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Salmo 79:1-7 Explicação

O Salmo 79:1-7 começa com Salmo de Asafe. Este título remete a Asafe, um proeminente cantor levita que serviu durante o reinado do Rei Davi, por volta de 1000 a.C. No antigo Israel, levitas como Asafe lideravam o povo na adoração e no louvor, ressaltando a dimensão profundamente comunitária e musical das orações oferecidas a Deus na época de Davi. Ao associar esta oração a Asafe, o texto adquire um tom solene e um peso espiritual para a congregação.

A vida de Asafe se situa durante uma era de ouro para Israel, que testemunhou tanto a consolidação do reino sob o reinado de Davi quanto a eventual construção do templo por Salomão (concluído por volta de 957 a.C.). Contudo, o tom emocional aqui, quando lido à luz dos eventos futuros, é de lamento pela devastação que se abateria sobre Jerusalém. Mostra que a comunidade de fé, abrangendo diferentes gerações, é convidada a se conectar com a dor da destruição e a esperança da restauração.

Assim como outras orações atribuídas a Asafe, esta petição começa em um momento de angústia, ao mesmo tempo que expressa o desejo pela intervenção de Deus. Ela serve como um chamado atemporal para que os fiéis se lembrem de que, ao longo da história, vozes de lamento se ergueram ao Senhor em tempos de necessidade, na expectativa de que Ele traria cura e vindicação.

O salmista suplica: Ó Deus, as nações entraram na tua herança; profanaram o teu santo templo, reduziram Jerusalém a ruínas (v. 1). A menção às nações invasoras destaca uma crise coletiva que se abateu sobre o povo de Deus, que se considerava administrador da terra prometida por Deus. A referência à tua herança sublinha a relação especial da aliança de Israel, confiada a eles por meio de figuras como Abraão e Moisés, e reafirmada na era do Rei Davi.

Esta queixa está centrada na profanação do santo templo, que em Jerusalém era o ponto central de adoração e ofertas sacrificiais ao Senhor. Jerusalém, por sua vez, é uma cidade situada no alto das colinas acidentadas da Judeia, conhecida por sua posição dominante e profundas raízes históricas que remontam à conquista da cidade pelo Rei Davi por volta de 1000 a.C. Ela se tornou um símbolo da presença e do domínio de Deus, portanto, sua destruição pelas mãos do inimigo representou uma devastação tanto física quanto espiritual.

Neste lamento, quando o santo templo é profanado e Jerusalém é destruída, indica uma reversão das bênçãos e um colapso da estabilidade. O salmista vê a queda da cidade santa não apenas como uma derrota militar ou política, mas como uma profunda crise na vida de fé. Esta cena dolorosa aponta para a esperança final de que Deus restaurará o Seu povo e o Seu lugar santo, esperança essa que se cumprirá plenamente quando a adoração for renovada e encontrada em plenitude em Jesus, que ensinou que os verdadeiros adoradores adorariam em espírito e em verdade (João 4:23).

Em seguida, o salmista lamenta: Deram os cadáveres dos teus servos para servirem de pasto às aves do céu, a carne dos teus santos, aos animais da terra (v. 2). Esta é uma descrição arrepiante de completa desgraça, mostrando o quão longe o povo de Deus caiu de sua condição de devoção e proteção sob a aliança.

A profanação dos corpos caídos reflete a severa humilhação que assolou Israel. Deixar os corpos sem serem enterrados não era apenas uma questão de dignidade pessoal, mas também um sinal de julgamento divino na mente dos antigos israelitas, expressando como a sociedade havia se desintegrado diante da conquista estrangeira. Não restava qualquer senso de honra para com os mortos; o que outrora fora um povo de vocação sagrada parecia abandonado.

Contudo, mesmo em meio a essa tristeza, eles permanecem identificados como Teus servos e Teus santos. Isso indica que, apesar da situação humilhante, sua identidade de aliança com o Senhor ainda os define. O sofrimento que enfrentam se torna o fundamento de seu pedido de libertação, apontando para a promessa de que Deus não os esqueceu e um dia os vindicará, assim como vindica todos os que permanecem fiéis (2 Timóteo 2:13).

Com ainda mais angústia, o salmista clama: Derramaram como água o sangue deles em redor de Jerusalém, e não havia quem lhes desse sepultura (v. 3). Jerusalém, tantas vezes retratada como a cidade sagrada da paz, é agora um lugar encharcado no sangue de seus próprios defensores e cidadãos.

Essa imagem gráfica simboliza a completa destruição da vida normal. Na antiguidade, o ato de sepultamento era uma prática essencial, profundamente ligada à honra familiar e ao respeito pelo falecido. A ausência de quaisquer ritos ou rituais funerários sugere que a destruição foi tão avassaladora e repentina que até mesmo os atos básicos de cuidado e dignidade humana foram suprimidos.

Em meio à dor, o tema do sangue inocente derramado evoca a compreensão bíblica de que o sangue dos justos clama a Deus por justiça (Gênesis 4:10). Na narrativa maior das Escrituras, tal injustiça encontra, por fim, sua solução na obra redentora de Jesus, cujo próprio sangue foi derramado para abrir caminho para a verdadeira reconciliação (Hebreus 9:14).

O salmista confessa: Somos feitos o opróbrio dos nossos vizinhos, o escárnio e a zombaria dos que nos rodeiam (v. 4). Outrora um reino orgulhoso sob a proteção do Senhor, Israel agora enfrenta o desprezo das nações vizinhas. Esses vizinhos podem se referir a povos como os edomitas, moabitas e amonitas — tribos que habitavam regiões a leste e ao sul de Judá — que há muito competiam ou nutriam inimizade com Israel.

Esse estado de desonra é uma evidência para o colapso social de um povo outrora honrado. Eles são alvo de zombaria, trazendo vergonha não apenas para si mesmos, mas aparentemente também para o nome do Deus a quem serviam. No passado, os triunfos de Israel eram vistos como um testemunho do poder do Senhor, mas agora sua queda serve de munição para o ridículo.

Ainda assim, o lamento expressa uma relação contínua com Deus, apesar da vergonha pública. As Escrituras frequentemente destacam que aquilo que o mundo descarta, Deus pode usar poderosamente em Seu plano de redenção (1 Coríntios 1:28). Embora a humildade e o quebrantamento marquem esta época, é precisamente em tais momentos que a força do Senhor pode se tornar mais evidente.

Um clamor se eleva: Até quando, Jeová, estarás tu sempre irado? Arderá o teu zelo como fogo? (v. 5). Questões de duração e finalidade revelam a angústia e a vulnerabilidade de um povo que conhece a Deus como justo e misericordioso. A menção ao zelo divino frequentemente transmite a ideia de que Deus guarda com paixão a Sua aliança.

A pergunta do salmista, Até quando, é um refrão bíblico que ressoa em muitos lamentos (Salmo 13:1; Apocalipse 6:10). Ela afirma que a fé genuína não se cala diante do sofrimento, mas clama a Deus por respostas. Esse tipo de oração demonstra tanto desespero quanto confiança, mantendo a crença de que a ira de Deus se transformará em compaixão se o Seu povo se arrepender sinceramente e buscar a Sua face.

A imagem específica do fogo ardente ressalta o aspecto purificador da disciplina de Deus. Embora Seu julgamento possa ser como brasas ardentes, ele purifica e remove a corrupção. Por fim, a provação ardente resulta em uma comunidade humilde que deposita sua esperança na misericórdia de Deus para restaurar o que foi quebrado e perdido, refletindo um lembrete gentil de que Deus permanece fiel à Sua aliança.

O salmista implora: Derrama o teu furor sobre as nações que não te conhecem e sobre os reinos que não invocam o teu nome (v. 6). Há uma mudança de tom, da lamentação pela situação difícil de Israel para um apelo para que Deus direcione a sua justa ira contra aqueles que o desprezam. Aqui, os hebreus suplicam por intervenção divina contra potências estrangeiras que infligiam sofrimento de forma impiedosa.

Este pedido reflete o reconhecimento de limites espirituais: aqueles que se recusam a conhecer a Deus ou a buscar os Seus caminhos, se opõem ao Seu governo. Na visão de mundo de Israel, a rebelião persistente contra o Senhor atrai o Seu justo julgamento. Ao chamar a atenção para reinos hostis, o salmista busca uma reordenação do poder onde a justiça de Deus proteja os fiéis e responsabilize os ímpios.

Na grande narrativa bíblica, tais apelos por julgamento também carregam um anseio pela prevalência da justiça. Os cristãos compreendem esse desejo pela justiça de Deus à luz do reinado final de Cristo, onde todo joelho se dobrará e reconhecerá a Sua autoridade (Filipenses 2:10). O forte apelo à ira aqui deve ser equilibrado com o coração de Deus para o arrependimento e a salvação de todos os que sinceramente O buscam.

Finalmente, o salmista revela a principal preocupação: Porque eles devoraram a Jacó e devastaram a sua habitação (v. 7). Jacó é usado aqui como uma referência poética à nação descendente do patriarca Jacó, que viveu aproximadamente entre 2006 a.C. e 1859 a.C. Isso ressalta a profundidade da identidade de Israel como o povo da aliança de Deus.

O grito devastaram Jacó retrata uma hostilidade implacável e brutal. Tudo o que proporcionava estabilidade e segurança — os campos, as aldeias e a vida comunitária — foi consumido pela agressão de inimigos estrangeiros. A pátria, outrora prometida e cultivada por gerações, agora está em ruínas, pondo em xeque o próprio cumprimento da aliança com o Senhor.

Mesmo neste apelo final, a fé permanece. Embora as terras estejam arruinadas e o povo sofra o deslocamento, o salmista se apoia em um legado de promessas divinas. A história demonstra repetidamente que Deus pode restabelecer o que foi desarraigado (2 Crônicas 7:14), e a tristeza neste salmo conduz os crentes a uma esperança que transcende as circunstâncias imediatas e aponta para resultados redentores finais.

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