura, na alimentação e também em sacrifícios religiosos. Ao permitir que seus animais morressem, Deus demonstrou Sua supremacia, derrubando efetivamente símbolos de orgulho. Essa devastação demonstrou como nenhuma fortaleza, seja física ou econômica, poderia permanecer de pé a menos que fosse protegida pelo Senhor de toda a criação.
O salmista observa que Sobre eles lançou o furor da sua ira, cólera, indignação e calamidade — tropel de anjos importadores de males (v. 49). Embora a ideia de anjos importadores de males possa parecer severa, esses agentes de julgamento ressaltavam a gravidade da opressão orgulhosa do Egito. Exemplos de Deus usando forças angelicais aparecem em outras passagens das Escrituras para transmitir o Seu rápido julgamento sobre aqueles que se opõem ao Seu plano (2 Reis 19:35). A ira de Deus mostra que a injustiça e a infidelidade precisam ser combatidas, mas Ele usa esses eventos para promover o Seu propósito redentor para o Seu povo.
Ele então preparou o caminho para esse julgamento iminente, assim como Deu livre curso à sua ira; não poupou da morte a alma deles, mas a sua vida a entregou à pestilência (v. 50). Em outras palavras, Deus removeu toda obstrução que pudesse ter protegido os egípcios de vivenciar as consequências de sua contínua rebeldia. A praga é um sério lembrete de que as ações têm peso moral. Para aqueles que continuamente se opõem aos Seus caminhos, Deus permite o julgamento como um meio de revelar a gravidade do pecado e a necessidade da redenção.
Em um golpe final e devastador, Feriu todos os primogênitos no Egito, primícias da força deles nas tendas de Cam (v. 51). Isso relata a décima e última praga (para saber mais sobre a décima praga e como a morte dos primogênitos trouxe julgamento sobre o Egito e libertação para Israel, leia nosso comentário sobre Êxodo 12:29-36 ). As tendas de Cam referemse à linhagem de Cam, um dos filhos de Noé, tradicionalmente associada ao Egito. Essa praga teve como alvo os primogênitos e os animais, atingindo o âmago da identidade e da perpetuidade egípcias. Embora severa, serviu como o ato decisivo que libertou Israel da escravidão, prefigurando a libertação sacrificial de Cristo (João 1:29) para aqueles que estavam sob o jugo do pecado.
Contudo, o mesmo Deus que feriu o opressor protegeu ternamente o Seu povo: Mas ele fez partir o seu povo como ovelhas e guiou-os no deserto como um rebanho (v. 52). A metáfora do pastoreio destaca a Sua suave condução de Israel. Ele não apenas quebrou as suas correntes; Ele os amparou quando estavam mais vulneráveis. O deserto, muitas vezes hostil e imprevisível, ficou suportável sob o cuidado vigilante de Deus. Esta imagem pastoral antecipa Jesus referindo a Si mesmo como o Bom Pastor, cuidando do Seu rebanho (João 10:11).
Na transição da turbulência do julgamento do Egito, o salmista declara que Conduziu-os em segurança, de modo que não tiveram medo; mas aos seus inimigos, o mar os submergiu (v. 53). De fato, Deus não apenas guiou Israel através do Mar Vermelho, mas também engoliu o exército do Faraó nas mesmas águas que se abriram para o Seu povo (para ver como o SENHOR guiou Israel através do Mar Vermelho e levou as forças egípcias à ruína nas mesmas águas, consulte nosso comentário sobre Êxodo 14:15-31). Esse evento assegurou a Israel o compromisso incomparável de Deus em libertá-los. A segurança em meio ao perigo era um sinal da soberania de Deus e prenunciava a vitória final que os crentes encontram no triunfo de Cristo sobre todo inimigo espiritual (1 Coríntios 15:57).
Usado com permissão de TheBibleSays.com.
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