
Jeremias 42:18 apresenta uma forte advertência àqueles que buscaram refúgio no Egito : "Porque assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: 'Assim como a minha ira e a minha fúria se derramaram sobre os habitantes de Jerusalém, assim também a minha ira se derramará sobre vocês quando entrarem no Egito; e vocês se tornarão uma maldição, um objeto de horror, uma imprecação e um opróbrio; e vocês nunca mais verão este lugar'" (v. 18). Jerusalém, seu lar ancestral, já havia enfrentado toda a força do ataque babilônico, e o Senhor aponta para essa ira destrutiva como um aviso do que aconteceria se o povo fugisse para o Egito. Historicamente, o Egito — localizado no extremo nordeste da África, intimamente ligado pela Península do Sinai — frequentemente parecia um refúgio atraente. Mas Deus deixa claro que tal confiança em poderes terrenos, em vez de nEle, traria desastre em vez de salvação. Assim como a queda de Jerusalém, sua tentativa de escapar do julgamento divino resultaria apenas em se tornarem um exemplo de advertência entre as nações.
Ao mencionar que se tornariam uma maldição e um objeto de horror (v. 18), o versículo enfatiza que a desobediência do povo teria efeitos duradouros. Eles não estariam seguros em sua fuga, mas, ao contrário, seriam rotulados como infiéis por outras comunidades. No contexto histórico, Jeremias serviu como profeta desde cerca de 627 a.C. até algum tempo depois da destruição de Jerusalém em 586 a.C., suplicando fervorosamente ao povo remanescente de Judá que obedecesse à palavra de Deus. Quando o SENHOR declara que o Seu povo não verá aquele lugar novamente, Ele indica claramente que, se escolherem o Egito em vez da obediência, perderão a própria pátria que buscam preservar.
Jeremias 42:18 prenuncia as severas consequências de ignorar a instrução divina. Lembra ao leitor que o plano de Deus deve ser seguido, não importa quão traiçoeiras as circunstâncias possam parecer. Em vez de buscar conforto em alianças militares ou potências estrangeiras, os crentes são chamados a descansar nas promessas de Deus, confiando que Ele tem um propósito para suas vidas, mesmo na adversidade (Isaías 31:1).
Em Jeremias 42:19, o SENHOR se dirige àqueles que permaneceram após grande parte de Judá ter sido levada para o cativeiro babilônico: "O SENHOR falou a vocês, ó remanescente de Judá: 'Não entrem no Egito! Saibam claramente que hoje eu testemunhei contra vocês'" (v. 19). Chamados de remanescente, eles representam aqueles que ficaram para trás, mas ainda são responsáveis por obedecer à aliança que Deus estabeleceu com o Seu povo. Quando o texto diz : "Não entrem no Egito" (v. 19), não deixa espaço para interpretações alternativas — Deus proíbe explicitamente o plano de fuga que eles têm em mente.
A frase "Eu testemunhei contra vocês" (v. 19) destaca a justiça de Deus e a autoridade da Sua palavra. Ela ressalta que o povo não pode alegar ignorância nem fingir que nunca ouviu essas instruções. Na cronologia do ministério de Jeremias, essa advertência ocorre após a queda de Jerusalém; contudo, o SENHOR persiste em alcançar o Seu povo, chamando-o a confiar nos Seus propósitos em vez de fugir para terras estrangeiras. Apesar do trauma da invasão babilônica, Deus ainda espera que eles O sigam.
Este versículo convida os crentes a considerarem a importância de reconhecer e obedecer ativamente aos mandamentos de Deus, especialmente quando esses mandamentos entram em conflito com nossas inclinações naturais à autopreservação. Visto que o remanescente poderia achar prudente fugir, o testemunho do Senhor serve como prova de que eles foram avisados das consequências de rejeitar a Sua orientação.
Jeremias 42:20 faz referência ao pedido inicial do povo: "Pois vocês se enganaram a si mesmos; foram vocês que me enviaram ao Senhor, o seu Deus, dizendo: 'Ore por nós ao Senhor, o nosso Deus; e diga-nos tudo o que o Senhor, o nosso Deus, disser, e nós o faremos'" (v. 20). Eles pediram a Jeremias que buscasse a orientação do Senhor e prometeram obedecer a qualquer resposta que lhes fosse dada. Mas eles já tinham um plano predeterminado em mente — fugir para o Egito — e suas declarações de obediência eram meros enganos.
Jeremias denuncia esse autoengano de forma incisiva, observando que a postura externa de submissão do povo não correspondia à sua determinação interna de agir de outra maneira. Historicamente, o povo de Judá frequentemente demonstrava um padrão de invocar o SENHOR em momentos de crise, apenas para se afastar assim que seus temores imediatos diminuíam. Neste momento, eles fingem estar dispostos a obedecer, mas esperam que a resposta de Deus esteja de acordo com seus planos preferidos.
Neste versículo encontramos uma verdade atemporal: quando pedimos a Deus orientação, devemos estar prontos para segui-la, mesmo que o caminho que Ele prescreve não seja o que desejamos. O engano do povo, em última análise, é contra eles mesmos, pois se expõem ao julgamento ao ignorarem a resposta que pediram ao Senhor.
Jeremias proclama que transmitiu fielmente a mensagem divina, mas o povo a rejeitou. O profeta está cumprindo seu papel: "Assim, eu lhes disse hoje, mas vocês não obedeceram ao Senhor, o seu Deus, nem mesmo em tudo o que ele me enviou para lhes dizer" (v. 21). Deus lhe incumbiu de falar a verdade à sua comunidade, enquanto o povo negligenciava a sua, de acatar a verdade e responder com fé.
Ao longo da narrativa bíblica, profetas como Jeremias atuam como mensageiros de Deus. Eles proclamam Suas palavras com clareza, muitas vezes enfrentando rejeição. O povo de Judá, tendo sobrevivido a uma calamidade nacional, deveria ter sido mais receptivo e disposto a ouvi-Lo. Em vez disso, sua deliberada indiferença apenas aprofunda a divisão entre eles e o Senhor. Historicamente, esse remanescente se viu em situação desesperadora após a queda de Jerusalém, lutando contra as consequências da invasão e o futuro incerto que se apresentava. A mensagem de Jeremias serviu como uma última tábua de salvação para que se reconciliassem com Deus.
Em um sentido mais amplo, Jeremias 42:21 lembra aos leitores modernos que o conhecimento dos mandamentos divinos por si só não gera transformação espiritual. A obediência, mesmo quando custosa ou assustadora, é a verdadeira evidência da fé. As repetidas instruções de Deus por meio de Jeremias demonstram Sua misericórdia ao dar ao Seu povo múltiplas oportunidades de mudar de rumo.
O resultado da desobediência deles fica claro no último versículo: "Portanto, saibam agora que morrerão pela espada, pela fome e pela peste, no lugar para onde desejam ir morar" (v. 22). Os mesmos perigos que esperavam evitar — guerra, escassez de alimentos e doenças generalizadas — os seguiriam até a terra que acreditavam ser segura. Ao escolherem um caminho contrário à palavra de Deus, eles experimentariam as mesmas tragédias que testemunharam durante a invasão babilônica.
Este é um lembrete sóbrio de que tentar fugir das consequências da desobediência é inútil. Registros históricos mostram que muitos israelitas que fugiram para o Egito de fato sofreram dificuldades adicionais. Deus não queria destruí-los, mas desejava sua confiança voluntária. Sua insistência em trilhar seu próprio caminho, movida pelo medo, os deixaria vulneráveis às mesmas calamidades que já haviam suportado.
Espiritualmente, essa advertência ressoa por toda a narrativa bíblica: a verdadeira libertação vem da confiança na direção de Deus, não importa quão desafiadoras as circunstâncias se tornem. A mão protetora do Senhor está sobre aqueles que escolhem permanecer fiéis, mas a desobediência separa as pessoas dessa proteção divina (Deuteronômio 28). Ao se afastarem para buscar refúgio no Egito, o povo de Deus se distancia da provisão e da orientação que Ele lhes destinou e acaba enfrentando as consequências dolorosas da fome, dos conflitos e da peste.
Usado com permissão de TheBibleSays.com.
Você pode acessar o artigo original aqui.
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