
Em 1 Coríntios 2:1-5, Paulo insiste que foi a Corinto para apontar os coríntios para Deus e Seu poder, não para incentivá-los a seguir qualquer homem, inclusive a si próprio. Paulo vinha exortando os crentes coríntios a encontrarem unidade na cruz de Cristo e a evitarem as divisões criadas pelo seguimento de homens (1 Coríntios 1:10-11). Foi Jesus quem morreu pelos nossos pecados, não qualquer homem (1 Coríntios 1:13). No versículo anterior, Paulo os exortou a "gloriarem-se no Senhor", não em uma pessoa que seguissem (1 Coríntios 1:30-31).
Os crentes de Corinto deveriam encontrar unidade em seguir a Deus, porque a sabedoria de Deus é infinitamente superior à sabedoria do homem ou à sabedoria deste mundo. Paulo afirma: "Irmãos, quando fui ter convosco, não o fiz com eloquência ou sabedoria humana, anunciando-vos o testemunho de Deus" (v. 1).
Paulo enfatiza que não se apoiou na grandeza retórica ( superioridade da fala ou da sabedoria ) para comunicar o evangelho. Na cultura grega, debates intelectuais e oratória sofisticada eram altamente valorizados. Como gregos, os coríntios teriam crescido em um ambiente que prezava a eloquência, a arte de se expressar e o conhecimento de prestígio.
Mas Paulo trilhou deliberadamente um caminho diferente, para que sua mensagem não fosse ofuscada pelo brilho da sabedoria humana. Mantendo-se simples na fala, Paulo enfatizou o verdadeiro foco, que é Deus e não o homem. Paulo desviou a atenção do ouvinte de si mesmo e a direcionou para Deus. Ele fez isso proclamando aos coríntios o testemunho de Deus.
Ele não buscava reconhecimento pessoal (1 Coríntios 1:13). Em vez disso, empenhou-se em transmitir a verdade de Deus de uma maneira que manifestasse a graça do Senhor, como tão sucintamente compartilhou em Romanos 1:16: "Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego". O poder transformador do evangelho não depende de palavras eloquentes de um orador, mas da realidade imutável do sacrifício e da ressurreição de Cristo.
E Jesus Cristo é o testemunho de Deus. Uma forma da palavra grega “martyrion” é traduzida como testemunho. “Martyrion” também poderia ser traduzido como “evidência”. Jesus Cristo é a evidência da verdade de Deus. Ele é a evidência de que a luz vence as trevas. Ele é a evidência de que a vida vence a morte. Ele é a evidência do amor de Deus pelo mundo (João 3:16).
É por isso que Paulo não empregou táticas retóricas engenhosas. Ele considerava sua tarefa concentrar toda a atenção onde ela deveria estar; não nele, nem em qualquer outra pessoa, mas em Jesus Cristo: Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado (v. 2).
Já vimos que pregar "Cristo crucificado" era uma "pedra de tropeço" para os judeus e "loucura" para os gentios (1 Coríntios 1:23). Mas a crucificação também é uma evidência, um testemunho, de que Deus providenciou a redenção do nosso pecado. O objetivo de Paulo estava singularmente focado nisso: o Salvador crucificado e ressuscitado.
Em uma cidade repleta de filosofias diversas, Paulo centra tudo no cerne da fé cristã: a crucificação de Jesus. Para Paulo, toda verdade espiritual emana desse momento crucial (2 Coríntios 5:14-15). É o sacrifício de Jesus que traz justificação diante de Deus. Aqueles que creem em Jesus recebem um novo nascimento e uma nova natureza. Como Paulo afirma mais adiante: "Portanto, se alguém está em Cristo, nova criatura é" (2 Coríntios 5:17). É essa transformação que fundamenta seu ensinamento.
A postura de não saber nada entre vocês, a não ser Jesus Cristo, e este crucificado, ressalta a profundidade com que a cruz deve moldar a identidade de um cristão (Gálatas 6:14-15). Embora os coríntios pudessem ter buscado argumentação sofisticada, Paulo demonstra que tal foco é equivocado — inclusive se estiver voltado para si mesmo. Ele enfatizou que Jesus Cristo é a fonte da nossa salvação do pecado e da morte, não Paulo (1 Coríntios 1:13). A fé salvadora é direcionada ao Salvador crucificado que agora ressuscitou (João 3:14-15).
Essa simplicidade e foco não indicam falta de profundidade, pois o mistério do sacrifício de Cristo supera qualquer sabedoria ou tradição humana. Pelo contrário, elimina a confusão de narrativas falsas que vêm do mundo.
No cerne da mensagem de Paulo está o poder da cruz, não um sistema de argumentos meticulosamente racionais ou tradições religiosas antigas. Embora seja apropriado que os seres humanos sejam bons administradores de seu intelecto, é o Espírito Santo quem abre os olhos para a verdade, como Paulo enfatizará mais adiante neste capítulo (1 Coríntios 2:12-14). A determinação de Paulo em se concentrar em Cristo reflete seu reconhecimento de que nenhum discurso criado pelo homem pode rivalizar com a potência das boas novas de Jesus Cristo, que estão enraizadas em sua morte e ressurreição.
Continuando, Paulo revela a maneira como chegou a Corinto, enfatizando novamente sua preocupação em não se tornar o centro das atenções: "Estive convosco em fraqueza, temor e grande tremor" (v.3).
Apesar de seu respeitado papel como apóstolo, Paulo não entrou em Corinto ostentando força e autoconfiança. Essa demonstração de humildade, apresentando-se a eles em fraqueza e temor, pode derivar de sua consciência de que qualquer transformação verdadeira no coração das pessoas deve vir de Deus, e não da performance autoconfiante de um pregador itinerante.
Mais do que isso, porém, estava a convicção de Paulo de que Cristo havia morrido por ele (2 Coríntios 5:14-15) e o havia chamado para ser apóstolo (mensageiro) de Deus aos gentios (1 Coríntios 1:1). Paulo já havia viajado bastante até então — suas viagens missionárias abrangeram regiões como a atual Turquia e Grécia. Ele havia presenciado milagres extraordinários (Atos 19:11). Contudo, reconhecia suas fragilidades humanas (2 Coríntios 11:29-30).
Essa confissão de fraqueza pode refletir o preço que essas muitas viagens e perseguições cobraram de Paulo. A palavra grega traduzida como fraqueza é frequentemente traduzida como “enfermidades” ou “doenças” (Mateus 8:17, Lucas 5:15, 8:2, 13:11-12, João 5:5, João 11:4, Atos 28:9). O contexto indica que o temor e o tremor de Paulo eram o seu temor a Deus e ao Seu grande poder, como ele diz nos versículos seguintes: “A minha mensagem e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a fé que vocês têm não se baseasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus” (vv. 4-5).
Talvez Paulo tenha participado de grandes milagres em Corinto, assim como em Éfeso, onde se diz que “Deus realizava milagres extraordinários por meio de Paulo” (Atos 19:11). De qualquer forma, a missão e o foco de Paulo eram que a fé dos coríntios não se baseasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus. Novamente, isso se conecta ao tema original que Paulo introduziu em 1 Coríntios 1:10-11; Paulo exorta os crentes a se unirem em propósito para seguir e servir a Deus, em vez de se dividirem por lealdade a um líder humano.
[Nota editorial: Os autores de "A Bíblia Diz" permanecem anônimos e acreditam que sua escolha por esse anonimato é uma aplicação desta passagem. Buscamos apontar para Cristo e para a verdade da palavra de Deus, em vez de para o homem.]
O contexto histórico e cultural de Corinto destaca por que Paulo considerou crucial diferenciar o evangelho das sofisticadas práticas oratórias da época. Ele evitou propositalmente a eloquência manipuladora para que a verdadeira prova de sua mensagem residisse no poder de Deus.
Paulo foi um instrumento da obra de Deus em curas e muitos milagres, coisas que marcaram uma demonstração do Espírito e do poder. Mas Paulo deixa claro que essa fonte de poder não vem dele. Talvez parte do seu medo fosse o de atrapalhar a obra de Deus. Paulo deseja ser um bom administrador do seu chamado para ser apóstolo, um mensageiro, elevando adequadamente a mensagem que lhe foi designada para espalhar, em vez de a si mesmo.
O fruto espiritual é obra de Deus. Paulo determinou que o esplendor retórico seria um obstáculo em vez de uma ajuda. Seu desejo é levar os coríntios a seguirem a Cristo e ao Espírito Santo. É por meio do andar no Espírito que a carne pode ser vencida e o amor pode prevalecer (Gálatas 5:16). Finalmente, Paulo conclui seu pensamento com o propósito final por trás de sua abordagem: para que a fé de vocês não se baseie na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus (v. 5).
Paulo apresenta uma escolha binária como uma escolha de fé: a sabedoria dos homens OU o poder de Deus. Quando escolhemos ter fé na sabedoria dos homens, incluindo a nossa própria, isso leva ao orgulho. Quando escolhemos ter fé no poder de Deus, isso leva à obediência em seguir os Seus caminhos.
Essa é a mesma escolha binária básica oferecida em Habacuque 2:4:
"Eis que, quanto ao soberbo, a sua alma não está reta dentro dele; mas o justo viverá pela sua fé."
(Habacuque 2:4)
Paulo usa este versículo do Antigo Testamento como fundamento da sua tese na carta aos crentes em Roma (Romanos 1:16-17). Vemos em Habacuque 2:4 que o oposto da fé é o orgulho. Ou, dito de outra forma, o oposto da fé em Deus é a fé no homem — seja em si mesmo ou nos outros. É a sabedoria de Deus versus a sabedoria dos homens.
Uma das escolhas mais fundamentais para os seres humanos, senão a mais fundamental, é confiar em si mesmos ou na cruz. Isso se aplica àqueles perdidos no pecado; seu único caminho para a reconciliação com Deus é através da fé em Cristo (João 3:14-15). Isso também se aplica aos crentes na escolha de como direcionar sua caminhada diária. Os crentes em Jesus, como aqueles em Corinto que receberam esta carta de Paulo, escolhem a cada dia confiar em si mesmos ( na sabedoria dos homens ) ou confiar no poder de Deus.
Quando os crentes alinham suas escolhas diárias com a confiança no poder de Deus, creem que os Seus caminhos são para o seu bem. Escolhem adotar as Suas perspectivas, que são perspectivas verdadeiras. Ao fazer isso, suas mentes não se conformam mais com o mundo, mas são renovadas para pensar segundo os pensamentos de Deus. Isso nos transforma de tal forma que concluímos que a maneira mais razoável/lógica de proceder é viver como um sacrifício vivo, fazendo tudo para agradar a Deus (Romanos 12:1-2, Colossenses 3:23-24).
O poder de Deus é eterno, ancorado na realidade inabalável de Sua natureza; Ele é o “mesmo ontem, hoje e para sempre” (Hebreus 13:8). Ao ensinar os coríntios a confiarem em Deus em vez do homem, Paulo garante que, quando as pessoas enfrentam provações ou questionamentos, ou quando surgem incertezas, sua fé repousa sobre o alicerce firme daquilo que nunca muda: Jesus Cristo.
Se escolhermos um fundamento na lógica humana ( a sabedoria dos homens ), ele poderá vacilar a cada desafio, ou a cada nova moda ou ideia que surgir. Contudo, uma fé enraizada no poder de Deus é inabalável, porque o Deus imutável que criou todas as coisas é Ele mesmo a fonte dessa fé (Romanos 10:17).
O objetivo primordial de Paulo é evitar a divisão que surge ao seguir homens e, em vez disso, unir os corações e as mentes dos crentes coríntios na fé no poder da crucificação, ressurreição e segunda vinda de Cristo (1 Coríntios 1:9-10, 2:2). A cruz, aliada ao poder do Espírito, transcende qualquer sistema intelectual passageiro.
Essa verdade atemporal continua a fortalecer os crentes hoje, lembrando-nos de que nossa confiança está melhor depositada no poder eterno de Deus do que na eloquência passageira dos homens.
Usado com permissão de TheBibleSays.com.
Você pode acessar o artigo original aqui.
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