
Em Jó 41:12-17, Deus inicia uma descrição anatômica do Leviatã, reforçando os pontos apresentados na seção anterior, de que a presença dessa criatura que Jó não consegue domar é evidência suficiente para consolidar a ideia de que Jó não tem o direito de tentar domar seu criador.
Na seção anterior, Deus perguntou, à luz da ferocidade de Leviatã: “Quem, pois, poderá permanecer diante de mim?” (Jó 41:10). A resposta esperada para essa pergunta retórica é: “Ninguém”.
O restante do capítulo 41 destaca características do Leviatã que reforçam a ideia de que ele é indomável, até mesmo inacessível. Isso reforça ainda mais o ponto principal do capítulo, que é a pergunta de Jó 41:10: “Quem, pois, poderá permanecer diante de mim?”
Por meio desse diálogo, Deus atende ao desejo expresso de Jó de ter uma audiência com Deus:
"Eu apresentaria meu caso perante Ele."
E encha minha boca de argumentos.
"Eu aprenderia as palavras que Ele responderia,
E perceber o que Ele me diria.”
(Jó 23:4-5)
Podemos observar que Jó esperava confrontar Deus e prevalecer:
"Será que Ele contenderia comigo pela grandeza do Seu poder?"
Não, certamente Ele me daria atenção.
"Ali, os retos argumentavam com Ele;
E eu seria libertado para sempre do meu Juiz.”
(Jó 23:4-7)
Mas Jó está experimentando o oposto. O SENHOR agora afirma: Não me calarei a respeito dos seus membros, nem da sua grande força, nem da sua estrutura perfeita (v. 12).
Os versículos seguintes detalharão os membros da poderosa criatura Leviatã, sua força descomunal e sua estrutura organizada. Tudo isso visa reforçar a ideia já apresentada de que a existência de tal criatura deveria ser prova suficiente de que Deus, seu criador, é ainda mais inatingível e invencível.
Deus começa com três perguntas retóricas, cada uma das quais pressupõe uma resposta esperada: "Ninguém".
A armadura externa do Leviatã é a camada que impede que o dano atinja seus pontos vitais. Deus está dizendo a Jó: "Você, e ninguém mais, tem acesso à vulnerabilidade desta criatura". A questão é que o Leviatã não fica vulnerável a ataques ao remover sua armadura externa.
Então, pode ser penetrado? Não, porque Leviatã tem cota de malha dupla. “Cota de malha” significa placas entrelaçadas. A imagem é que Leviatã está coberto por placas de armadura não apenas uma, mas duas vezes. Boa sorte tentando perfurar isso com uma lança! Abrir as portas de seu rosto é encontrar seus dentes, o que não é uma boa ideia, porque ao redor de seus dentes há terror (v. 14).
Os dentes representam o poder de agarrar, dilacerar e consumir. No mundo antigo, onde viajar era perigoso e os predadores estavam por toda parte, os “dentes” não eram uma imagem abstrata — eram uma ameaça real e visceral. Talvez parte do que Deus esteja fazendo aqui seja ajudar Jó a passar de falar corretamente sobre Ele, como Deus diz que ele fez em Jó 42:7-8, para ter um temor verdadeiro diante dEle.
Isso seria de grande benefício para Jó, pois o verdadeiro conhecimento e a sabedoria começam com o temor do Senhor (Provérbios 1:7, 9:10).
Deus volta a falar sobre a armadura de placas da criatura:
"Sua balança robusta é seu orgulho, fechada como por um selo hermético. Uma está tão perto da outra que o ar não pode passar entre elas" (vv. 15-16).
A palavra hebraica traduzida como orgulho é traduzida em outros versículos como “majestade”. Essa criatura é inatingível em seu poder porque sua armadura de placas duplas é selada hermeticamente, a ponto de nenhum ar conseguir penetrar entre elas. Se o ar não consegue passar entre as placas, certamente nenhuma flecha ou lança poderá penetrá-las.
Deus continua a descrever a armadura de placas duplas do Leviatã: “Elas estão unidas uma à outra; elas se abraçam e não podem ser separadas” (v. 17).
Esta não é uma criatura com pontos fracos que um humano possa explorar. A linguagem utilizada descreve uma armadura interligada que se recusa a se desfazer sob pressão.
Leviatã é uma representação da majestade de Deus. Ele não é acessível. Quando a história de Jó aconteceu, é provável que a palavra de Deus fosse transmitida principalmente por tradição oral. Moisés viveu centenas de anos no futuro. Mas, na época de Moisés, Deus lhe disse que nenhum homem poderia ver a Sua face e continuar vivo (Êxodo 33:20). Jó reconheceu que Deus é formidável, dizendo que ficaria “estupefato diante da Sua presença” (Jó 23:15). Mas ele pensou que poderia confrontar Deus e prevalecer (Jó 23:7). Deus está deixando claro que isso está longe de ser verdade.
Quando Jó se arrepende mais tarde, ele não o faz porque de repente recebe uma explicação perfeita. Ele se arrepende porque encontra Deus — porque sua visão de Deus não se encaixa mais na "caixa" de Jó, que são os limites de sua própria perspectiva. Ele percebe que Deus transcende sua perspectiva. É em Deus que sua própria perspectiva deve repousar.
Jó já respeitava a Deus como Deus (Jó 1:21). Mas, ao conhecer a Deus, reconheceu que, no plano de Deus, existe uma benevolência para com ele que transcende a capacidade de Jó de compreender. O desejo de Jó de conhecer será substituído pelo seu conhecimento de Deus, que é a única maneira de realmente satisfazer nossa sede de conhecimento.
Usado com permissão de TheBibleSays.com.
Você pode acessar o artigo original aqui.
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