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Salmo 72:8-11 Explicação

No Salmo 72:8-11, o salmista vislumbra um domínio vasto e abrangente para o rei, sugerindo que nenhuma nação deveria permanecer fora de sua justa influência: "Domine ele também de mar a mar e desde o rio, até os confins da terra" (v. 8). No contexto histórico, a referência ao Rio frequentemente aponta para o Eufrates, uma importante via navegável no antigo Oriente Próximo que formava uma fronteira para reinos como o de Israel durante seus maiores períodos de expansão. A expressão "de mar a mar" implica grande extensão, abrangendo litorais distantes e sugerindo um domínio global sob a autoridade designada por Deus.

Quando o rei Salomão, filho de Davi, expandiu seu território, este versículo aponta para além de suas conquistas terrenas. Ele estabelece o fundamento para a visão de um reino mais amplo do que aquele que Salomão ou Davi possuíram: um reino cuja justiça não se origina do poder humano, mas da vontade divina de Deus. Esse governo mais amplo é frequentemente visto pelos crentes como um prenúncio do reinado final do Messias, descrito no Novo Testamento como o Rei dos reis e Senhor dos senhores (Apocalipse 19:16).

A ideia de que esse reinado se estende até os confins da terra implica um domínio universal que supera as conquistas de qualquer rei humano. Nesse sentido, o salmo representa o cuidado e o governo de Deus sobre toda a criação, culminando na expansão da justiça e da paz. Embora inicialmente se refira ao ideal de um rei israelita justo, seu cumprimento final é visto em Jesus Cristo, por meio de quem a mensagem da salvação se estende a todo o mundo (Mateus 28:19-20).

Curvem-se diante dele os que habitam no deserto, e lambam o pó os seus inimigos (v. 9). Aqui, o salmista descreve não apenas a vastidão do território, mas também a submissão dos corações. Os nômades do deserto evocam tribos que viviam nos arredores das nações estabelecidas, grupos errantes das regiões ao sul e leste de Israel, como os habitantes do deserto da Arábia, que se curvariam em reverência. Historicamente, esses povos do deserto frequentemente representavam desafios para os reinos estabelecidos, mas o versículo proclama que mesmo aqueles que antes eram hostis ou independentes respeitarão a monarquia legitimada por Deus.

A imagem dos inimigos lambendo a poeira transmite completa humildade e submissão. No mundo antigo, as nações conquistadoras às vezes forçavam os derrotados a se curvarem ou se prostrarem, indicando rendição total. Espiritualmente, este versículo fala da humilhação dos poderes orgulhosos e hostis perante o reinado do rei escolhido por Deus.

Embora esta passagem retrate um soberano terreno, ela ecoa uma realidade maior em Jesus, que convida tanto amigos quanto inimigos a se curvarem diante Dele em amorosa rendição. As Escrituras em outros lugares ressaltam que todo joelho se dobrará ao Seu nome (Filipenses 2:10); assim, este antigo salmo prefigura o triunfo final de Cristo sobre toda a oposição.

Paguem tributo os reis de Társis e das ilhas; ofereçam donativos os reis de Sabá e de Sebá. (v. 10). Társis é frequentemente considerada uma cidade marítima distante, possivelmente localizada na Península Ibérica (atual Espanha), simbolizando rotas comerciais e redes de comércio de longo alcance. Sabá é historicamente identificada com o sudoeste da Arábia, na região do atual Iêmen, conhecida por suas famosas especiarias e riquezas exóticas. Seba é frequentemente localizada mais ao sul ou na região da África, tradicionalmente ligada à Etiópia ou territórios adjacentes. No mundo antigo, esses lugares estavam entre os confins da civilização conhecida.

O ato de trazer presentes ilustra a honra e o tributo que esses reis prestam ao governante legítimo. Embora Salomão tenha recebido visitantes que lhe prestaram homenagem por sua sabedoria e esplendor (1 Reis 10:1-10), este salmo amplia esse tema para o gesto simbólico de todo o mundo conhecido oferecendo respeito. A menção às ilhas amplia ainda mais o alcance, denotando áreas remotas separadas por mares.

Esta cena se conecta ao conceito do Messias, que atrai adoração e veneração de todas as partes da Terra. Os magos no Evangelho de Mateus (Mateus 2:1-2) trouxeram presentes a Jesus, refletindo um cumprimento parcial dessa homenagem mundial. O tributo descrito aqui, portanto, aponta para o alcance global do reino de Deus, onde muitas nações se unem em reverência.

Prostrem-se diante dele todos os reis, sirvam-no todas as nações (v. 11). O salmista resume aqui o alcance universal dessa monarquia. Nenhum trono permanece isento, pois cada governante é retratado submetendo-se voluntariamente ao reinado do rei justo. Isso remete à linhagem de Davi, a quem Deus prometeu um trono estabelecido para sempre (2 Samuel 7:16). O serviço coletivo de todas as nações ressalta a unidade que surge sob um líder justo e compassivo

Nessas palavras, encontramos uma aspiração por paz e justiça duradouras. O reino vislumbrado não se constrói sobre a opressão, mas sobre a devoção sincera. Historicamente, reis podiam formar alianças instáveis, mas este versículo propõe uma harmonia que reflete o desejo de Deus pela reconciliação entre os povos. Tal ideal apontava para a missão de Cristo, que levou a salvação para além das fronteiras de Israel, reunindo judeus e gentios no reino de Deus (Gálatas 3:28).

Este serviço universal e reverência refletem uma homenagem dedicada à autoridade divina. Embora a passagem se refira a um monarca do Antigo Testamento, ela ressoa profundamente com os cristãos, que veem Jesus como o cumprimento final dessas expectativas reais (Apocalipse 5:13). A unificação de todas as nações sob um reinado benevolente assegura uma visão de harmonia, justiça e adoração.

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