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The Blue Letter Bible
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Jó 39:1-4 Explicação

Em Jó 39:1-4, Deus continua demonstrando a Jó quão pequena é a sua perspectiva em comparação com a de Deus. Deus começou a responder ao pedido de Jó para ser ouvido e compreender a sua perspectiva, após o que Jó expressou confiança de que Deus mudaria as Suas ações para com ele (Jó 23:3-7).

A resposta de Deus a Jó começou em Jó 38:1. O monólogo resultante continua até o capítulo 39 e, após uma breve troca de palavras, prossegue até o capítulo 41. Deus começou exigindo que Jó respondesse a uma série de perguntas metafísicas para as quais Jó não tinha resposta (Jó 38:4-38). Em Jó 38:39, Deus mudou o foco das percepções metafísicas para o conhecimento do mundo animal, começando pelo leão. Deus então pergunta: “Você sabe a época em que as cabras montesas dão à luz?” (v. 1).

Deus está convidando Jó a refletir sobre uma cena que ele provavelmente nunca presenciou. Cabras montesas vivem entre penhascos afiados e rochedos altos, lugares onde os pés escorregam e as mãos humanas são de pouca utilidade. No deserto da Judeia e nas cordilheiras do leste, o terreno é um labirinto de saliências, ravinas e paredões íngremes — escaldantes no verão e esculpidos pelo vento no inverno. Ali, sem um calendário de pastor ou um relógio de parteira, o Criador vela por elas e determina o seu tempo.

A questão não é tanto buscar dados em Jó, mas sim expor as limitações de Jó. Mesmo que Jó se desse ao trabalho de perseguir as cabras da montanha e observá-las dar à luz, ele não conseguiria explicar como isso acontecia. Além disso, mesmo com os avanços da tecnologia moderna, só conseguimos descrever e nomear os processos reprodutivos em animais. Com a descoberta do código genético do DNA, esse desafio de Deus se torna ainda mais pungente. A complexidade do código do DNA vai muito além da nossa capacidade de compreensão, muito menos de criação por conta própria.

Deus vai além: “Observas o nascimento dos filhotes da corça?” (v. 1). A palavra hebraica traduzida como “ observar ” é frequentemente traduzida como “guardar”, como em Gênesis 2:15, onde Deus colocou Adão no jardim para “guardá-lo”. Será que a corça precisa da ajuda de Jó para dar à luz seus filhotes? Claro que não. Deus cuida disso sem qualquer auxílio humano. Esses nascimentos acontecem em ravinas cobertas de arbustos, vales sombreados e matagais, sob o cuidado exclusivo de Deus.

Jó nunca ficou de vigia para registrar as contrações de uma corça em trabalho de parto, e mesmo que tentasse, a corça fugiria antes que ele se aproximasse. A criação sempre fala do cuidado e da ordem de Deus (Salmo 19:1-4; Romanos 1:20). Mas grande parte dessa comunicação ocorre fora do nosso campo de visão, ou é dada de maneiras que vão além da nossa compreensão. Ainda assim, Deus vê tudo. Como diz o Novo Testamento, em Cristo “todas as coisas subsistem” (Colossenses 1:16-17). As perguntas do Senhor, sem rodeios, dizem: “Jó, você não sustenta isso — eu sustento”.

A questão se alinha ao tema de todo o discurso divino: Deus está ampliando a visão de Jó, de sua dor pessoal para a orquestração do mundo inteiro. Jó esperava dar a Deus uma perspectiva "faltante"; Deus mostra que nada lhe falta. A criação não é um palco vazio — Deus está ativamente presente, governando cada momento oculto em lugares selvagens, da mesma forma que governa as tempestades, a aurora e as profundezas (Jó 38).

Por meio desse desafio intelectual, que foi convidado e solicitado por Jó, Deus lhe dá a oportunidade de expandir imensamente sua experiência de vida, pois a própria definição de vida é conhecer a Deus (João 17:3, Jó 42:5). Em seguida, Deus faz outra pergunta a respeito das cervas e seu tempo de gestação e parto: “Podes contar os meses que elas cumprem? Ou sabes o tempo em que dão à luz?” (v. 2).

Esta é a linguagem do calendário — duração da gestação, datas previstas para o parto, cronogramas. As pessoas contabilizam o que gerenciam ou controlam. Os pecuaristas marcam os ciclos reprodutivos de seus rebanhos domésticos. Mas nenhuma etiqueta pende das orelhas dessas cabras e cervos selvagens. Jó não pode acompanhar seus meses, nem saber a hora do parto. Mesmo assim, os nascimentos acontecem no prazo, sem a supervisão de Jó. O Criador estabeleceu os ciclos, e esses ciclos continuam se repetindo.

A premissa subjacente aos argumentos dos amigos de Jó era que a vida funciona segundo transações simples, nas quais temos o controle final: comporte-se bem e Deus abençoará; cometa um deslize e Deus punirá (Jó 8:5-6). Para seu grande mérito, Jó não concordou com isso e falou somente o que era certo da parte de Deus (Jó 42:7). As perguntas de Deus revelam uma realidade mais profunda: Ele não é um ídolo ou uma máquina de venda automática cósmica que pode ser controlada; Ele é o Criador que ordena realidades que os humanos mal percebem. A resposta adequada é a adoração, e não a troca transacional (Romanos 11:33-36).

Isso também prepara o terreno para a graça. Se o mundo selvagem funciona com uma sabedoria que nos ultrapassa, segue-se que o cuidado de Deus por Jó também é mais profundo do que podemos compreender. Mais tarde, Jó dirá: “Declarei coisas maravilhosas demais para mim” (Jó 42:3). Essa confissão é fruto dessas perguntas. O objetivo de Deus é abençoar Jó, mas o treinamento requer esforço e vem através da dificuldade. As Escrituras declaram que Deus corrige aqueles a quem ama (Hebreus 12:6).

Deus descreve o que Jó provavelmente não viu e certamente não compreende, falando ainda das corças dando à luz seus filhotes: “Elas se ajoelham, dão à luz seus filhotes, livram-se das dores do parto” (v. 3).

Podemos imaginar uma saliência na montanha, pouco mais larga que uma passarela. A corça ou cabra se ajoelha, firmando-se naquele ponto precário. Nenhum humano a segura. Nenhuma corda a prende. Mesmo assim, o parto acontece. A expressão "dar à luz seus filhotes" retrata um desfecho normal e saudável — a vida chega sem a presença de uma equipe veterinária ou de humanos. E "elas se livram das dores do parto" indica a recuperação — a dor do parto dá lugar ao alívio do nascimento.

O Criador escreveu esse roteiro em seus corpos e providencia a segurança para que ele se desenrole em lugares que são seguros para eles, mas seriam perigosos para os humanos. Há um encorajamento silencioso aqui. Se Deus pode supervisionar o parto em um penhasco, Ele pode cuidar de nossas crises onde o terreno parece igualmente precário.

Jesus disse aos discípulos ansiosos para observarem os pássaros e as flores como indicadores vivos do cuidado do Pai (Mateus 6:26-30). A Jó é pedido que observe as cabras e os cervos. A mensagem é a mesma: seu Pai cuida de detalhes sobre os quais você nem sabe que precisa orar. Você pode confiar a Ele os detalhes que você conhece.

E o detalhe de os cervos se ajoelharem sugere um ritmo inerente à criação — tensão, depois alívio; dor, depois alegria. O Novo Testamento aplica esse ritmo a nós: “Nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança… e a esperança não nos decepciona” (Romanos 5:3-5). Deus não é indiferente à dor; Ele a utiliza para nos conduzir à vida.

Na verdade, Deus transformará todas as coisas para o bem daqueles a quem ama (Romanos 8:28). A história de Jó seguirá esse caminho: Deus o diminuirá para que ele perceba seu verdadeiro lugar e, ao fazer isso, o engrandecerá, levando-o a conhecer melhor a Deus (Jó 40:3-4). Em seguida, Deus observa o resultado de seu berçário selvagem: “Seus descendentes se fortalecem, crescem no campo aberto; partem e não voltam para eles” (v. 4).

Esses jovens não precisam de estábulos nem de pastores. O campo aberto é sua sala de aula e academia — declives íngremes para fortalecer as pernas, perigos que ensinam a estar alertas, a necessidade de buscar alimento que treina resistência e persistência. Eles se tornam fortes à maneira de Deus, sem supervisão humana. E quando estão prontos, partem e não voltam mais, porque o Criador os projetou para se sustentarem sozinhos e trilharem seu próprio caminho no mundo.

Isso também reflete o que deveria ser um padrão humano. Os pais devem criar os filhos para que se lancem e trilhem seu próprio caminho. O primeiro e melhor lugar para fazer discípulos é em nossos próprios lares (Deuteronômio 6:4-7, Mateus 28:18-20). Os professores capacitam os alunos para a conclusão do ensino médio. O sábio cuidado de Deus não visa à proteção permanente, mas ao desenvolvimento de verdadeira força em Seu povo. É por isso que Tiago exorta os crentes a se alegrarem nas provações, pois elas apresentam oportunidades para o crescimento da fé, e a perseverança na fé é como vencemos na vida (Tiago 1:2-4, 12).

É por isso que o verdadeiro objetivo que Deus estabelece para os crentes em Jesus é vencer como Ele venceu (Apocalipse 3:21). Ele promete que àqueles que vencerem, não temendo a rejeição, a perda ou a morte, Ele concederá o direito de reinar com Cristo, restaurando assim o Seu propósito para a humanidade (Hebreus 2:5-10). Aprender a perseverar exige passar por provações, e é por isso que Tiago 1:2 nos diz para considerarmos motivo de alegria enfrentar provações.

Jó, compreensivelmente, ansiava por alívio, e Deus o concederá, mas primeiro Ele lhe dará algo melhor: maturidade — a força que vem do conhecimento de Deus. É por isso que esse longo diálogo termina com Jó adorando e com Deus dobrando sua bênção (Jó 42:2-6, 10). Deus busca o melhor para Jó, mesmo quando o treinamento é árduo.

No contexto mais amplo da Bíblia, isso nos aponta para Jesus. Ele também cresceu e “aprendeu a obediência” por meio de seu sofrimento (Hebreus 5:8), e por meio de sua cruz, Ele garantiu um povo que compartilharia de sua vida ao conhecê-lo (João 17:3). Aquele por meio de quem todas as coisas foram feitas (João 1:3) é o mesmo que alimenta os pássaros e veste os campos (Mateus 6:26-30) e permanece ao lado de pessoas que sofrem, como Jó, até que a fé seja mais forte que o medo. A criação é o sermão de Deus, Jó é o discípulo de Deus, e por meio de Cristo ouvimos o mesmo chamado: confie no Pai que ordena nascimentos nas alturas e nos carrega através de nossos vales.

É importante notar que, em todas as provações de Jó, ele jamais pecou com os lábios nem se queixou de Deus (Jó 1:22, 2:10). Além disso, Jó falava de Deus somente o que era verdade, conforme declarado pelo próprio Deus (Jó 42:7). Jó era o predileto de Deus, um homem de quem Deus tinha imenso orgulho (Jó 1:8, 2:3).

Mas Jó ainda não tinha entendimento. E quando Jó expressou a crença de que Deus não tinha perspectiva e pediu a Deus para falar com ele, Deus atendeu ao seu pedido, mas não da maneira que Jó imaginava. O encontro de Deus com Jó provavelmente é um exemplo de como é pedir e receber de Deus sabedoria para entender por que devemos nos alegrar nas dificuldades (Tiago 2:5-6).

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