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Jeremias 42:7-17 Explicação

Em Jeremias 42:7, Jeremias explica que, ao fim de dez dias, veio a palavra do Senhor a Jeremias (v. 7). O intervalo de dez dias é significativo. Demonstra que Jeremias não falou de forma presunçosa nem ofereceu garantias precipitadas. A revelação profética vinha segundo o tempo de Deus, não segundo a urgência humana.

Esse atraso reflete padrões proféticos anteriores. Daniel esperou semanas antes de receber uma resposta angelical (Daniel 10:12-14), e Habacuque foi instruído a "esperar" pelo cumprimento da resposta de Deus (Habacuque 2:3). O intervalo de dez dias destaca que, mesmo em meio a uma crise nacional, a orientação de Deus é deliberada, não impulsiva. Revela também a integridade de Jeremias — ele não se apressou em dar sua própria opinião.

Assim que Deus falou, Jeremias convocou Joanã, filho de Careá, e todos os comandantes das tropas que estavam com ele, e todo o povo, tanto pequeno como grande (v. 8). Essa reunião incluía líderes e cidadãos comuns, enfatizando que a instrução se aplicava universalmente a todo o remanescente.

A menção a "pequenos e grandes" ecoa passagens anteriores onde todos os segmentos de Judá eram responsabilizados pela desobediência ( Jeremias 6:13; 8:10). Aqui, porém, enfatiza a inclusão: cada sobrevivente precisava ouvir a ordem divina antes que decisões importantes fossem tomadas. Isso faz um paralelo com Moisés reunindo todo o Israel antes de transmitir as instruções da aliança em Deuteronômio 29:10-13.

Em Jeremias 42:9, Jeremias lembrou-lhes que estava transmitindo a resposta de Deus ao pedido que eles mesmos haviam iniciado, e disse-lhes: " Assim diz o Senhor, Deus de Israel, a quem vocês me enviaram para apresentar a sua petição diante dele" (v. 9). A escolha das palavras é deliberada. Jeremias enfatiza que a mensagem não é um conselho seu, mas a resposta à indagação deles. Eles haviam jurado solenemente, em Jeremias 42:5-6, obedecer a tudo o que Deus dissesse, fosse agradável ou difícil.

Este versículo estabelece a responsabilidade. O remanescente não pode alegar que Jeremias agiu de forma independente ou que sua mensagem refletia preferências pessoais. A situação espelha a de Israel no Sinai, prometendo: " Tudo o que o Senhor ordenou, faremos" (Êxodo 19:8), embora resistissem repetidamente aos mandamentos de Deus. A declaração de Jeremias prepara o terreno para a eventual desobediência do remanescente no capítulo 43.

A primeira promessa de Deus declara: " Se vocês permanecerem nesta terra, eu os edificarei e não os destruirei; eu os plantarei e não os arrancarei. Pois me arrependerei da calamidade que lhes causei" (v. 10). A linguagem de "edificar" e "plantar" contrasta intencionalmente com a ordem inicial de Jeremias de "arrancar e destruir " ( Jeremias 1:10). A fase destrutiva do julgamento está completa; a oportunidade para a restauração agora começa.

A imagem remete às promessas de Deus em Jeremias 24:6 e 31:28, onde Ele assegura que, apesar do exílio e da ruína, um dia restaurará e reconstruirá. Deus declara explicitamente sua disposição de "arrepender" do julgamento, ecoando o princípio em Jeremias 18:7-8: se uma nação se desviar, Deus poderá reverter a calamidade planejada. Permanecer na terra demonstra confiança em Deus, e não medo da Babilônia.

Essa garantia é surpreendente, considerando a recente rebelião e violência, mas ressalta a fidelidade da aliança de Deus (Lamentações 3:22-23).

Deus continua: “Não tenham medo do rei da Babilônia, a quem vocês agora temem; não tenham medo dele”, declara o Senhor, “pois eu estou com vocês para salvá-los e livrá-los das mãos dele” (v. 11). A Babilônia tinha motivos para suspeitar de mais rebeliões — Gedalias havia sido assassinado e soldados babilônicos haviam sido mortos (Jeremias 41:3). Mesmo assim, Deus diz ao remanescente para não temer Nabucodonosor.

A frase "Eu estou contigo para te salvar" (v. 11) remete a promessas de alianças anteriores (Isaías 41:10; Jeremias 1:8). Judá temia mais a Babilônia do que a desobediência a Deus, uma inversão da confiança adequada. Jeremias 42:11 reformula a situação: a Babilônia não é a ameaça final; a desobediência é. Se permanecerem em Judá sob a proteção de Deus, a Babilônia não os destruirá.

Isso é semelhante à garantia de Deus a Jacó quando ele temeu Esaú (Gênesis 31:3; 32:7-12) — não que as circunstâncias fossem seguras, mas que o próprio Deus o protegeria.

Deus acrescenta uma promessa adicional: "Também mostrarei compaixão por vocês, para que ele tenha compaixão de vocês e os restaure à sua própria terra" (v. 12). Isso indica que Nabucodonosor não retaliaria agressivamente se o remanescente permanecesse em Judá. Em vez disso, Deus inclinaria as autoridades babilônicas à clemência.

A manipulação divina de governantes estrangeiros é um tema bíblico recorrente. Deus inspirou Ciro a permitir seu retorno do exílio (Isaías 45:1-13; Esdras 1:1-4), endureceu o coração de Faraó em Êxodo e desviou o coração do rei assírio da destruição em Isaías 37:6-7. Aqui, Deus promete influenciar a postura de Nabucodonosor em relação ao remanescente.

Este versículo aborda diretamente seus medos: o caminho de permanecer em Judá, embora parecesse arriscado, era a rota do favor divino e da estabilidade restaurada.

A mensagem então muda para um tom de advertência: "Mas, se vocês disserem: 'Não ficaremos nesta terra', e não derem ouvidos à voz do Senhor, o seu Deus" (v. 13). Deus identifica a potencial desobediência deles como uma recusa em ouvir — a principal responsabilidade da aliança (Deuteronômio 6:3-5; Jeremias 7:23). A escolha do Egito é apresentada não como prudência política, mas como rebeldia.

Isso antecipa a recusa deles em Jeremias 43, demonstrando que Deus confronta suas motivações antes que suas ações ocorram. A formulação sugere uma autojustificação: "Não ficaremos" mascara uma questão mais profunda — a desconfiança na proteção de Deus.

Deus cita o raciocínio deles, dizendo: " Não, mas iremos para a terra do Egito, onde não veremos guerra, nem ouviremos o som da trombeta, nem passaremos fome, e ali ficaremos" (v. 14). O Egito era visto há muito tempo como um refúgio na história de Israel — Abraão fugiu para lá durante a fome (Gênesis 12:10), assim como a família de Jacó (Gênesis 46:1-7). Mas, nos dias de Jeremias, o Egito representava uma confiança mal depositada ( Jeremias 2:18; Isaías 31:1). Eles acreditavam que o Egito oferecia paz: sem guerra, sem alarmes de invasão, sem fome.

A lógica deles se assemelhava ao anseio infiel de Israel de retornar ao Egito no deserto (Números 14:1-4). O que eles consideravam um refúgio, Deus considerava como uma fuga de Sua proteção.

A advertência se intensifica: " Então, nesse caso, ouçam a palavra do SENHOR, ó remanescente de Judá. Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: 'Se vocês realmente decidirem entrar no Egito e lá permanecerem'..." (v. 15). A expressão "decidir" implica uma intencionalidade deliberada e obstinada na desobediência. A decisão interna do remanescente — que se forma em seus corações antes de agirem — já constitui rebelião.

Deus se dirige a eles como o "remanescente de Judá", um título que os lembra de sua responsabilidade singular. Sobreviver ao julgamento não significa ter a oportunidade de agir de forma precipitada ou individualista, mas sim uma oportunidade sagrada de reconstruir com obediência. Deus os convoca novamente a ouvir, contrastando Sua palavra autoritativa com suas suposições temerosas.

O resultado de se voltarem para o Egito é explícito: "Então a espada, da qual vocês têm medo, os alcançará lá na terra do Egito; e a fome, que os assusta, os seguirá de perto lá no Egito, e vocês morrerão lá" (v. 16). As consequências correspondem exatamente aos seus temores: eles temiam a guerra e a fome, e esses mesmos julgamentos os perseguiriam até o Egito.

Isso reflete um princípio bíblico mais amplo: fugir dos mandamentos de Deus coloca as pessoas diretamente no caminho dos próprios perigos que tentam evitar (Jonas 1:3-4; Provérbios 28:1). O Egito não os protegeria da Babilônia; historicamente, Nabucodonosor invadiu o Egito por volta de 568 a.C. ( Jeremias 43:10-13; Ezequiel 29:19), cumprindo essa advertência.

A repetição sombria — "você morrerá ali" (v. 16) — ressalta a certeza do julgamento fora da vontade de Deus.

A advertência conclui: " Portanto, todos os homens que decidirem ir para o Egito para lá residir morrerão à espada, à fome e à peste; e não haverá sobreviventes nem refugiados da calamidade que trarei sobre eles" (v. 17). Esses três julgamentos — espada, fome e peste — ecoam as maldições da aliança em Deuteronômio 28:21-25 e aparecem repetidamente em Jeremias como instrumentos de punição divina ( Jeremias 14:12; 21:7; 24:10).

A afirmação "nenhum sobrevivente ou refugiado" (v. 17) inverte a ideia de um remanescente. Deus lhes oferece vida em Judá, mas a desobediência elimina a possibilidade de sobrevivência. O Egito, que eles viam como um refúgio seguro, torna-se um lugar de destruição certa.

Historicamente, o grupo que fugiu para o Egito — incluindo Jeremias, arrastado contra a sua vontade — de fato enfrentou devastação ( Jeremias 44:11-14). A palavra de Deus se provou verdadeira.

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